Trama - Ano IV

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Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:33 pm

Posts em ordem, observando a ordem de acontecimentos.

1 - Annelise Antoine - Aposentos de Fiona McStarling - Qui Nov 04, 2010
2 - Eskarina MacOgma - Átrio - Dom Nov 07, 2010
3 - Ram Bonjam - Átrio - Qua Nov 10, 2010
4 - Damian Palacci - Sala dos Professores - Seg Nov 08
5 - Eskarina MacOgma - Sala dos Professores - Qua Nov 10, 2010
6 - Damian Palacci - Sala dos Professores - Qua Nov 10, 2010
7 - Eskarina MacOgma - Sala dos Professores - Sab Nov 13, 2010
8 - Eskarina MacOgma - Átrio - Dom Nov 14, 2010
9 - Eskarina MacOgma - Escritório Professora Gouveia - Dom Nov 14, 2010 7:55 pm
10 - Manuela Gouveia - Escritório Professora Gouveia - Qua Nov 24, 2010
11 - Jacob Bugèrrer - Hall de Entrada - Qua Nov 24, 2010
12 - Eskarina MacOgma - Hall de Entrada - Dom Nov 28, 2010
13 - Eskarina MacOgma - Estufa Nº 02 - Dom Nov 28, 2010
14 - Steven Moritz - Estufa Nº 02 - Seg Nov 29, 2010
15 - Tatsuya Fujiwara - Estufa Nº 02 - Sab Dez 04, 2010
16 - Damian Palacci - Estufa Nº 02 - Sab Dez 04, 2010
17 -Marcus Alott - Estufa Nº 02 - Ter Dez 07, 2010
18 - Eskarina MacOgma - Estufa Nº 02 - Ter Dez 07, 2010
19 -Tyler Bennet - Estufa Nº 02 - Ter Dez 07, 2010
20 - Ernest Butler - Estufa Nº 02 - Qua Dez 08, 2010
21- Thomas Miller - Estufa Nº 02 - Qui Dez 09, 2010
22 - Eskarina MacOgma - Estufa Nº 02 - Sab Dez 11, 2010
23 - Tatsuya Fujiwara - Estufa Nº 02 - Qui Dez 16, 2010
24 - Roger Waters - Estufa Nº 02 - Sex Dez 17, 2010


Última edição por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:14 pm, editado 4 vez(es)

Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:34 pm

Annelise Antoine escreveu:
{ à luz das lembranças }
A MÁSCARA CAI E AS CARTAS VÃO À MESA, À ESPERA DO PRÓXIMO PASSO

PRÓXIMO >


O mundo até então era só escuridão, silêncio, o único som percebido pela jovem francesa era o de seu coração batendo em ritmo lento. Os músculos da mão se mexeram involuntariamente e num reflexo o seu corpo espasmou, fazendo-a despertar de seu desmaio como um afogado trazido à tona por um puxão. Abriu os olhos e as pupilas dilatadas se encolheram no susto por causa da claridade e ela tornou a fechar os olhos. Notou que o chão e todo o corredor do castelo se mexia, olhou ao redor confusa e enxergou uma figura conhecida, mas embaçada. Nessa hora deu um pulo praticamente caindo no chão com uma expressão aflita em seu rosto a tal figura era de sua diretora Eskarina MacOgma com a qual Annelise precisava falar urgentemente.

- Professeur MacOgma! Graças à Merrlin! Prreciso falarr com a senhorrá! -Levantou-se do chão desajeitada, escorregando as botas lisas sobre o piso do castelo até conseguir equilibrar-se.

Esk estava aflita, queria saber o que estava realmente acontecendo com a menina. Damian parecia não ter respostas, a principio nada de realmente grave acontecera. Nesse momento, a bruxa foi despertada de suas conjecturas por um baque surdo seguido de um grito. Ao olhar para trás, viu apenas Annelise levantando-se do chão, ansiosa e com os olhos arregalados, e estava desesperada.

- Acalme-se, Srta Antoine, está tudo bem. O que houve? - A menina olhou a sua volta e viu que não estavam sozinhas, seus olhos mostravam o quanto agoniada ela estava e Esk entendeu que o que quer que fosse dito, não poderia ser na frente de outra pessoa, que não ela.

- Certo, pelo visto consegue andar, não? Damian, você disse que aparentemente não havia nada errado com ela, não é? Então, posso levá-la para a torre, creio que há algo que seja assunto apenas para mulheres. - Esk riu, tentando disfarçar a sensação ruim que tinha no peito, fingir um assunto de mulher era sempre uma boa tática para afastar homens.

Annelise saiu apressada pelo corredor, não ligando muito pra dor que sentia na perna por causa da queda, a cabeça ainda doía do calor e das lembranças que tivera, agora tudo já estava organizado em sua mente, lembrou-se de cada minuto de horror que passou exatos três anos antes aquela mesma escola. Puxava a professora pelo pulso com um pouco de violência.

A menina seguia firme levando a professora pelo pulso. A bruxa notou quanta força depositava naquele aperto, isso era um sinal da urgência do assunto. Ainda estavam no quinto andar, fora o desconforto que Annelise demonstrava vez ou outra no caminhar, o tempo que levariam para chegar até a torre, era precioso para ser perdido. Puxou a menina pelo braço e mudou o rumo que seguiam, e logo estavam postadas em frente a um quarto que há um tempo estava desocupado, mas no passado tinha sido da bruxa xamã, Fiona McStarling.

- Venha, aqui estaremos seguras e em privacidade. Entre. - Esk fechou a porta e com alguns movimentos de varinha acendeu as velas que estavam pelo aposento. Mesmo desocupado, ainda conservava a decoração da sua antiga dona. Aproveitando-se disso, a bruxa fez sinal para que a aluna se sentasse numa poltrona macia enquanto ela sentava-se numa das cadeiras que ladeavam uma mesinha de canto.

- Respira fundo e me diz o que houve, com calma.

Ela faz exatamente como a professora disse e dá uma longa puxada de ar, soltando-o quase que por inteiro de uma vez só. Passou os dedos finos pelos cabelos que foram soltos pelo vento forte do campo de quadribol e umedeceu os lábios pensando em como ia soltar aquela bomba. Seu rosto foi tomado por uma expressão apreensiva e ela se pronunciou.

- Eu lembrrei de tudo, do prrimeirro ano, quando fomos raptadas! Foi o DIRRETORR!

Começou a tremer, seus olhos se encheram d'água enquanto o peito arfava buscando um pouco de calma. Olhou ao redor como se temesse que as paredes pudessem ouvi-la e prosseguiu.

- Ele comandou um ritual... No meio da florresta... Non lembrro parra quê, mas erra dele aquele drragon!

- Espera, espera, o que? Como assim? O diretor? - E então a compreensão veio impactante como uma enorme pedra de gelo descendo garganta a dentro. Num redemoinho de palavras e avisos, lembrou-se do que o Centauro havia dito: "- O líder do seu rebanho é o problema. Se você não entende o que seja um profanador, acho que sua escola não ensina muita coisa útil então. Há muitas luas o profanador mor vem causado coisas ruins à floresta. Muitas por ter profanado um local muito sagrado para nós entes das matas. E agora. AGORA o gárgula trouxe um lobisomem para a nossa reserva. Nós que estávamos livres dessa praga há anos."

Tudo se encaixava agora. Eskarina levantou-se, estava agitada demais. E envergonhada, como poderia ter deixado passar tantos avisos? O que Santiago dissera na noite que morreu, o outro zelador psicótico. O cheiro de rosas. Será?

- Annelise, isso que você está dizendo é muito sério. Tem noção do que ira causar? Conte-me tudo, os detalhes. Você se lembra o porquê disso? Preciso ter provas para que eu posso por as mãos nesse... nesse... Vamos, calma, procure lembrar-se dos detalhes.

A vergonha e a culpa consumiam a vice-diretora por dentro. Teve que dar razão agora para seu amigo Christopher, e para o auror Cale. Eles lhe alertaram que ela estava ficando cega para tudo se preocupando com problemas pessoais, enquanto o castelo estava sob ameaça, e essa que vinha de dentro, vinha de onde deveria estar o protetor máximo. De Arthur Bassington.

Annelise sentou-se, por fim, havia conseguido se acalmar um pouco. Em uma narrativa com detalhes ricos e carregada de uma torrente de emoções confusas e incertas que durou quase uma hora a adolescente contou tudo o que lembrava sobre o dia em que ela e mais três garotas, Juh Guerts, Anny Blackmoon e Kassandra Kennel foram levadas do jogo de quadribol por um dragão alado para o meio de uma clareira na floresta negra, onde foram instrumentos para um ritual de magia negra do então recém-nomeado diretor de Hogwarts.

Olhou surpresa para a mulher à sua frente, notou alguns gestos que indicavam confusão, talvez até mesmo vergonha, sabia pois ela mesma costumava usá-los, engoliu em seco, o que será que se passava na cabeça dela? Até então a garota controlara-se para não chorar e não se permitiria tal ato de covardia, não nesse momento. Um misto de desgosto e raiva cresceram dentro dela pensando na pessoa que deveria zelar e proteger a escola, mas na verdade fazia uso dos alunos para fins obscuros. Mordeu o lábio inferior e encarou a professora séria.

- O que prretende fazerr, Esk? - Raramente usava de tanta intimidade com a mesma, apesar de ter permissão para isso. O momento não exigia formalidade.

A pergunta da francesinha trouxe a professora de volta ao presente, e então sentiu-se tonta. Sentou-se outra vez, apoiando a cabeça sobre o braço, num sinal de exaustão. O que faria? Como faria? Se não tivessem tantas pessoas envolvidas, tantas vidas a proteger, ela já teria explodido e ido diretamente encarar o homem que por anos, - os anos de sua infância - frequentava a casa de seus pais se dizendo um amigo da família. Porém, ela sabia que ele não deveria agir sozinho. Todos os problemas e ataques que aconteceram, as mortes. Levantou a cabeça e olhou ao redor. A antiga dona desse quarto tinha sido morta num desses ataques sem explicação, mas que agora Eskarina daria um braço em aposta se aquilo também não fosse obra do diretor.

- O que farei, Lise? Com certeza, faze-lo pagar pelas vidas que tirou ou por todo mal que causou. Agora, "como" é a pergunta certa. Pois devemos saber que ele não está só, e sinto em meu coração que Mihaita foi levada para esse mar negro também. - E o pior, fora ela que tinha ido em busca da Romena para que voltasse ao castelo, à pedido de Bassington. Tinha trazido a amiga para as mãos do inimigo.

Lise arrastou a cadeira na direção da professora e estendeu as mãos para segurar as dela, os olhos eram firmes, apesar de ainda tremer, deu um sorriso um pouco forçado - a situação não pedia um sorriso, mas queria dar à ela algum conforto .

- A senhorrá nãn poderria advinharr, prrofessorra. Non seria melhor alerrtarr o Ministérrio? Ou pelo menos os aurrorres nos quais a senhorrá confia? - Fez uma expressão engraçada de desdém nesse momento - Como o tal monsieur Millerrr...

O gesto reconfortante de Annelise, seu sorriso, não um sorriso aberto e feliz, foi um consolo cálido em meio a decepção e tormenta que se seguia. A bruxa retribui o gesto, ouvindo a menina tentar consola-la.

O que sentiu nesse momento foi estranho, olhando para os olhos grandes e verdes de Lise, teve a impressão que conhecia aquela expressão, Sem entender por quê, sentiu um nó na garganta e um aperto no coração. Ficou prestando atenção nos detalhes e por um momento, Esk poderia jurar já ter vivido essa cena. Mas seria impossível, não? Annelise era praticamente uma criança e tirando um certo baile de inverno três anos atrás, nunca tinham passado tanto tempo juntas a ponto de levarem uma conversa mais a sério.

Enquanto a menina falava, MacOgma lembrou-se de Nicholas. O que era uma péssima hora para isso, afinal, o destino dos estudantes do castelo estava em suas mãos e da adolescente. Balançou a cabeça para se livras dos pensamentos, como se faz quando algo fica zumbindo e incomodando. E sim, viu uma luz. Miller sabia de tudo que acontecia no castelo, estava com ela nos últimos anos tentando descobrir esse mistério

- Obrigada por me ajudar a pensar. Exatamente, preciso de Miller aqui para fazermos um plano.

A francesa concordou meio à contragosto, preferia que no lugar de "Miller" fosse...

- E o professeur Butlérr? - Olhou-a com uma ponta de esperança quase imperceptível, achava que ela e o "corvão" eram um casal muito mais interessante que uma leoa e uma "serpente", vai saber...

Esk ficou olhando para Anne e para o brilho que surgiu em seu olhar ao dizer o nome do ex-professor de transfiguração. Não teve com não rir, mesmo que um sorriso tímido, afinal, a menina e sua amiga Natalie, eram responsáveis pelo começo daquela história. Uma bela história que parecia ter acontecido há muito tempo, diante dos fatos de agora.

- O Butler chegará no castelo amanhã, Lise, mas com certeza ele será muito importante. Temos que agir rápido, mas também não podemos deixar que o Bassington perceba. Merlin! Precisamos ser cautelosos. Por favor, guarde isso para você até o momento certo, sim? Ninguém deve saber ainda, entendeu? Confie em mim, não deixarei que mais nada lhe aconteça e a mais ninguém.

A francesa respirou fundo e soltou as mãos da professora, levando-as aos próprios cabelos, jogando-os para trás e então balançando a cabeça positivamente.

- Não irei comentar com ninguém, não se preocupe...

- Confio em você, filhote... Sempre confiei e não quero que passe pelo que passou naquele dia... Me preocupo. - Esk ainda matutava os fatos que tinha ouvido, de repente lembrou da noite que Ram Bojam tinha sido envenenado. Tudo começara naquela noite. Precisava falar com o ancião, algo em seu sentido felino dizia que ele teria boas respostas.

- Como vocês está agora? Lise, se quiser, eu te coloco numa lareira para sua casa agora, e você pode descansar e ficar com seus pais, longe desse caos que já te feriu tanto. - Estranho como as emoções estavam brigando em seu interior, enquanto dizia aquilo sobre pais e filhos, sentiu uma pontada de inveja dolorosa.

- NON, DE JEITO NENHUM! Estan em época de casament e serrá na minha casa... Non suporrto aqueas festas dos parrentes da minha mãe, san todo barrulhentos de mais e vivem brrigando e tentando pegarr minhas coisas! Eu prrefirro ficarr aqui, me sinto mais em casa.

Abriu mu grande sorriso para a professora e se levantou, indo até ela e ajoelhando-se para abraçá-la, sem esperar muita reação, ela de fato se sentia mais em casa estando em Hogwarts que em qualquer outro lugar.

A auror não teve como não rir da situação, Lise desembestou a falar rápido e gesticulando. Esse comportamento um pouco alterado acentuava seu sotaque francês. Era até bonitinho, quando se conseguia entender o que ela falava.

- Ok. ok, acho que posso entender isso sobre familia. A minha é bem complicada também, deveria ver minha mãe, Aliena... Quando ela vai as compras, acha sempre que estou precisando de roupas coloridas, joias e bolsas espalhafatosas. - Esk riu da expressão da menina e viu que era um assunto tão fora de mão. Uma catástrofe mágica estava prestes a acontecer e elas falavam de familia.

- Melhor você ir à enfermaria agora, sua queda foi amortecida, mas você precisa de uma poção revigorante, eu vou procurar os outros bruxos para... bem, você sabe. Obrigado.

A garota soltou a professora e se levantou, pensou um pouco e balançou negativamente a cabeça, ela já sabia a poção revigorante que precisava.

- Merci, professeur, mas eu.. Ahn... Prreciso encontrrar o prrofessorr Alott, tenho muitas tarrefas parra fazerr ainda... Não pode evitar de ficar com a face ligeiramente ruborizada, o que disfarçou olhando para o teto ocasionalmente. Curvou o corpo para beijar carinhosamente a face da mulher, despedindo-se. - Au revoir, professorrá MacOgma! - Encolheu os ombros e deu um nó nos cabelos procurando o que fazer com as mãos nervosas - consequência de pensar no professor.

Outra vez o nome desse rapaz. Se soubesse o que viria no futuro, teria se desesperado realmente, porém, agora só ficou desconfiada e do comportamento ululante repentino de Annelise.

- Vai ver o professor Alott? Filha, ele ainda está no campo de Quadribol vendo o jogo. E essas provas podem esperar, mocinha. Enfermaria agora. E espero que seja apenas isso mesmo, Srta Antoine.

Por precaução decidiu segui-la até a enfermaria, esses hormônios precisavam ser controlados.


Spoiler:
OFF: Post feito em conjunto

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:35 pm

Eskarina MacOgma escreveu:



Eskarina ainda não sabia o que faria exatamente, mas antes de decidir as atitudes a serem tomadas, ela precisava conhecer o seu oponente. Sabia que não se tratava de um mequetrefe, mesmo que Arthur tenha se esforçado muito nesses quatro anos para parecer inútil e pouco presente, ela sabia muito bem que era bruxo poderoso, restava agora saber que tipo de bruxo ele era, ou se era apenas isso.

O ritual descrito por Annelise indicava magia negra muito avançada, coisa que nem ela com todos os anos de estudo sobre o assunto, já tinha ouvido falar. Entretanto, seus passos a levavam diretamente a uma pessoa que certamente teria essas repostas.

Chegou até a porta da comunal da Corvinal, a Águia de bronze que controlava a passagem dos alunos, mexeu-se e fez uma pergunta.

“– Quem veio primeiro, a fênix ou a chama?”

– Nenhuma delas, é um ciclo que não tem começo.

“– Bem pensado. – respondeu uma voz e a porta se abriu.

Era a primeira vez que a vice-diretora entrava no salão sem aviso ou convite, mas também era a primeira vez que o assunto superava qualquer forma de protocolo. Alguns poucos alunos que não se interessavam pela partida de Quadribol que não era da sua casa, estavam espalhados pelas poltronas e liam ou conversavam e no momento que viram a bruxa, estacaram em seus lugares.

– Boa tarde. Podem chamar o Senhor Bonjam, por favor? Ou melhor, digam que preciso falar com ele em particular e se ele pode me receber em seu aposento.

Poucos minutos depois, o aluno voltou dizendo que a Vice-diretora poderia subir e que o chefe de sua casa esperava por ela. Esk agradeceu e subiu a escadaria tão ansiosa que ela jurava que os degraus pareciam se multiplicar.

Mestre Bonjam a esperava com a porta aberta e com o sorriso amigável na face já marcada pela idade, mas que ainda mantinha certa beleza, ou era o carisma enorme que ele tinha que o tornava um ser belo, mesmo em sua idade avançada.

O bom velhinho indicou uma poltrona fofa e decorada em tons de azul – a cor da casa – e ele foi sentar-se numa outra par. Encarou a professora e perguntou o que a moça estava fazendo ali. Esk sem fazer cerimônias de praxe foi direto ao assunto, talvez até um pouco direta demais, pela expressão no rosto do idoso.

– O que o senhor sabe sobre o Arthur, o que ele é? Pois que lida com magia das trevas altamente pesada, já descobri pelo relato de uma aluna que recuperou a memória sobre o ataque que sofremos no ano que o Senhor foi envenenado, e creio que foi obra dele também. Então, Mestre Bonjam, preciso saber de toda a verdade, lembro de uma coisa que aconteceu naquela noite, algo que a voz misteriosa queria, o que era? Precisamos de toda a informação para podermos lutar contra esse mal, pois sinto que tempos negros estão chegando.

Esk esperou, agora era a hora do relato do Tibetano.


Spoiler:
Off: Post se passa nos aposentos do diretor da Corvinal, mas para todos terem acesso, postado no Átrio.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:38 pm

Ram Bonjam escreveu:A noite já chegara em Hogwarts, e era hora do velho Ram se retirar para seus aposentos. Fizera uma ceia leve, com um caldo de batatas e frango, e após entoar seus cânticos noturnos, se recolheu ao seu dormitório. Sabia que a maioria dos alunos ainda estavam na empolgação do jogo amistoso ou jantando, mas o velho Ram ainda estava frágil, e para um homem centenário, não podia abusar. Confiava que seus monitores tomariam conta dos alunos mais elétricos, e ele poderia ter seu descanso sossegado.

Acabara de fechar os olhos quando ouviu um leve bater na sua porta. Aquilo não era normal, mas, se algum aluno o estava chamando, devia atender. Colocou um kimono azul marinho sobre o pijama, calçou os chinelos, e caminhou até a porta. Ah, em seus velhos tempos, teria bastado um aceno de varinha...
_Boa noite, Mestre Bonjam, disse um pequeno corvinalense, desculpe interromper seu descanso.

_Tudo bem, meu jovem. Tenho certeza que não o fez com má intensão. Mas o que o traz aqui?

_A professora MacOgma está no Salão, e quer vê-lo.

Ram franziu sua testa já cheia de rugas. O que a vice-diretora estaria fazendo ali? Será que tinha acontecido algum acidente grave?
_Obrigado, criança. Pode pedir que ela suba e aguarde em meu escritório? Já irei vê-la.

O menino aquiesceu e saiu, enquanto Ram trocava o pijama por uma veste única que trouxera do Tibet. Era mais confortável e prática, principalmente a um velho como ele, que não queria deixar uma senhorita esperando por muito tempo.

Quando chegou ao escritório, encontrou Eskarina muito séria e apreensiva.
_Boa noite, Senhorita, sente-se, sente-se. , disse indicando uma das belas e confortáveis poltronas de sua sala, enquanto se encaminhava para a outra adjacente.

– O que o senhor sabe sobre o Arthur, o que ele é? Pois que lida com magia das trevas altamente pesada, já descobri pelo relato de uma aluna que recuperou a memória sobre o ataque que sofremos no ano que o Senhor foi envenenado, e creio que foi obra dele também. Então, Mestre Bonjam, preciso saber de toda a verdade, lembro de uma coisa que aconteceu naquela noite, algo que a voz misteriosa queria, o que era? Precisamos de toda a informação para podermos lutar contra esse mal, pois sinto que tempos negros estão chegando.

O sorriso jovial que trazia ao rosto sumiu. Então o momento que ele esperava tinha chegado. Muito antes do que ele previra. Mas sim, esse era o derradeiro sinal. Esta conversa marcaria o momento em que seriam definidos o inicio dos acontecimentos dos próximos anos, e que poderiam mudar todo o mundo bruxo como o conheciam.

_Ah... como eu temia por esse dia... mas no fundo, já sabia ser inevitável... sim, minha cara, tempos negros estão chegando, e próximos demais, temo em dizer. Mas antes, pequenas medidas de segurança nunca são demais. _apontou sua varinha para a porta e murmurrou: "Abafiato". _Assim está melhor.

Sir Athur Bassington... não há como não dizer que foi um grande bruxo, sim, há muitos e muitos anos atrás... mas em algum momento, até onde sei, pois veja, também não sei muito a respeito de seu passado, apenas o que consegui apurar em relação aos seus atos nos últimos cinquenta anos estão mais claros.

Como dizia, há muitos anos atrás, séculos na verdade, sim, minha cara, séculos! O diretor desta escola entregou sua alma em busca da imortalidade, levado pela ganância, pelo desejo, e eu arriscaria dizer, por amor. Um amor desumano, mas ainda assim, um tipo de amor. Se transformou numa criatura vil, sem alma, capaz de atrocidades sem precedentes.

Viu seu "amor" partir, e por muito tempo, agiu nos bastidores. É possível encontrar traços de sua passagem por toda a história política da Europa, nunca como o astro principal, mas sempre como um grande articulador.

Após a grande guerra bruxa, com a ascensão e queda do Lorde das Trevas, o senhor Bassington já não parecia mais satisfeito com suas condições. Os tempos são outros, em que corpos sendo encontrados sem sangue chamam mais a atenção que políticos sendo julgados por crimes ediondos contra o povo.

É a partir daí que consegui encontrar mais pistas a respeito dele. Nos últimos anos, seu nome ganhou grande força junto a sociedade bruxa, e os conselhos, cada vez mais, indicavam seu nome para ocupar o cargo máximo do Ministério da Magia. Seu pai, inclusive, era um deles. Acredito que tenham se aproximado, devido a influência que James tem por ser Curandeiro Chefe do Saint Mungus.

Mas, quando a grande chance lhe foi dada, há quatro anos atrás, ele surpreendeu a todos, declinando o Ministério e solicitando a cadeira que ocupa agora. Ninguém entendeu o porque de se fazer isso, mas foi o que mais me chamou atenção sobre sua figura. O que interessaria a um homem de negócios, uma cadeira de diretor escolar? Uma figura que nunca pareceu se interessar pelos problemas daqui?

Logo em seguida, fui chamado ao Tibet, como bem sabe, e lá fui incubido de proteger uma poderosa fórmula márgica, que estavam tentando roubar. Trouxe-a para Hogwarts, mas ainda não sabia que meu inimigo era aquele justamente responsável pelo local que eu escolhera para proteger o pergaminho. Por sorte, ele estava bem protegido, e um réplica falsa estava acessível caso alguém tentasse algo contra mim.

Retornei a Hogwarts, e na mesma noite em que cheguei, fui atacado. Agradeço muito a seu pai, pois em qualquer outro caso, não teria sobrevivido. É realmente um milagre que eu esteja aqui hoje.

Onde eu estava mesmo? Ah, sim, perdoe este velho, senhorita, as coisas já não são como antigamente. Você queria saber "o que" ele é, não? Escolha interessante de palavras... sim, muito interessante.

Mas sim, precisamos agir rapidamente. Suspeito, desde que soube do anúncio de seu noivado, que ele trama algo muito pior agora.

Porque Bassington não é um bruxo das trevas comum, que aprendeu a lidar com o tempo, e vencê-lo. Ele é Sugador, um Sanguessuga, ou como dizem, um vampiro... sim, é possível, minha cara, infelizmente, é possível! Ele se aperfeiçoou a tal ponto de conseguir consiliar seus poderes bruxos com a ausência de alma vampírica, e os poderes que isso lhe traz. Mas o que temo mais, é quem está a seu lado...


Eskarina o interrompeu, perguntando sobre Mihaita. Mas Bonjam apenas balançou a cabeça com pesar.

_Infelizmente, se eu estiver certo, ela já não é mais a amiga que teve, suspeito que ele a tenha transformado, ou o fará muito em breve! Bassington pretendia, com aquele ritual, tornar-se imortal sem a dependência sanguinea, sem ter a característica vampírica. Mas o ritual falhou, e temo que a aliada que conseguiu seja o pior de nossos pesadelos!

Esk ouviu o relato cada vez mais amargurada, mas nessa altura já não mais surpresa. Se o sábio ancião não tinha todas as respostas necessárias para formarem uma fronte digna de combate, precisaria então, pedir ajuda ao outro mundo. Aquele que fica dividido da realidade por um véu delicado, porém poderoso e para isso, ela sabia exatamente quem seria essencial: Manuela Gouveia.

- Mestre, isso me aturde demais, porém, aprendi a sempre esperar o pior. Esse rito não deu certo e se agora provavelmente ele tem uma aliada poderosa, pois todos sabemos que a Mihaita podia ser delicada, mas era uma bruxa como nenhuma outra. Creio que muitas vezes uma sombra passava por seus olhos, mas sempre achavamos que era a tristeza pela perda de seu marido. Agora já não sei mais... Temos que nos armar. Estacas não fariam efeito nenhum num vampiro com séculos de idade, como o senhor disse. Tem ideia de quantos? Ou se ele sempre usou o mesmo nome?

_Sim, a tristeza inicial, mas aquela bela moça tem muito mais por trás daqueles olhos... Não saberei precisar, mas encontrei relatos que remontam dois séculos passados... naturalmente, que alterar o nome era fundamental para atravessar esses anos, mas não tenho esses registros...

- Obrigada, senhor, obrigada. Sem seu relato, creio que agiríamos as cegas e muito sangue inocente poderia ser derramado, ou, sugado.. - Esk riu amargamente da sua piada de humor negro. - Precisamos ser sigilosos, até termos todas as armas. ´Vou até alguem que possa me ajudar com mais respostas, Manuela. Ah, mas antes tenho de ter com o jovem Palacci. Parece que hoje tudo resolveu acontecer. Obrigada, Mestre e me perdoe por ter vindo assim, mas, bem, o senhor me entende. Boa noite.- A professora olhou ao redor e suspirou, triste. - Será que teremos uma boa noite novamente?

Com aquela incógnita pessimista, a vice-diretora saiu, com a certeza de que seria preciso mover mundos para salvar o mundo que ela conhecia. A Bonjam, restava meditar, e enviar boas energias às bruxas que defenderiam o castelo.



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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:40 pm

Damian Palacci escreveu:Sábado à noite - depois do Quadribol

Mesmo que a experiência como curandeiro já o deixasse acostumado com o fluxo de internados no St. Mungus, Damian estava quase enlouquecendo com a quantidade de alunos presentes na enfermaria.

À noite não havia quase nenhum movimento no local, mas ainda teria que dar atenção a todos deitados em suas camas. O rapaz andava de um lado para o outro, dando mais Poção Revigorante, ou ajudando as crianças a se sentarem.

“Não vou conseguir fazer tudo isso sozinho. Precisava de Jane aqui” – pensou Palacci, olhando para trás enquanto deitava um dos garotos.

Ele se virou para a ala hospitalar, procurando se alguém precisava dele. Todos pareciam estar dormindo. O enfermeiro fechou os olhos e enterrou a face nas mãos, suspirando fundo. Então foi até a pia e com as mãos em concha, as encheu d’água, jogando-a logo em seguida no rosto.

Isso o acalmou o suficiente para tomar uma decisão. Tinha de contar à senhorita Eskarina que não tinha notícias de Jane Beresford desde o dia anterior. Deu mais uma olhada no recinto e saiu.

Assobiou baixinho, chamando Rhiannon. A gata saiu de um canto escuro e o encarou com aqueles olhos amarelos penetrantes. Damian se agachou e falou:

- Querida, preciso de um favor seu. Tenho que falar com a senhorita MacOgma. Você ficaria de olho na enfermaria até eu voltar?

Rhiannon miou consentindo e se aproximou do dono, que estendeu a mão esquerda e acariciou suas orelhas.

-Boa menina. Obrigado! Qualquer coisa me avise – O jovem se levantou e se virou para as escadas, enquanto a mascote entrava na ala hospitalar.

Enquanto subia, percebeu um movimento à sua direita. Quando se virou para olhar, viu uma mulher andando um tanto apressada. Damian logo a reconheceu pelos cabelos que balançavam às costas dela: Eskarina MacOgma.

- Senhorita Eskarina! – chamou o enfermeiro alteando um pouco a voz. Ela se virou na direção dele. Parecia preocupada com alguma coisa – Preciso falar com a senhorita.

- Claro Damian. Mas preciso fazer algo importante agora. Por que não me espera na sala dos professores?

Palacci assentiu e foi até lá. A sala estava vazia e o silêncio pesava em seus ouvidos. O rapaz olhou em volta e aguardou o retorno da vice-diretora.


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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:43 pm

Eskarina MacOgma escreveu:
As revelações feitas pelo Mestre Bonjam deixaram a Vice-diretora aturdida. Saiu da torre da Corvinal com apenas uma ideia fica em mente. "Descobrir mais sobre o tal monstro que abrigavam entre eles." Ficou repassando todos os acontecimentos nesses quatro anos, todas as tragédias.

Era imperativo agora terem uma guarda pronta para enfrentar o diretor, pois mesmo que ele estivesse sozinho, pelos estudos que Esk tinha feito na época de auror, quanto mais velho um vampiro, mais poderoso ele fica. Muitos mortos-vivos viviam por ai, entre a bruxandade, com sua condição assumida, ou à margem da sociedade, mas eram conhecidos e os bruxos sabiam como lidar com eles. Alguns deles, para manterem o padrão de vida que levavam antes da transformação, evitavam matar humanos, sobrevivendo de sangue de animais ou de doações voluntárias.

Eram poucos, claro, pois sua condição os tornava predadores insaciáveis e mortais, características que eram aplacadas com o passar das décadas e o conhecimento de seus dons, mas nunca sumiam de vez. Se Arthur tinha tentado um rito para se livrar dessa necessidade, e não conseguira, como estaria sobrevivendo?

E o pior nisso tudo, pensou a bruxa preocupada, é que os dons que um sanguessuga desenvolvia era sempre incomum, além da super força, da quase importabilidade, - pois vampiros podem ser mortos sim, mas apenas com fogo e tendo a cabeça decepada - dos poderes psíquicos, velocidade sobre-humana, todos eles vinham com um bônus individual. E somados com os poderes de bruxo que Bassington tinha nascido, tinham entre as paredes do castelo, um verdadeiro mostro mortal.

Envolta em seus pensamentos, Esk quase se esqueceu que o jovem enfermeiro Palacci esperava por ela na sala dos professores. Deu um tapa na testa pelo esquecimento e voltou apressada rumo ao recinto. Se desculparia pela demora, não poderia explicar muito agora, mas em breve ele também seria fundamental nessa guerra.

- Damian, por favor, perdoa-me, mas está sendo um dia muito, mais muito complicado. Como estão os alunos? - Esk sentou-se enquanto o enfermeiro respondia sua pergunta. - Ótimo. O que me enerva nas partidas é essa violência que acaba gerando, mas desculpe-me outra vez, o que precisa falar comigo?

Alguma coisa na expressão de Damian sugeriu a Esk que ela realmente não gostaria da conversa.

Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:43 pm

Damian Palacci escreveu:O jovem enfermeiro não conseguia se manter parado. Andava devagar pela sala dos professores, enquanto pensava nos alunos na ala hospitalar. Sua mão não formigava, o que significava que Rhiannon não presenciara nada de muito grave para chamá-lo.

Damian olhou ao redor. O recinto estava um pouco escuro e com um floreio rápido da varinha o rapaz fez as luzes se acenderem. Ele pousou uma das mãos no encosto de uma das cadeiras e o apertou. Havia tantas coisas que o preocupavam ultimamente. Tentou espantar os pensamentos ruins balançando a cabeça para os lados enquanto um meio sorriso se implantava em sua face.

Precisava se concentrar no que falaria à Eskarina. Passou mentalmente o ocorrido e soltou um longo suspiro. A grande demanda de alunos internados em decorrência do violento jogo de quadribol era o que mais o inquietava. E o fato de ter de cuidar de todos sozinho lhe trazia uma responsabilidade tão grande que não sabia se conseguiria lidar, mesmo com todos os seus anos de prática.

O enfermeiro retirou a mão do encosto da cadeira e deu mais algumas voltas pela sala. Tentou se comunicar com a mascote, mas não sabia exatamente como fazê-lo. Geralmente era a gata quem se comunicava com ele.

Então ouviu passos do lado de fora do corredor, e alguns segundos depois alguém mexendo na maçaneta. Palacci levantou os olhos no mesmo momento em que a vice-diretora entrou. Estava com uma expressão mesclando entre a preocupação e o choque. Seja lá o que tivesse acontecido, não era nada bom.

Ela se desculpou pela demora e perguntou pelos alunos na enfermaria, enquanto se sentava próxima a ele.

- Estão todos bem. Estão dormindo desde que os mediquei.- respondeu o rapaz.

- Ótimo. O que me enerva nas partidas é essa violência que acaba gerando, mas desculpe-me outra vez, o que precisa falar comigo?

- Bom senhorita MacOgma, na verdade eu gostaria de falar sobre Jane Baresford. Ninguém tem notícias dela desde ontem à noite, e já estou ficando preocupado. Não sei, mas acho que ela está desaparecida.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Qui Jan 20, 2011 10:44 pm

Eskarina MacOgma escreveu:"Bom senhorita MacOgma, na verdade eu gostaria de falar sobre Jane Baresford. Ninguém tem notícias dela desde ontem à noite, e já estou ficando preocupado. Não sei, mas acho que ela está desaparecida."

Todos no castelo já estavam acostumados com as maluquices da antiga enfermeira, que depois que teve de dividir seu precioso terreno com bruxos mais jovens - e mais competentes - andava esbravejando e praguejando aos quatro ventos. E esse era o motivo que tornava o comunicado de Damina preocupante.

Pois sempre as palavras ligadas a velha enfermeira era que estava em todo lugar sem ser chamada e era por diversas vezes, inconveniente demais.

Eskarina levou as mãos ao rosto, exasperada, pensou que não poderia haver pior hora para Jane aprontar uma das suas. Só faltava ela ter se enfiado na floresta. Em resposta a esse pensamento, uma luz se fez e mais uma vez lembranças vieram como flechas.

A Srta. Beresford nunca foi um doce de pessoa ou alguém a quem fosse mandados convites de festas de aniversário, mas não era louca. Sua mente funcionava muito bem, cruelmente bem até demais. E a mudança para esse comportamento bizarro e por diversas vezes sem sinais de sanidade alguma começaram há coisa de quatro anos, logo após ela ter sido encontrada nas ruínas, onde houve o tal Ritual descrito por Annelise.

Seria ela uma aliada de Bassington que foi descartada? Ou apenas alguém no local errado na hora errada. Esk levantou os olhos para o rapaz que a encarava, possivelmente preocupado com a mudança da professora.

- Damian, algo me diz que ela não teve sorte dessa vez. - O bruxo parecia não entender bem o que Eskarina dizia, mas também ficou intrigado. - Fique atento, por favor, vou pedir que vasculhem o castelo e os terrenos em busca da enfermeira, e qualquer coisa, me avise, por favor.

O rapaz assentiu, e depois de mais algumas palavras despediu-se e voltou para enfermaria que hoje parecia um acampamento de férias, de tão lotada que estava.

Esk precisava ir falar logo com Manuela, mas precisava primeiro passar em sua sala.


(OFF: Essa sequencia de posts leva até a sala da Esk quando John chega e desenrola o post da Floresta.)

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 5:55 pm

Eskarina MacOgma escreveu:
Com passos apressados e a cabeça latejando, Eskarina não pensava em mais nada. Infelizmente iria acabar com o dia de sua companheira e amiga, mas sabia que a Cigana era uma forte aliada e com as artes divinatórias ao seu lado, poderiam se antecipar ao inimigo.
A portinhola que dava acesso à sala de Manuela estava aberta quando a vice-diretora chegou. Subiu pelos degraus da escada feita de corda e chegou à sala de aula fracamente iluminada. A cigana estava sentada à sua mesa e fez sinal para Esk que a acompanhasse.

Entraram no escritório e sentaram-se uma diante da outra. Com um “Abafiatto”, Esk selou a porta para evitar que o conteúdo da conversa fosse ouvido por quem não deveria.

Manuela disse que já estava esperando aquela visita, que as vozes do vento a avisaram. E que notava em Esk muito mais angustia do que esperava. E no intimo, a escocesa quis que a amiga não tivesse como saber sobre todos os fantasmas que a assombravam, não conseguiria pensar nisso outra vez e acima de tudo, não era importante ao destino da escola.

– Pois é verdade, pois o dia de ontem culminou em tragédias e descobertas que podem ruir as pareces desse castelo. – A cigana pegou seu tarô e coloco sobre a mesa, mas nada disse até que Esk terminasse o relato.

Hora ou outra cortava suas cartas e tirava alguma e colocava numa formação que se assemelhava a uma cruz celta. Enquanto isso, Esk passou desde a revelação de Annelise, a conversa com Bonjam, o sumiço de Jane e o acidente de John Siammen.

Fora doloroso reviver todos aqueles fatos, mas de certa forma era bom ter dividido com alguém sua angustia. Agora precisavam buscar seus aliados e preparar o assalto. Tempos negros estavam chegando.

– Manuela, está tudo embalado nesse jogo idiota, de idiotas... E agora? – Esk resumia a situação, no que não deixava de ser uma triste verdade. Tudo era um jogo de poder.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 5:56 pm

Manuela Gouveia escreveu:SÁBADO – após o jogo de Quadribol

A noite já caíra, e aquele fora um dia cheio de emoções. Manuela se despediu de Charlie após o término do jogo de Quadribol. Mesmo com a vitória de sua casa latejando de alegria em seu peito, a cigana sentia que ainda não era momento de comemorar. Havia sido um dia longo e muito difícil, afinal, ver seus pupilos sofrendo a 15 metros de altura não era fácil, mas uma dor necessária. Metade de seus alunos estava machucada e foram encaminhados à enfermaria aos cuidados do enfermeiro Damian Palacci. Mas pequenos detalhes incomodavam a cigana, como pequenas alfinetadas infantis, às quais não damos importância, mas que depois demonstram ser cruciais.

Com sua varinha, transfigurou seu uniforme de torcedora para uma rouba mais recatada, uma saia longa e uma bata de renda rosa clara. Sequer pudera cumprimentar Eskarina pelo jogo, pois ela desaparecera com a menina Antoine após o desmaio. Descia as escadas das arquibancadas quando alguém a segurou pelo braço. Eram os pais do capitão lufano, preocupados naturalmente com a situação do filho.

_Boa noite, Senhor e Senhora Thomas. Compreendo perfeitamente a aflição de vocês., dizia tentando esconder a sua própria. _Mas garanto que ele está recebendo os melhores cuidados possíveis. Se quiserem, posso os acompanhar à enfermaria.

A sugestão foi recebida calorosamente, principalmente pela mãe. Manuela os acompanhou no caminho ao primeiro andar. Ao chegarem, eles correram em direção ao filho. Manuela não os interrompeu, mantendo-se à porta da enfermaria conversando com Palacci. Certificou-se que todos os texugos estavam sendo cuidados. John, Jake, Gregy eram os que tinham se machucado mais gravemente e eram mantidos nas macas sob observação. Manuela agradeceu ao enfermeiro e foi para a sua sala.

Alguma coisa ainda a afligia. Mal sabia a cigana que a noite estava apenas começando. Precisava desesperadamente de um banho de ervas relaxante. Preparou na banheira água morna e acrescentou Alecrim (para ativar a memória), Sálvia (para tirar o cansaço) e Cravo (para proteção). Permaneceu imersa na leve infusão por algum tempo. Embora aquele banho costumasse surtir efeito, naquela noite só servira para deixá-la ainda mais inquieta. Manuela vestiu-se, com um camisola leve de cetim e deitou-se, custou a dormir, e os sonhos, quando vieram, não foram acalentadores.


Domingo pela manhã

Levantou-se cedo, com o raiar do sol. Abriu as janelas para acolher a brisa suave da manhã, mas foi recebida por um vento quente que atravessou a janela da alta torre, revoando levemente seus longos cabelos negros.

_Visita. Melhor colocar água para um chá., disse para si mesma. Preparou o serviço de chá, separou algumas flores de camomila e colocou-as na infusão. Minutos depois ouviu passos na sala adjacente. Sua “visita” chegara.

Se Manuela não conhecesse as leis que regem os fios que tecem a vida, diria que se tratava de uma coincidência, mas a cigana sabia que não. Eskarina MacOgma entrou, e seu semblante trazia preocupação e urgência. Manuela amarrou o penhoar que vestia, e apontou a mesinha de chá para a amiga. Eskarina fechou a porta e a selou com um feitiço de privacidade. Realmente era um assunto sério.

Enquanto servia ambas, e o aroma da camomila preenchia o ambiente trazendo calma e serenidade, Manuela disse que já esperava pela visita, pois os ventos a haviam alertado. Notava muito mais angustia do que esperava na amiga, e temeu que aquilo se referisse ao mal que vivia em Hogwarts. Eskarina desabafava, vinha sofrendo uma tormenta de revelações nos últimos dias, e aquilo a estava consumindo. Manuela terminou seu chá, e sem interromper a amiga, buscou um de seus baralhos de tarô, particularmente o que utilizava para fazer leituras em relação a Hogwarts, e nos últimos anos, para consultar os passos do diretor...

Abriu espaço na mesa, retirando o jogo de porcelana de chá que as duas já haviam terminado, e colocou sobre a mesa do escritório, caso precisassem de mais. Embaralhou as cartas, sem perder uma palavra dita pela professora de DCAT. Conforme ela relatava alguns fatos, Manuela retirava algumas lâminas, abrindo-as sobre a toalha de renda. Não era um jogo completo, apenas consultas esparsas, mas que vinham culminar no mal maior.

– Manuela, está tudo embalado nesse jogo idiota, de idiotas... E agora?

Manuela suspirou, deixou as cartas de lado sobre a mesa, e segurou as duas mãos de Eskarina sobre as suas.

_Feche seus olhos. Isso. E respire fundo. Controle sua respiração e retome o controle sobre si mesma... muito bem. Agora, minha amiga, preste muita atenção, pois também tenho alguns fatos para lhe compartilhar._ela sentiu o tremor que passou pelo corpo da amiga, mas manteve suas mãos seguras nela até que ele parasse.

_Desde que fui chamada de volta a Hogwarts, sabia que algo estava errado. No princípio, pensei que fossem meus próprios medos em assumir a cadeira definitiva, visto que minha natureza sempre me levou a me mudar constantemente... mas, ao consultar uma de minhas mestras, uma senhora já idosa na época, simples, mas muito sábia, me alertou para o que estava por vir. Sem dizer o que, ou quem, muito menos quando aconteceria, mas suas palavras reforçavam minha intuição de que algo estava errado, e que a origem poderia estar naquele que acabava de se tornar diretor da Escola.

Quatro anos se passaram, e nós duas presenciamos muitas coisas aqui. Mas foi nossa amiga Aida quem me fez ter certeza de o mal vivia aqui dentro, e ele tinha nome e sobrenome... infelizmente, não pude fazer muito por ela, que escolheu se esconder longe daqui. Até hoje não tive notícias suas, mas as cartas me dizem que ela está a salvo.

Sinto-me mal, pois sei que baixei minhas defesas neste último ano, acreditando que a calmaria significasse uma trégua. Já devia ter aprendido que o mal não descansa jamais... e está na hora de colocarmos um ponto final nisso!


Falava com uma convicção e certeza que parecia ter esquecido que tinha. Pegou novamente o baralho do tarô, e concentrando-se, o embaralhou por alguns minutos. Estendeu para a amiga à sua frente, pedindo que o cortasse. Eskarina o fez, colocando o monte sobre a mesa. Manuela os juntou novamente, e começou a distribuir as lâminas. Três cartas preenchiam uma fileira horizontal, e mais duas completavam uma vertical, alinhadas pelo centro.

Manuela ficou ainda mais séria. O que as cartas mostravam não era nada bom, um caminho árduo se abria diante das duas mulheres, e precisariam agir rápido. Diante do olhar de interrogação da vice-diretora, a cigana apontou as principais cartas do jogo, e tentou explicar de maneira didática o que cada uma delas queria dizer:

Carta 1 - A situação presente: O Diabo invertida
Indica a atmosfera física e espiritual que envolve o consulente nesse momento: Fatalidade para o mal, Luxúria, Amores proibidos, Intrigas e Artimanhas, Egoísmo inescrupuloso, Violência e Degeneração.

Carta 2 - A influência imediata: O Louco
Indica a natureza real do problema que motivou a consulta: Loucura, Expiação, Hesitação, Isolamento, Indecisão, Precipitação, Ingenuidade.

Carta 6 - As influências do futuro: A Morte
Antecipa quais são os fatores que vão se manifestar no futuro próximo e que, inevitavelmente, terão influência na situação: Mudança, Transformação radical, renascimento, Libertação dolorosa, Novas perspectivas, Ascetismo, Insegurança financeira.

Carta 8 - Fatores ambientais: O Ermitão
Mostra os diversos aspectos externos e as pessoas que estão diretamente relacionadas com a situação do consulente: Prudência, Cautela, Reflexão, Conhecimento, Discrição, Estudo, Sabedoria, Paciência.

Carta 9 - O caminho do destino: A Imperatriz
A carta que aparece nesta casa é muito importante para a leitura, pois ela indica o caminho a ser seguido para alcançar o sucesso. Às vezes, ela pode indicar mais de uma via: Ação, Planejamento, Empreendimento, Iniciativa, Progresso feminino, Disposição, Encanto pessoal, Fertilidade, Realização, Intuição.

Carta 10 - Resultado final: O Julgamento Invertida
Mostra a culminação de todo o processo, quais serão os resultados e o desfecho da situação: Adiamento dos resultados, Protelação, Assunto a ser reaberto mais tarde, Ofuscamento da inteligência, Alegria inútil, Inimigos ciumentos, Sentimentos de culpa, Dúvidas.

Suspiro. Então olhou fixamente nos olhos verdes da mulher a sua frente:
_A hora de lutar é essa. Não há mais tempo a perder com negociações. Se quisermos nos colocar à frente dele, temos que agir agora! E não posso garantir que teremos um sucesso imediato... essa história está apenas começando...

As duas se entreolhavam, como se finalmente precisassem acreditar em toda aquela loucura. Já conheciam o suficiente sobre seu inimigo para saber do que ele era capaz, e que suas ações, mesmo que camufladas, já tinham ido longe demais. O que esperar de uma criatura, um bruxo-vampiro das trevas, que faz rituais com crianças sem o menor escrúpulo ou preocupação com suas vidas? Precisavam reunir o maior número de aliados possível, a começar pelos professores e funcionários.

A guerra seria declarada!

Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:03 pm

Jacob Bugèrrer escreveu:
Assim que saiu, espavorido e preocupado em ser pego, da enfermaria, Jacob viu, para além da sua real visão, que não havia mais ali, no castelo, o caminho que ele buscava. Saber para onde ir era geralmente um dos talentos dele. Diziam, alguns, que era por confiar tanto na intuição. Ele – na verdade – achava só que era um ótimo senso de orientação. Agora, precisando falar com a professora, ele sabia que não conseguiria, sem saber como. O mais certo seria caminhar calmo e receoso de volta à sala comunal. Lá, deveria dormir e no outro dia, logo cedo, seria o momento de encontrar a Srta. MacOgma.

Entrou e se acomodou em sua cama da mesma maneira que havia saído, silenciosamente. Aparentemente, ninguém notara sua falta. Olhando a volta, o cômodo parecia o mesmo sempre: monótono e extremamente soporífero. Foi deitar na cama que o menino conseguir descer aos recantos mais profundos do inconsciente. Sonhou como costumava fazer, com as mais variadas situações. Os momentos de fantasia completamente surreal (como deveria ser) eram os mais comuns. Contudo, mergulhado naquelas teias de pensamento inconstante ele se pegou novamente atrelado às visões da mulher sendo atingida. Ela não se parecia com alguém que ele já tivesse visto de perto. Talvez numa das reuniões no salão principal, no máximo.

Foi meio àquelas imagens repetidas e irritantes que o menino acordou, quase assustado. Um suspiro rápido e não mais do que isso. Levantou-se e só trocou de roupa. O caminho estava livre e ele teria de ser rápido. Em algum lugar do castelo, sem saber, a professora Eskarina o esperava.

As pedras que preenchiam todo o castelo emanavam ainda uma leve brisa de vida. Talvez com o calor do dia elas fossem se aquecendo e trazendo a tona o espírito que cobria (e protegia) todo o castelo. Mesmo tão bonita – a vida – o menino não tinha segundos que despender ali, observando. Não corresse, ficaria para trás. Não que alguém fugisse de sua presença, mas ele ficaria. E correndo, sem muito se apressar, pelos arcos e pelas escadas ele rumava ao ponto de encontrou. Subiu, desceu, apressou-se, parou, pensou um pouco, correu e chegou.

Quase no fim do corredor que ele acabara de adentrar estava a mulher. Bonita, como sempre, mas num andar estranho e diferente daquilo que geralmente aparentava. Talvez irritação ou desconfiança, ele não sabia. É... era ela. Ele deveria ir até ela. Ele tinha. Era preciso, era mesmo, era muito.

Jacob encarou o espaço que os separava. Nem sabia ao certo em que andar se encontrava ou aonde daria o caminho. Ignorou e andou, sem pressa, agora, até o encontro dela. Foi mais rápido do que imaginara. Ela parecia, de certo modo, absorta em pensamentos que a impediam de notar a presença do garoto. Ele deu um passo maior e assim que estava a ponto de trombar na mulher, estendeu o braço. Um certo receio o impedia de falar. Precisaria fazer os dois ao mesmo tempo. Mediu a tensão do esqueleto e a “atingiu” com o inocente indicador, ao passo que já começava:

- Professora, com licença! – ela se virou assustada, como se esperasse algo pior. O espanto não poderia ser mais terrível – Desculpe. Desculpe, não foi a intenção. Mas... preciso lhe falar, sabe... algo estranho. – sorriu de lado, esperando poder aliviar a situação. Ela inspirou e pareceu compreender. Falou rápido e pouco. O deixou continuar.

- Eu não sei bem porque, mas algo aconteceu. Sabe, algo com alguém; algo ruim – procurou por algo no ar que lhe faltava – Não sei explicar mesmo, mas às vezes coisas me são reveladas. Como visões, sabe? Algo como... clarividência, vovó diria – ela permaneceu em silêncio e o ouviu, mais calma.

- O colégio tinha uma enfermeira, não? – a mulher acenou positivamente com a cabeça, confusa – Então. Ela... ontem eu fui à enfermaria e... Sabe, fui escondido. Eu tinha de ver um amigo e... Bem, eu vi um quadro dela na parede e... É... – expirou profundamente e encarou a mulher nos olhos. Não era difícil para ele. Lidar com aquilo tornara-se normal; o problema era falar... falar...

- E quando a vi, no desenho – agora parecia mais firme, na voz – Bem, eu acho que ela morreu. Eu vi, sabe... Com aquelas maldições que não se permite realizar – os olhos deve flutuavam, novamente – Eu não sei. Era verde. Foi assim. Um raio verde, um sentimento terrível. Um fim. Um fim real, sabe. Um fim. Foi isso. Um raio, o terror e ela caiu no chão. Não fez barulho, foi sutil. E foi isso, só isso.

Ele parou, tomou um largo fôlego e procurou ali, nas paredes, por algo que lhe mostrasse algo mais. Não sabia, não sabia. Era estranho, era ruim aquilo tudo. Ele fechou os olhos despreocupado com quem estivesse ali e só ouviu, se realmente ouviu, à mulher. A professora emanava, ali tão perto, uma sensação de desconforto com o próprio ser. E Jacob, agora um coadjuvante, observava, distante e de olhos fechados, o que havia a sua volta. Tomar posse do próprio destino, do que deveria ser feito ou dito doía, como algo que fere sem tocar. Era ruim, era triste. Ele inspirou outra vez e ouviu às instruções da professora. Deveria voltar para onde saíra e lá ficar, sem na comentar, para ninguém, até que fosse tempo.

- Tudo bem, eu vou. Eu fico – sorriu.

Abriu os olhos, enfim, e observou o andar mais rápido da professora. Ele deveria medir melhor as palavras. Talvez tivesse sido muito rude, ríspido. Não sabia, não sabia mesmo. Sabia era que, no horizonte, Eskarina sumiu. Como um vulto já absorvido e quase completamente tomado pelo pesar do mundo ela se foi. Ele desconhecia as finalidades das coisas. Entretanto, no que havia para além da realidade que ele via, sabia que era ruim. Mal, muito mal. Não por quê, mas sabia. Como sempre, sabia. Não era feliz, era pesado. Como sempre, para ele, para quem sentia. Era pesado, era difícil. Era o nada, mas era.





Está estranho, mas cumpriu sua função [eu espero] u.u'

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:04 pm

Eskarina MacOgma escreveu:

Ao chegar ao Hall de entrada, com um aceno de boa sorte, as mulheres se se separam.

Esk apressava seus passos, e de certa forma estavam no mesmo ritmo acelerado de seu coração. A tensão e ansiedade faziam seu sangue ferver. Ela temia. Não por ela, mas pelos alunos do castelo. Por mais que o numero de bruxos competentes ali dentro fosse maior do que os vilões, ela já tinha visto do diretor usando uma de suas artimanhas e ele havia conseguido deixar todos de mãos atadas praticamente.

Agora, contudo, tinham o fator surpresa a seu lado e não contra eles e confiava nisso para evitar um embate sangrento.

Estava quase chegando à escada, quando um Jacob Bugèrrer apressado e de aparência nervosa bloqueou seu caminho. Ela deveria estar tão perdida em devaneios que não viu o garoto se aproximar, causando assim um sobressalto.

- Professora, com licença! Desculpe. Desculpe, não foi a intenção. Mas... preciso lhe falar, sabe... algo estranho... – Esk suspirou exasperada.

– Mais uma coisa? – Ela disse isso ao vento, não era direcionado ao menino e ele provavelmente não entenderia. – Diga, mas seja breve.

O garoto começou seu relato, parecia um pouco inseguro ao começar, mas as palavras que ia dizendo começavam a encaixar-se com os acontecimentos recentes. “Algo ruim”, ele disse e no pensamento Esk replicava o comentário. “Mais coisas ruins, quer dizer...”.

Ele falava sobre Jane Beresford, que ontem o jovem Damian tinha avisado o desaparecimento, e os temores da bruxa pareciam fazer todo sentido.
O relato foi rápido e a professora não teve dúvidas da veracidade, certa vez já tinha sido alertada de algo pelo menino e a coisa viera a quase acontecer. Outra vez, ele tivera uma visão na sala de aula. Outra coisa que ela colocaria em prioridade para mais tarde. Precisava ajudar o menino a canalizar esse dom, a aprender a usá-lo. Na verdade, ela não seria a pessoa certa, mas para começar servia.

– Obrigada, Senhor Bugèrrer, peço que volte aos seus afazeres e não comente isso com mais ninguém, sim? Vou em busca de respostas agora.

O menino concordou e se despediu. Esk pensou por um momento e decidiu ir para sala dos professores ao invés de procurar Miller.

Nem bem trancou a porta já chamou outra vez por seu elfo, que apareceu prontamente, ainda tinha uns três rolinhos nas mãos e já começava a se justificar.

– Não, não, calma. Preciso de outro favor, avise todos os elfos do castelo que devem procurar pela enfermeira Jane Beresford, em todos os cantos do prédio, porém, em sigilo. O elfo do Sir Arthur não deve saber em hipótese nenhuma o que estão fazendo. Estarei esperando aqui, tenho sérias suspeitas que ela deva estar morta.

O Elfo mais uma vez assentiu e se foi. Esk ficou sozinha, em silencio, ansiosa por ações. Focalizou seu pensamento e encontrou sua ave, Draven, na cabana do McQueen. Sua aflição era tanta que o seu chamado foi quase como um grito dentro da cabecinha do corvo.

Assim que ele se recompôs a base de uns palavrões que Esk não tinha noção que sua mascote sabia, ela foi passando todas as informações necessárias a ele e os destinos. Um deles era McQueen, o que poupava um pouco o trabalho. Tão logo terminado as ordens, ele prontamente se pôs a curso enquanto sua dona andava de um lado para outro impaciente.

Passaram trinta minutos após Esk ter falado com seu elfo e ela desistirá de esperar por uma resposta ali, iria agora para as estufas e lá esperaria por todos que havia chamado e se Daglop tivesse a informação, ele a encontraria onde quer que estivesse. Entretanto, quando se dirigia a porta, um “Crack” fez com que ela parasse.

– Daglop encontrou a bruxa, senhora... E ela... está mesmo morta. Daglop a encontrou num armário na passagem secreta da sala do diretor... Senhora... O que quer que Daglop faça?

Esk encostou-se na poltrona enquanto assimilava o que já esperava ouvir, mas num relance inocente de esperança, tinha fé que poderia ser um equivoco. Nem mesmo a enfermeira intrometida e encrenqueira, merecia aquele fim. Ser morta e largada num armário qualquer.

– Apenas volte às entregas, não podemos tirá-la de lá agora sem levantar suspeitas. Assim que resolvermos, eu mesma tomarei uma providencia. Obrigada, Daglop.

Novamente sozinha, pediu forças aos céus e a Morrighan, a Deusa-bruxa guerreira, pois sentia que tempos difíceis estavam a caminho.


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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:04 pm

Eskarina MacOgma escreveu:
O destino parecia querer compensar todas aquelas revelações cruéis com a aparição de aliados poderosos que Esk desejava para enfrentarem aquele que agora se tornara a maior ameaça que enfrentariam. Nem todo treinamento ou missões que tivera em vida, os preparariam para o que viria.

Saindo do castelo em direção às estufas, uma visita inusitada trouxe um pouco de esperança para a bruxa. Quem chegava era Tatsuya Fujiwara.

- Merlin ouviu minhas preces! O que o traz aqui, Sr. Fujiwara? – Esk estava muito nervosa para perceber o brilho no olhar do oriental, era ódio. Se ela imaginasse os planos reais daquele homem, talvez não ficasse tão agraciada em encontrá-lo. Porém, ele sempre se mostrou um bom professor e a experiência dele como duelista, o precedera várias vezes. Era um aliado que ela buscava naquele momento, só restava saber em qual lado ele ficaria.

O ex-professor explicou o motivo da sua visita, sem dar muitos detalhes, apenas que ainda tinha um assunto a tratar com o diretor sobre voltar a lecionar no castelo. Esk por sua vez, pediu que o bruxo a acompanha-se, pois precisaria da ajuda dele em breve.

– É muito sério, precisaremos de sua ajuda contra um grande mal, porém, não posso dar detalhes aqui.

Fujiwara não questionou, talvez sentisse que algo grande estava acontecendo ou ficara curioso para saber o que a mulher queria. Apenas assentiu e a seguiu.

Não demorou muito até que chegassem à estufa, Manuela abriu a porta e ficou surpresa de ver que Esk estava acompanhada pelo antigo professor de poções, mas não disse nada.

Dentro da sala de reuniões improvisada, estavam alguns dos convocados, inclusive Miller que assim que a viu, foi ao seu encontro. Esperariam mais alguns minutos até que todos estivessem presentes para que tudo fosse posto as claras.

Aos poucos os professores e funcionários apareciam e eram recebidos por Chuck. Uma outra presença se fez surpresa e o coração de Esk disparou, se era por apenas revê-lo ou agradecimento, ela não saberia diferenciar agora, porém, com toda certeza, tê-lo presente agora era mais um sinal de boa sorte.

Ernest Butler entrou logo após Draven e cumprimentou a todos, o seu olhar cruzou o de Eskarina e ambos sorriram tímidos. O Bruxo foi se juntar a Manuela que também sorria diante da nova aparição.

– “Sei que ele não estava no pacote, mas acho que ajudaria, não é?

– “Por isso que te amo, penoso... Sempre uma asa a frente”.

– “Diz isso ao Felpudinho ai... E alias, a cara de gato que comeu aranha e não gostou, que ele fez agora, me alegrou o dia. Auch! Parei!

Esk cutucou a ave que estava empoleirada em seu ombro para que ficasse quieta. Todos a quem ela mandara a mensagem estavam presentes, era hora de expor os fatos.

Chuck certificou-se que as defesas estavam todas em ordem e deu o sinal para a bruxa que poderia começar, se assim quisesse.

– Não vou me prender a introduções ou formalidades, chamei-os aqui por que estamos com um grande problema, na verdade, é algo que vai além do que já enfrentamos um dia, mesmo com todo meu conhecimento, nunca me vi diante de uma criatura como a que temos em baila então, não conheço a extensão de seus poderes, contudo, a maioria aqui já presenciou suas artes.,

Houve um buchicho no recinto, os bruxos se mexiam nos seus lugares inquietos. Esk pediu silencio e continuou.

- Nosso diretor é na verdade um impostor, ele se mostrou um bruxo de honra e que iria zelar pela vida de futuro das crianças que recebemos no castelo, quando na verdade é um vilão, frio e covarde, mas muito perverso e poderoso. Ele na verdade, além de bruxo é um vampiro de mais de 400 anos!

Todos ficaram calados, absortos naquela revelação. Para alguns ali, não era tamanha surpresa, mas estes se mantiveram em silencio, apenas esperando por mais informações.

– E devo presumir que todos aqui conheçam Elizabeth Bathory, um dos seres míticos mais cruéis e perigosos da história que ultrapassou nos limites que dividem o mundo trouxa e bruxo. Pois ela, está devolta.

- Impossível! Bathory foi decapitada e queimada em praça publica séculos atrás! - Interferiu Marcus Alott, descrente.

– Exato, mas ela voltou. Que feitiço ela usou para garantir seu retorno, não posso dizer, mas Mihaita Vrajitoare é a reencarnação da demônia e já está com a memória totalmente recuperada. Esperem, não acabei... – Esk interrompeu a turba que se formava. – E os elfos encontram a enfermeira Beresford, morta, num armário que fica num aposento secreto que dá passagem para a sala do diretor e tenho informações que me fazem crer ser ele o responsável.

Muitos estavam estáticos, outros curiosos e perguntavam ao mesmo tempo, mais uma vez a vice-diretora precisou pedir silencio.

– Vou relembrá-los de alguns fatos, que viemos descobrir que são atos feitos por Arthur, começando com o envenenamento do Senhor Bonjam há quatro anos...

Durante os minutos seguintes, Eskarina falou sobre as revelações de Annelise, sobre o que o Bruxo ancião havia contado; sobre o aviso dos Centauros e Sereianos, tendo nesse momento, apoio de Fujiwara que tinha tratado diretamente com as criaturas do lago.

Falou sobre o lobisomem que acabou sendo escravizado e morto tempos depois, sobre o Zelador maluco e psicótico, Klaus Diomond que fora infiltrado dentro do castelo.

Ram Bonjam e Manuela também falaram sobre suas descobertas e receios. Todos agora estavam cientes do mal que tomava o castelo.

– Agora que sabem de tudo, precisamos tomar a frente e prender esses dois, não temos muito tempo e precisamos nos valer do ataque surpresa... Mas quero ouvir de vocês, alguém tem alguma pergunta?

CONTINUA...
(Off: Esse é um post inteiramente interativo. Os convidados a postar, devem de alguma forma mostrar sua visão da situação, seja com perguntas, com ideias, com negativas, o que for necessário para enriquecer as ações.

APENAS PARA REFORÇAR E EVITAR CONFUSÃO, AOS QUE RECEBERAM OS PERGAMINHOS, ELES FORAM ENTREGUES PELO ELFO DA ESKARINA, DAGLOP. ISSO ESTÁ NO POST DA SALA DE ADIVINHAÇÃO, MAS POR VIA DAS DÚVIDAS... )




Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:06 pm

Steven Moritz escreveu:O jardim ainda continuava com a mesma harmonia desde que o velho Steven Moritz entrara para o cargo de professor naquela escola. Na verdade os jardins estavam iguais desde sempre, desde seus tempos de Grifinória; mas isso ele não se recordava.

Resolveu que uma passada rápida na sala prática de Estudo dos Trouxas era uma boa ideia. Rever os objetos que ele havia colocado lá, se certificar que tudo ainda estava inteiro e se alguém havia passado ali seria ótimo. Em passos lentos, com o apoio de sua bengala, o velho caminhava pelos corredores. As crianças o encaravam com olhos tortos, mas Steven não sabia interpretá-los.

O caminho fora longo, mas ele não demorara a chegar até sua sala. Sua conversa com seu sapo – que estava debaixo do seu chapéu, entre seus poucos fios de cabelos – o alegrava. Girou a maçaneta dando visão ampla por todo o ambiente. Seus objetos trouxas, seu orgulho. Suspirou enquanto a palma da mão acariciava a bengala, imaginando ali embaixo algum daqueles preciosos itens.

Algo gelado mexia entre seus cabelos. Steven retirou com cuidado seu chapéu azul e encarou. Disse algo tão baixo que se tornou um sussurro. Olhou para a sala, para o quadro mágico que tinha um casal em movimento e os cumprimentou com um sorriso. Puxou o chapéu até o peito, e em um gesto rápido o jogou pela sala. O chapéu voava acima dos objetos, e quando parou, o sapo saltou de dentro do vôo e pousou sobre uma cabine telefônica. Ele observava todo o local.

- Tudo em ordem Sherlock? – Perguntou ao sapo, enquanto retirava sua luva de couro de dragão.

Diferente de alguns animais mágicos daquele castelo, o sapo não tinha qualquer ligação mágica com o professor, mas mesmo assim, o homem achava que ele lhe respondia. O papo do sapo começava a crescer. Logo ele se diminuiu completamente e um barulho estranho ecoou pela sala. Steven sorriu e começou a andar em passos longos pela sala.

Moritz observava todo o local. Notou que alguns objetos estavam fora do lugar, e tentou imaginar, entre seus alunos, quem podia ter passado ali. Mas sua memória não ajudava muito; não conseguiu sequer lembrar o nome de nenhum aluno. Chacoalhou a cabeça e continuou sua caminhada. Ele passava o dedo pelos móveis para notar se tudo ainda estava limpo. Aquela coisa cinza em seu dedo branco dizia que não.

De repente, um salto de Sherlock o fez olhar para trás. Era um elfo que estava ali, um elfo feio, horrível! Se Moritz não soubesse de quem ele era o arremessaria um rádio naquele mesmo momento. Um pergaminho voou em sua mão, arremessado pela criatura. E em poucos segundos ela já saíra do local. Com cuidado desembrulhou o pergaminho – sabia que um corte daquilo o faria desmaiar, ele achava que era hemofóbico, apenas achava.

- Vida ou Morte? – Seus olhos pareciam saltar de suas órbitas, mas logo um sorriso o amenizou, voltando a sua aparência normal, um tanto quando debochada. - Mas essa juventude de hoje em dia usa expressões violentas para... nada! – O homem caminhou até seu chapéu, pousado sobre uma televisão e o puxou. Colocou o pergaminho dentro dele e o colocou na cabeça.

Foi até seu sapo, o acariciou e se alegrou com o que viu. Um objeto feliz! Ele sabia que as estufas era um lugar longe, longe para ele, um velho com tantas dores que não sabia qual que doía mais. Então ele puxou aquele rádio e sem tirar os olhos deste sacou a varinha. Apontou para a mesinha de canto próxima a porta e em um movimento lento conjurou uma corrente. Quando se aproximou para apanhá-la viu que não era exatamente o que ele queria, mas tinha aparência de ouro, então combinaria com seu terno.


Deixou Sherlock cuidando dos demais objetos, talvez ele o ajudaria na limpeza, e saiu dali. Com a bengala presa na altura da cintura, o velho tentava amarrar a corrente de um falso ouro no rádio. Quando conseguiu o colocou no pescoço, um colar com um pingente um tanto quanto grande.

Seus passos tortos o levavam pelos corredores. Sua atenção – a pouca que lhe restava – estava dedicada ao rádio em seu peito. Tentava sintonizar alguma estação que lhe agradasse. Os rádios em Hogwarts nunca funcionariam se o velho não tivesse criado feitiços daquele porte. Anos de estudo!

Um som melódico ecoava pelos corredores. Era um som gostoso, uma orquestra, talvez. Steven fechava os olhos – após observar muito bem o corredor para não cair neste – e sentia a música o guiar. Às vezes arriscava alguns passos de dança, dando má impressão aos olhares dos alunos. Quando passava em um corredor vazio seus passos pararam brutamente. Sua bengala caiu ao chão. Ele engoliu em seco. Seu rádio estava mudando de freqüência sem ao menos ele querer.

De repente, a música instrumental se tornou um rock trouxa. Um rock pesado. Uma música onde o vocalista expressava suas emoções aos berros.

"Cause I'm back! Yes, I'm back!"

Parecia que a cada berro seu coração pulsava mais forte. Talvez fosse a altura daquela música ou os berros completamente emocionantes do vocalista. Steven ainda olhava para o nada, espantado, esperando que alguma alma o salvasse daquele lugar, mas especificamente daquele rádio.

Um barulho – diferente daqueles gritos ou daqueles toques de bateria alucinados – atraiu o olhar sem vida do professor. Moritz sorriu para o jovem que lhe olhava, encostado na porta que se abrira, mas que agora já estava fechada. Ele tinha dito algo, mas o velho não compreendeu.

- Por favor... – Só naquele momento Steven percebeu que estava completamente corcunda, suas costas doíam. - Tira esse demônio gritante de mim. – Sua voz estava fraca, talvez até inaudível pelo som alto que ecoava ali.

Seus olhos piscavam mais do que o normal. Em um de seus olhares piedosos para o jovem, viu um sorriso. Naquele momento o velho quis pegar o rádio e o jogar na nuca do outro professor, mas aquela música alta começava a lhe dar dor de cabeça... Viu a imagem do colega docente se aproximar e sorriu de canto, não era um sorriso debochado como o dele, mas sorriu.

- O senhor tem um bom gosto, AC/DC... – Em um gesto dele, o cordão que segurava o rádio em seu pescoço arrebentou. O rádio estava nas mãos do garoto, que o encarava com certa curiosidade. - Um rádio? Pega aqui?

Steven aproximou seu corpo do objeto nas mãos de... qual era o nome dele mesmo? Sorriu quando seus olhos se cruzaram. Pegou o rádio agora com a freqüência alterada e o encarou.

- Sim, parece que funcionam. Não deveriam, eu acho. Mas meus dotes culinários me ajudaram a trazer coisas trouxas para a escola. Até telefone tem aqui! – Moritz batia com o rádio na mão livre o fazendo parar de funcionar. - Tenho uma sala cheia de objetos trouxas, qualquer dia passa lá e podemos tomar um chá. – Não era muito bem o convite que ele queria fazer. - Aqui em Hogwarts tem de tudo amigo. Energia elétrica é fácil de resolver, ou seja, não é um problema! Siga-me os bons. – Dizendo aquilo ele girou o pé, fez algo estranho com este e levantou a bengala.

Os dois caminhavam em passos lentos até a sala prática de Estudo dos Trouxas. Steven não sabia que Marcus Alott também tinha tendências trouxas, e ele lhe mostraria todo o conteúdo que existia naquela escola. Fosse pela juventude ou pela falta de fé naquele velho que Alott duvidara da Energia Elétrica. Como alguém achava que era impossível ter tal ‘magia’ na escola? Sorriu torto o guiando até a sala prática.

O silêncio era inevitável. Não sabia algo para compartilhar, dizer coisas que Alott já sabia não teria a mínima graça. Foi então que aqueles barulhos das duas bengalas batendo no chão que levou Moritz para outra dimensão... Devaneios...

Quando seus olhos despertaram, lhe mostrando realmente onde estava, ele riu, sem motivos. Olhou para os lados e viu um homem andando atrás de si. Engoliu em seco. Apertou o passo e começou a andar um pouco mais rápido, logo já estava mais a frente do homem. O jovem que lhe seguia tentava lhe acompanhar na caminhada, mas Steven fora mais rápido, parara de andar e se virou contra ele.

- Dá pra parar de me seguir? Eu tenho medo de estranhos, tá? – Disse encarando-o, na verdade ele parecia fuzilá-lo com os olhos.

As sobrancelhas do jovem se arquearam. Mudaram completamente a expressão facial. Steven o encarava de um jeito estranho, querendo que este se virasse e fosse embora o mais rápido possível. Parecia que o colega havia entendido. Ele se virou e começou outro percurso.

- Er... Certo. Depois resolvemos isso. Agora tenho coisas mais importantes para fazer. Os docentes foram convocados na estufa...

Mas é claro! Agora Steven lembrava-se porque estava fora de seus aposentos. Sorriu e viu os movimentos que a bengala do garoto fazia. Apressou o passo e o acompanhou.

- Ah sim, você é aquele de História da Magia! Vou te acompanhar, posso? Até me esqueci onde é o encontro. Sei que alguém morreu, né? – Sorriu ajeitando o chapéu que estava balançando em sua cabeça.

- Creio que é na estufa... E, bem, não sei, estou por fora dos acontecimentos alheios. Mas... se morreu, menos um.

O sorriso malicioso do jovem lhe causou calafrios. O ignorou e continuo andando. Frequentemente suas falas se misturavam com seus pensamentos, e ele não sabia mais onde estava ou onde ia... ou quem o seguia. O caminho até as estufas fora completamente silencioso parecia que o senhor ao seu lado não queria muito papo. O silêncio lhe cansava, e durante algum tempo ele tentou achar uma freqüência para o rádio. Uma música animadinha e pop trouxa tocava na rádio.

As estufas estavam mais próximas, e Steven, novamente, havia se perdido em devaneios. Quase que entrara em uma nova crise, mandando Alott para longe. Mas, a presença dos outros professores o acalmou, lhe trazendo a mente aquele encontro. Sorriu torto e colocou o rádio, agora desligado, em cima de uma mesinha disponível. Cumprimentou quem ele conhecia, poucos, e avaliou os demais com os olhos.

Então a tal reunião tivera inicio. A cada palavra de MacOgma algo crescia no professor. Era estranho participar de uma reunião ‘secreta’. Mas estranho ainda era o rumo que aquela reunião tomava. Alguns sussurros, cochichos... Silêncio novamente. Eskarina lhe explicava tudo, dizia até mesmo sobre a tal Bathory. O jovem Alott interferiu, a voz ativa dele fez Steven tremer. A imagem daquele último sorriso lhe veio à mente.

Virou os olhos para Eskarina enquanto o assunto continuava. Logo, chegou a hora das dúvidas.

- Podemos usar rádios como armas? – Forçou um sorriso quando dezenas de pares de olhos viraram sobre si. Engoliu em seco. - Era só para descontrair o ambiente...

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:06 pm

Tatsuya Fujiwara escreveu:Tatsuya Fujiwara seguia Eskarina MacOgma em silêncio. Os dois iam para a Estufa nº 2, onde haveria uma reunião de emergência, ou algo do gênero. Ele não se importava muito. Simplesmente andava em silêncio, mantendo-se ao lado da bruxa (pela sua origem, seria inviável andar atrás de uma mulher, humilhante demais).

Quando chegaram, foram recebidos por Chuck Windsurf, professor de Herbologia, e Manuela Gouveia, de Adivinhação. O japonês ignorou os olhares surpresos pela sua presença e se sentou.

E os demais chegavam. Um a um, entrando naquele lugar sujo, fedendo a adubo natural, e ocupando algumas cadeiras. Tatsuya observava sério, vendo quem entrava, quem não estava, quem ele não conhecia. Certamente muitos professores haviam sido “substituídos” desde que saíra. Uma mulher, de cabelos castanhos, ligeiramente ondulados e extremamente desgrenhados havia entrado (— Ninguém me seguiu até aqui... Shhhh — ela levava o indicador à boca), o rosto cansado, parecendo fazer um enorme esforço até mesmo para manter os braços grudados ao corpo. Essa mulher chamava a atenção do homem, intrigado com a falta de cuidado que ela deixava evidente. A concentração era tanta que ele quase pulou de susto.

Oi!Beatrice Cauldwell quase gritou no ouvido do oriental, cumprimentando-o quando se sentava ao lado dele. — Quem é você?

A velha o encarava sorridente.

Fujiwara. — respondeu o outro, seco e mal-humorado pelo susto que acabara de levar.

Nome esquisito... Por que você tem olhos tão pequenos? Não é muito prático, né... Deve ser difícil de enxergar...

Tatsuya respirava fundo, controlando seus ânimos.

E você não fala muito, não é? Aaaaah... — Beatrice olhava para baixo, o dedo indicador na bochecha, pensativa. — Você... — ela apontava para o japonês — Não... — ela fazia que não com o dedo — Fala... — ela apontava para a boca — hm... como será o gesto para... Ah! Inglês? — ela girava o dedo.

Sim, eu falo inglês, entendo perfeitamente o que qualquer um fale aqui, e se a senhora puder me fazer a gentileza de fechar essa boca, eu agradeço.

Hm... Você só está com sono, né? Eu entendo, querido... Minha gatinha, Nightshade, também fica de mau humor quando dorme pouco... — e então Beatrice levantou-se, deixando um homem muito, muito, mas muito irritado para trás.

Beatrice agora cantarolava uma música qualquer, nova, talvez, enquanto procurava seu jogo de chá dentro da bolsa.


Achou o bule, mas não as xícaras, então teve que conjurá-las. Andou pela estufa, pegando algumas folhas e flores que encontrava, sem nem ao menos pedir permissão ao responsável, e as colocou na simpática (o bule, é CLARO) de porcelana, acrescentou umas pitadinhas de ervas próprias que carregava na bolsa, apontou para dentro dela com a varinha, disparando um jato de água que a assustou e respingou em umas plantas que tremeram com as gotas. Retornou a tampa ao lugar, deu uma batidinha de leve com a varinha, fervendo a água instantaneamente, e então regendo uma orquestra, sacudindo a varinha para que o chá fosse servido nas xícaras, que logo que cheias iam voando para as mãos dos presentes. Claro, a maestra estava mais preocupada em colocar o chá nas xícaras, e nem se dava conta que chá quente chovia pelo caminho que as pequenas peças de porcelana faziam. Brianna Winkys levou boas gotas de chá quente no braço.

SOCORRO!!! ESTÃO NOS ATACANDO!!! ESTÃO JOGANDO ÁCIDO!!! — berrava ela, coitada, lelé da cuca. Mas os colegas já estavam se acostumando com o comportamento da bruxa, e não deram muita atenção a ela (à exceção de Bea, claro, que foi correndo socorrê-la contra os atacantes invisíveis, rápida e eficientemente derrotados)

A professora de Transfiguração se acalmou bem em tempo. Quando ela conseguia se soltar dos braços de sua salvadora e diminuía seus tremores, a Vice-Diretora recebia o sinal do verdureiro para que a reunião fosse iniciada.

E isso aqui é bomba! O diretor, um vampiro, sua noiva, antecessora de Beatrice, era uma bruxa! Não que isso fosse alguma novidade, claro, mas era uma bruxa morta que tinha reencarnado! A professora de Feitiços ouvia, embasbacada, as palavras dos demais, a de Transfiguração se encolhia na cadeira, morrendo de medo e segurando as lágrimas. Tatsuya se esforçava para não deixar transparecer que sabia do segredinho do “todo-poderoso” já havia um bom tempo, e mantinha uma cara de indiferença.

Mas isso aqui é bomba! Ram Bonjam havia sido envenenado por Arthur Bassington?! “Pelo próprio genro!!! Merlin de capa de bolinhas! Que casos de família são esses?!”, pensava Beatrice.

Agora que sabem de tudo, precisamos tomar a frente e prender esses dois, não temos muito tempo e precisamos nos valer do ataque surpresa... Mas quero ouvir de vocês, alguém tem alguma pergunta? — disse Eskarina.

Eu tenho. Como vocês pretendem atacar? Uma guerra em uma escola cheia de criancinhas inocentes não parece uma boa ideia... Ou já estão de férias?

Hm... O mau humor já deve ter passado... Deve ter sido meu chá”, pensava Bea, ao lado de Brianna, que sussurrava para si mesma.

Não quero lutar, não quero lutar, não quero, não quero, não quero...

Ela se recordava, agora mais do que antes, dos pesadelos que tivera, com gritos, muitos gritos...

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:06 pm

Damian Palacci escreveu:O jovem enfermeiro estava em seu escritório, encostado à mesa com as pernas e os braços cruzados. Olhava para um dos cantos da sala, absorto em pensamentos.

”Por que eu ainda fico me preocupando com isso? Eu deveria estar me preocupando em cuidar dos alunos, e não...”

Uma batida na porta o retirou dos devaneios. Damian virou a cabeça e disse:

- Entre!

Era uma menina. Loira. Summer Petersen, se não se enganava. Ela parecia tímida quando entrou no recinto...e pálida.

- Hum... Senhor Palacci... Eu comecei a passar mal quando estava... – Summer cambaleou e quase caiu. Damian correu até a corvinalense e a segurou.

- Summer, o que você está sentindo? Você consegue me ouvir? – perguntou o enfermeiro preocupado enquanto a encaminhava para a cadeira.

Enquanto a menina respondia com a voz fraca, o rapaz se agachou à sua frente e a examinava: levantou a cabeça dela e abriu os olhos.

- Você se alimentou? – ele levantou as sobrancelhas ao realizar a pergunta. Ao ouvir a resposta dela, Damian balançou a cabeça para os lados e franziu o cenho. - Por isso está passando mal. – o enfermeiro se levantou e conjurou uma maca - Vamos até a enfermaria. Você precisa se deitar

Ele a ajudou a deitar na maca. Os dois foram para a enfermaria e enquanto Damian a deitou em um dos leitos, o rapaz viu que havia um elfo doméstico ali. Ele pediu para que trouxesse um pouco de comida para a menina. Summer ainda parecia tonta e fraca.

O enfermeiro perguntou se ela sentia enjoo, ao passo que ela respondeu que não. Ele deu uma volta na cama, de modo a ajeitar os travesseiros e um barulho foi ouvido: era o elfo voltando com a comida. Damian agradeceu com um sorriso e colocou a bandeja na mesinha de cabeceira.

- A comida chegou! Consegue se levantar para comer?

Summer levantou devagar e Damian a ajudou. Afofou os travesseiros atrás dela e trouxe a mesinha para perto, colocando a bandeja em cima. A corvinalense comia devagar. Parecia com medo de passar mal de novo, ou piorar o modo que se sentia.

Aos poucos a cor de seu rosto foi voltando. Com certeza o mal estar provinha da fome. Assim que terminou, a garota sorriu e disse:

- Ah, obrigada senhor Palacci! Agora me sinto muito melhor! – ela começou a se levantar devagar. O jovem afastou a mesinha e segurou o braço da menina de leve para dar apoio.

- Que bom que está bem – disse com um sorriso sincero enquanto os dois seguiam para a porta - Mas você precisa se alimentar bem. Não pode ficar tanto tempo sem comer.

- Sim, vou me lembrar disso! Obrigada! Até mais! – se despediu ela com um sorrisinho.

- Até!

O rapaz a observou enquanto se afastava. Pelo que parecia estava tudo bem agora. Damian voltou a seu escritório e percebeu um movimento em sua estante. Ao se aproximar, pegou a foto que Nina tirara no baile de boas-vindas da faculdade.

Spoiler:

Imaginem que ela está sorrindo Wink

Ela iria com um dos amigos de Damian, Ernesto, pelo qual a moça, na época, era apaixonada. Percebendo que ele não estava presente, o rapaz se adiantou e a conduziu até a pista de dança. Foi a partir daquele dia que os dois começaram a se aproximar.

Spoiler:

O enfermeiro lembrava-se de cada detalhe, como se tivesse acontecido segundos atrás: o belo vestido azul, os cabelos de Nina encaracolados e presos com um bonito arranjo que combinava com a roupa. A euforia que sentira quando a tomou em seus braços, e como ele a desejava quando se separaram.

Damian sorriu para a foto e a colocou em seu lugar. Então ouviu um som alto vindo do meio do escritório. Ele se virou para olhar, e se deparou com um elfo doméstico. A criaturinha lhe entregou um pergaminho e desaparatou logo em seguida.

O italiano abriu o rolo em suas mãos e descobriu ser uma convocação de extrema urgência. Conferiu o horário. Ainda dava tempo de chegar à estufa. Saiu da sala e se encaminhou para lá.

Quando chegou, foi recebido por Charlie Windsawn. Vários professores e funcionários já se faziam presentes. Ele olhou preocupado para Eskarina MacOgma e logo tomou seu lugar. A mulher começou a falar sobre os recentes acontecimentos à respeito do diretor.

Damian ficou espantado com o que ouvia. Como tudo aquilo poderia acontecer? Uma sensação de pesar tomou conta dele quando Eskarina dissera que Jane Baresford fora encontrada morta em um armário. O enfermeiro olhou para os lados e para baixo, balançando a cabeça.

Quando a vice-diretora perguntou se tinham perguntas, o rapaz falou:

- Deve ter algo que o enfraqueça, não? Se soubermos o que o enfraquece, poderemos ter alguma chance.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:07 pm

Marcus Alott escreveu:

˟ Next war... ˟

˟ ...Fun, finally. ˟
"Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia", já dizia William Shakespeare, através de Hamlet. Frase mais acertada não poderia nascer em nenhum outro lugar, senão nos seios fartos da Inglaterra. A subjetividade do homem era imensurável, dada sua capacidade ilimitada de relacionar-se entre si e com o universo mediante os mais complexos e intricados sentimentos.

Por que o ódio? Por que o amor? Por que a traição, a subjugação, a vontade inquestionável de colocar o seu objetivo em primeiro lugar? Justificaria para o fim qualquer ferramenta utilizada no meio? O que levava o ser humano a posicionar-se de forma vil diante do outro? História de vida? Ordem suprema? Destino? Ou uma mera escolha egoísta? Que maquinário fantástico era aquele que tecia sobre a humanidade redes tão finas e intercruzadas, das quais era impossível salvar-se?

Marcus filosofava enquanto tomava seu café na sala de HDM. Havia acabado de receber o chamado, mas, sinceramente, não estava inclinado a ir ao encontro dos docentes, na estufa. Mas por que tinha a sensação de que tudo – no sentido amplo, não relacionado apenas a si mesmo – estava prestes a ter um fim? Talvez as estrelas do céu, que dentro em breve desapareceriam por detrás da luz do dia, estivessem denunciando algo. De qualquer maneira, teria que ir, fazer sua imponente figura presente nos assuntos acadêmicos, ou seja lá qual for o que iria ter na tal estufa. Talvez Eskarina planejasse uma festa com os colegas de trabalho em plenas Terras de Hogwarts (!). Revigorante. E foi com esse espírito de arroz de festa que Alott levantou-se e foi até a porta. Mas será possível?...

'Cause I'm back! Yes, I'm back!
Well, I'm back! Yes, I'm back!

O homem girou a maçaneta e abriu a porta, pondo-se imediatamente a observar toda a movimentação ali.

"Mas o que...?"

Não acreditou na cena diante dos seus olhos: o mestre Moritz - sim meus caros, o próprio - em uma pose que, cá entre nós, não fazia jus a imagem de ninguém, ao som de uma banda punk do subúrbio. Minto, AC/DC é bom, vai. Fechou a porta silenciosamente e encostou-se na mesma, observando o outro, afinal, não era todo dia que via o 'colega' de trabalho em estado quase caótico.

"Por favor..." suplicou o velho "Tira esse demônio gritante de mim."

Olhou com prazer os tremores contidos do Professor de EDT, mantendo-se frio de emoções, embora um sorriso de sadismo clamasse por ser expressado em sua face. Desencostou-se da porta e foi a passos elegantes até o outro.

"O senhor tem um bom gosto..." fez uma pausa proposital, e então continuou "AC/DC..." esticou o braço, segurando o cordão. Puxou-o com certa violência, arrebentando-o "Um rádio? Pega aqui?" perguntou indignado, analisando o objeto.

"Sim, parece que funcionam. Não deveriam, eu acho. Mas meus dotes culinários me ajudaram a trazer coisas trouxas para a escola. Até telefone tem aqui!"

Foi só ouvir "Telefone" que o corpo do jovem mestre estremeceu, de felicidade. Nunca imaginara que alguém pudesse falar ao telefone em Hogwarts. Agora sim as coisas estavam começando a ficar interessantes naquele Castelo.

"Tenho uma sala cheia de objetos trouxas, qualquer dia passa lá e podemos tomar um chá. Aqui em Hogwarts tem de tudo amigo. Energia elétrica é fácil de resolver, ou seja, não é um problema! Siga-me os bons."

Energia elétrica? Impossível. Essa ele tinha que ver pessoalmente. Talvez fosse mentira ou o velho estava tendo alucinações - o que não era difícil, pois já não seria a primeira vez que isso acontecia. Tirou o cabelo dos olhos, colocando-os atrás da orelha e então pose-se a seguir o outro.

Estavam na metade do caminho quando o velho arranjou de apertar o passo, como se estivesse fugindo de Alott. Estreitou os olhos sem entender muito bem e apressou-se também. Subitamente o velho virou-se. Marcus parou e ficou encarando aquele ser dizendo coisas sem nexo. Seguir? Franziu o cenho, incrédulo. Era óbvio que aquele sir estava tendo um ataque de Alzheimer.

"Er... Certo." ajeitou a bengala em sua mão e deu as costas "Depois resolvemos isso. Agora tenho coisas mais importantes para fazer. Os docentes foram convocados na estufa..."

"Ah sim, você é aquele de História da Magia! Vou te acompanhar, posso? Até me esqueci onde é o encontro. Sei que alguém morreu, né?"

Não estava mais aguentando toda aquela falação em seus ouvidos. Palavras demais, ditas rápidas e eram captadas pelos ouvidos do docente como cacarejados agudos e irritantes. Olhou o idoso ao seu lado com uma certa ira. É, não havia duvidas. Existia energia elétrica em Hogwarts... E aquele professor de EDT era ligado nos 220 volts.

"Creio que é na estufa... E, bem, não sei, estou por fora dos acontecimentos alheios. Mas... se morreu, menos um." esboçou um sorriso de canto, malicioso. Torcia mentalmente para ser um dos alunos da Sonserina.

E finalmente o silencio. Seguiram o caminho para a famigerada Estufa, feita provisoriamente como boate 'esconderijo' improvisado para a tal reunião. Nada muito original, pensou consigo mesmo. Não muito tempo depois, visualizou a vice diretora apreensiva – a qual mereceu um murmúrio de descontentação vindo de Marcus, afinal... nada de festa – e outras pessoas. Encontrou brevemente com o olhar dos presentes, sem maiores manifestações. Cordializou em gesto para a mestra de Transfiguração e, por último, um floreio exagerado para a imperatriz de vermelho. A ação era tão falsa que beirava as adjetivações da provocação e do absurdo. Não se importou com possíveis represálias, dando de costas e vasculhando o perímetro com inverdadeiro interesse. E lá estavam todos agrupados, uma cena não muito comum, que poderia gerar falatórios duvidosos. Ainda mais se partisse de algum tablóide sensacionalista da imprensa marrom – poderia aproveitar-se dessa estratégia suja, em todo o caso. A revelação inesperada beirou os limites da comicidade: em uma pressão esmagadora por parte do restante dos mestres, a verdade fluiu liquidamente pelas palavras de Eskarina MacOgma.

"Impossível! Bathory foi decapitada e queimada em praça publica séculos atrás!" interferiu, desacreditado.

"Exato, mas ela voltou. Que feitiço ela usou para garantir seu retorno, não posso dizer, mas Mihaita Vrajitoare é a reencarnação da demônia e já está com a memória totalmente recuperada."

Parecia que Hogwarts atraia esse tipo de coisa. Deplorável. Ainda não fazia a menor idéia de qual seria o destino do diretor e da sua parceira; talvez, quem sabe, Azkaban. Seria muita sorte se conseguissem trancafiá-los. De qualquer forma, sabia que o casal era apenas dois peões manipulados em um grande tabuleiro de influências, o que ficou claro na obsessão pelo declínio de poder. Ou poderia Marcus estar delirando?

O fato era que, o corpo docente, talvez o mais excêntrico de todos que ali já haviam passado – com gloriosas e estranhas presenças de professores – assassinos, loucos e pervertidos – entrava em um clima de guerra declarado. O mestre de HDM permanecia calado, transparecendo tranquilidade com um semblante enganador que escondia os seus verdadeiros sentimentos de represália para a incômoda situação que ocorria. Levantou a cabeça investigativamente, passando os olhos sobre as expressões de Fujiwara. Também perguntava-se de como seria o ataque. A mulher respondeu-o, mas não era uma resposta satisfatória. Tinham que planejar alguma estratégia que valesse.

"Deve ter algo que o enfraqueça, não? Se soubermos o que o enfraquece, poderemos ter alguma chance."

"Enfraquecer..." o professor de HDM repetiu silenciosamente, mais para si mesmo. Olhou as suas mãos, perdido em devaneios. Criaturas das trevas têm ponto fraco. Voltou a atenção para a geral ali presente e então começou a falar, calmamente apenas com um ligeiro tom de apreensão. "Lumos Solem..." Seria muito obvio. Até ele tinha problemas com luzes, principalmente com as solares. "Dependendo da intensidade da luz... Poderia enfraquecê-lo, não matar... Até por que um vampiro de 400 anos e bruxo..." nem precisou terminar.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:07 pm

Eskarina MacOgma escreveu:— Eu tenho. Como vocês pretendem atacar? Uma guerra em uma escola cheia de criancinhas inocentes não parece uma boa ideia... Ou já estão de férias?

As palavras vieram frias e diretas, entretanto a pergunta era muito pertinente, infelizmente a escola ainda estava fervente com os alunos em fim de aulas e isso sim, seria um grande problema.

-Não, ainda estão no castelo. Eu realmente gostaria de evitar um embate aberto, contando com o numero e a surpresa. Um assalto planejado e estruturado pode conte-los. Sei que é improvável, mas evacuar o castelo agora é praticamente impossível e esperar duas semanas até que voltem para suas casas pode ser perigoso demais com essa louca por ai.

O oriental se manteve impassível, seus pensamentos, sejam quais fossem não eram deixados transparecer. Beatrice , com seu costumeiro bom humor – o que beirava o nonsense em muitos casos – servia chá na esperança de animar os “ânimos” sem muito sucesso.

- Deve ter algo que o enfraqueça, não? Se soubermos o que o enfraquece, poderemos ter alguma chance.Damian parecia profundamente abalado pela noticia sobre Jane, ou talvez algo mais o perturbasse e esse sentimento parasita aproveitava-se da situação delicada e tensa, para novamente atacar.

Esk pensou na resposta e por mais que vampiros tivessem sido alvo de seus estudos por anos, o que tinham em baila era totalmente diferente de tudo que já vira. Ela se virou para responder a pergunta feita pelo enfermeiro, mas quem tomou a palavra, mais uma vez, foi Alott e no fundo a professora sentiu-se grata por tê-lo ali como aliado.

Era uma possibilidade, usar um feitiço potente como Lumus Solem, mas o terreno em que estavam pisando era por demais duvidoso. Esk foi deu alguns passos em direção ao jovem bruxo.

- Exatamente, esse é o ponto crucial. - Marcus estava mesmo acompanhando o raciocínio. - Quando Bassington chegou ao castelo, ele ainda andava sob a luz do dia. Calculamos que após o ritual mal fadado, ele tenha perdido essa proteção que ostentava, pois foi diminuindo suas aparições para agora apenas aparecer a noite, mesmo dentro do castelo. Alguns vampiros mais velhos conseguem passar os dias sem dormir, usando essa palavra por falta de uma melhor para definir o estado em que ficam durante as horas do dia. No caso do diretor é bem provável que ele esteja nesse nível, mas Mihaita foi recém transformada e mesmo sendo a encarnação da outra, o corpo ainda está passando pelas transformações e adaptações.

Esk olhou para todos buscando compreensão e trouxe mais uma lembrança à tona.

- Aos que se lembram dos ataque durante ao jogo, podem lembrar do nível de magia que Bassington tem, mesclando com os poderes vampíricos adquiridos durante a transformação e ao longo dos séculos, não temos como prever essa variável.

Em sua cabeça, o bruxo maquinava saídas para aquela situação. Não pensava só em si mesmo, não conseguia por mais que quisesse. A cada palavra de Eskarina o problema se dificultava mais e mais. Estavam sem saída? Não... Não iria ser daquele jeito. Virou-se para a mulher e caminhou até ela, postando-se a sua frente. Precisava ver como foi o ataque, assim pensaria em outra solução.

- Eskarina... – Marcus abriu mais os olhos, perscrutando a mente dela, esperando ser liberado para visualizar o ataque.

Ela sentiu aquela pontada discreta que indicava a tentativa de entrada numa mente protegida, porém, a mensagem de Marcus estava bem clara, ele precisava ver como foi, já que não tinha detalhes.

Esk se concentrou naquela tarde. Toda a dor de cabeça, o calor, o sol forte. As arquibancadas lotadas, os gritos de alegria. De repente, uma sombra imensa e maligna cobriu os céus e o ar ficou rançoso, pesado, um verdadeiro anuncio ruim.

A ovação foi substituída por um silencio temeroso, precedendo um rugido. Um rugido que tremeu as arquibancadas e até o ar. No campo de quadribol surgiram criaturas horrendas de onde antes estavam os aros do gol.

Um dragão descomunal tomou os céus, enquanto outras criaturas horrendas e descomunais invadiam as bancadas dos professores indo diretamente até os professores. Esk estava no mesmo Tablado que o diretor, que sumira assim que o ataque começou. Helena, Fujiwarase juntaram para luta. Foi tudo rápido e terrível, os ataques, duelos, os alunos tentando se defender junto com os professores. Os gritos aumentaram, e a visão que Esk guardou foi de quatro garotas sendo raptadas, Pandora Madley, Anny Blackmoon, Kassandra Kennel e Annelise Antoine. Aquele dragão levando-as para longe e então o silencio.

Esk abriu os olhos. Era tudo que ele precisava saber, talvez tenha notado alguma lembrança aleatória que não deveria ter aparecido no momento, mas era impossível controlar todas as emoções com toda essa tensão.


O jovem bruxo viu tudo detalhadamente, não perdendo qualquer ação. Pigarreou quando reconheceu uma das garotas raptadas, mas não distraiu-se, continuou vendo. Uma imagem aleatória veio a sua mente. Entortou a boca e fingiu não ter visto. Quando acabou afastou-se da mulher, recuperando o foco do presente. O ataque fora violento, a força daquele homem era bem mais poderosa do que imaginara, mas não desesperou-se, manteve sua pose indiferente e pensativa. Não sabia muito de vampiros, mas havia um jeito de tirar o mal pela raiz. Picar todos os pedaços daquele ser e tacar no fogo. Esboçou um sorrisinho aleatório imaginando um churrasco de vampiro, mas logo cessou-o notando os olhares confusos sobre si.

- E se... Decapitássemos os dois e tacássemos no fogo? - Perguntou baixo, virando-se para Eskarina. - O problema seria capturá-lo.

- A única maneira de se acabar com um vampiro seria isso mesmo. Decapitá-los e incinerá-los, e espalhando as cinzas, pois já conheci casos de vampiros seculares conseguirem se recompor a partir das partes mal queimadas de seus corpos, mas, temos de entregá-los ao Ministério e a justiça ficará a cargo da sentença. Se os atacássemos e matássemos, seriamos tão podres como eles.

Esk tentava manter o foco na captura, mas a cada momento o circulo se estreitava mais ainda. Deveriam agir rápido, deveriam agir agora. Deveriam se aproveitar do dia que os restringiria. Um pigarro forçado quebrou o silencio que os pensamentos e ideias trocadas de Marcus e Eskarina tinham causado. Era Miller que obviamente não estava gostando do que via, depois que soubera do acontecimento dias atrás.
A bruxa voltou-se para ele e para os outros. Muitos ali começavam a entender a real proporção do problema. Brianna beirava o histerismo, sendo amparada pela leal Beatrice.

E a batalha nem havia começado ainda.


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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:08 pm

Tyler Bennet escreveu:
Nos Aposentos.

Bennet estava muito ausente do castelo, aparecia raramente nos seus aposentos, sua aula havia sido interrompida por motivos que o professor até o momento não entendia muito bem o porque. Na sua ausência o única criatura que cuidava de seus pertences era o seu elfo, criatura que já pertencia a família Bennet a muitos anos, a criatura baixinha, com pele enrugada, nariz e orelhas pontiagudas e com uma fina camada de gordura, praticamente puro osso, só obedecia as ultimas ordens do seu dono.

Com todos os fatos acontecendo, a conversa com Bruce Siammen e outros “trabalhos” que o professor realizava, tomaram conta de seu tempo mais do que precioso, sua ausência havia deixado sua sala as aranhas, ou melhor a sala não existia, era puro Pó.

Prevendo que iria voltar para seus aposentos, o professor pede para o seu elfo que se encontrava ao seu lado para fazer uma limpeza total em sua sala, queria chegar sem ter nenhum pozinho se quer, ordens essa obedecida pela criatura.

Enquanto arrumava seus pertences, o pequeno elfo apareceu, Bennet olhou com cara de desprezo, pegou sua varinha, apontou para a criatura e começou a gritar de maneira histérica:

Sua criatura desatenta, eu mandei você limpar a minha sala, e não voltar com um mísero papel em suas mãos, volto já para a minha sala e continue o seu trabalho, suma daqui...

O elfo meio sem jeito, tentou passar a informação para seu dono:

- elfo abaixa a cabeça e fala - “ Me-me-me-meu senhor, Optie estava apenas limpando sua sala, quando encontrou uma carta da moça bunita Eskarina MacOgma – entrega a carta e aparanta de lá
Tyler ficou totalmente desconcertado, afinal, o que a professora Eskarina queria com ele ? Era uma dúvida que agora martelava sua cabeça, lendo a carta só conseguia ler em letras garrafais para à encontrar na Estufa nº2 o mais rápido possível.

Para o professor que não estava muito apar do que estava acontecendo, não custava nada aparecer, seu sumiço repentino pelo castelo deveria ser algo estranho para a bruxa. Com sua bagagem já preparada, segurou na alça da mesma e aparatou de lá diretamente para fora do castelo, aonde do mesmo se dirigiu para o seu escritório, local onde deixou sua bagagem e seguiu até as Estufas...

Estufa Nº02

Tudo parecia muito diferente para o professor que estava de volta a Hogwarts, o castelo não mostrava a agitação constante que existia no seu interior. Os quadros estavam silencioso, algo muito estranho estava realmente acontecendo naquele castelo.

Sentindo um certo perigo no ar, Bennet se preveniu e colocou as mãos em seus bolsos, local onde guardava sua varinha em caso de perigo, e continuou sua trajetória rumo a estufa, onde até o momento não sabia aonde ela se encontrava.

No percurso notava que alguns alunos andavam sorrindo para o professor, como sua imagem em Hogwarts era de um professor bom e de bem com a vida, não podia deixar rastros, tratou de abrir um sorriso de ponta a ponta e ainda cumprimentar o garoto com um aceno de cabeça, afinal sua Mao estava segurando uma varinha.
Não sabendo aonde estava indo, voltou e chamou o garoto...

Por favor querido, você poderia me informar como chego nas Estufas ? eu estou perdido, faz tempo que não vou para lá

O garoto parou, olhou e pensou bem na pergunta do professor, achou meio estranho mas não deixou de responder o óbvio...

Bem professor, as estufas ficam na área externa do castelo, você precisa ir sentido a sala de Herbologia, não tem como errar, as estufas estão no perímetro da sala de aula, tenho que voltar para os meus aposentos, tenho deveres a fazer ...

O professor agradeceu e seguiu seu destino, a sensação de chegar perto das estufas era completamente estranha, a ultima vez que havia entrado lá era para pegar algumas ervas que havia roubado durante sua fase de estudante, não tinha boas memórias, a mandrágora quase o deixou surdo.

Como dito anteriormente, tudo estava estranho, o professor foi se aproximando na estufa, depois de muito caminhas e sentiu um campo de proteção, tá aquilo era realmente preocupante, afinal porque tudo aquilo estava acontecendo ? O professor que de inocente não tinha nem o fio de cabelo, tratou de entrar na estufa e ficou ouvindo toda a conversa dos professores presentes...

Não quero lutar, não quero lutar, não quero, não quero, não quero...

Bennet havia se atrasado, mas os murmúrios que a sala acusticamente tinha era incrível, pode se interar do assunto mesmo chegando atrasado, como previa, Elizabeth Bathory havia reencarnado, mas o que não sabia era o local da encarnação, ou seja, quem estava habitando a poderosa Elizabeth ?

Eis então que Eskarina, que estava falando compulsivamente respondeu sua pergunta indiretamente:

"Exato, mas ela voltou. Que feitiço ela usou para garantir seu retorno, não posso dizer, mas Mihaita Vrajitoare é a reencarnação da demônia e já está com a memória totalmente recuperada."
A cara do professor foi de um sorriso para uma expressão séria, já estava entendendo todo o assunto, queriam a cabeça de Mihaita Vrajitoare, ou algo do gênero, mas será que todos estavam informados daquela reunião ?

Bennet só acompanhava as conversas que se misturavam, era realmente uma bagunça, sua mente havia se desligado um pouco da reunião, tudo que podia ouvir era:

blá blá blá, Elizabeth, blá blá blá Lutar, blá blá blá

Para Tyler, tudo aquilo era uma baboseira, a não ser o fato da reencarnação da bruxa, mas seus pensamentos nunca foram concluídos para chegar em uma resposta, Eskarina enfim havia ligado todas as peças do quebra cabeça, ouviu detalhadamente a voz da bruxa e gravou em sua memória:

Bassington chegou ao castelo, ele ainda andava sob a luz do dia. Calculamos que após o ritual mal fadado, ele tenha perdido essa proteção que ostentava, pois foi diminuindo suas aparições para agora apenas aparecer a noite, mesmo dentro do castelo. Alguns vampiros mais velhos conseguem passar os dias sem dormir, usando essa palavra por falta de uma melhor para definir o estado em que ficam durante as horas do dia. No caso do diretor é bem provável que ele esteja nesse nível, mas Mihaita foi recém transformada e mesmo sendo a encarnação da outra, o corpo ainda está passando pelas transformações e adaptações.

Eskarina havia dado uma boa olhada em todos os presentes, Tyler fez cara de interessado no assunto, afinal aquilo era de seu interessa diretamente falando.

Aos que se lembram dos ataque durante ao jogo, podem lembrar do nível de magia que Bassington tem, mesclando com os poderes vampíricos adquiridos durante a transformação e ao longo dos séculos, não temos como prever essa variável.

Tyler ficou muito inquieto com tudo aquilo, precisava agir, mas não sabia como, tentou disfarçar de algum modo e interagindo na reunião...

Eskarina, eu acho isso um absurdo, o diretor mesmo com toda sua fama seria incapaz de realizar tudo isso que está afirmando com tanta certeza, precisa pensar com mais calma, acusar o diretor é algo diretamente ligado ao ministério, precisa ser investigado, sabemos que ele é um vampiro, okay, entendo, mas não podemos culpá-lo de tudo que está acontecendo, ele já evitou vários problemas, precisamos pensar melhor, estamos em um período letivo ainda, uma luta direta seria inviável atualmente. Acho que só

O professor se calou, ficou observando toda a baboseira que era dita, e aguardou o momento mais propício para sua saída sem ser percebida.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:08 pm

Ernest Butler escreveu:


O sol se posicionava no centro do céu no instante que se seguiu ao término do jogo amistoso de Quadribol da Corvinal contra a Sonserina. Um clima propício para uma partida esportiva, mas pouco agradável aos habitantes e visitantes do castelo.

O ex-professor de Hogwarts, Ernest Butler, descia a colina que ladeava o estádio acompanhado por seus conhecidos ex-alunos e alguns novatos, a maioria da casa de Rowena, qual chefiou durante três anos. Embora a Corvinal tenha perdido o jogo, os alunos da casa não mostravam sinais de desânimo. Uma criança do primeiro ano lembrou empolgada o ano em que o professor fora campeão do torneio tribruxo. “Meus pais são verdadeiros fãs seus, senhor Butler! Eles sempre me contavam a história do dia em que venceu o torneio sediado aqui mesmo. Vocês estudaram no mesmo ano, né? Fiquei triste ao saber que não mais seria seu aluno em Hogwarts. Meus pais ficaram decepcionados, mas eles aceitaram numa boa a notícia de sua transferência para Mondocervello. Quero estudar lá quando crescer, sabia?”

Por alguma razão, aquela confissão do aluno mexeu com os sentimentos do professor. Sentiu uma nostalgia de momentos recentes e chegou a duvidar se tinha até então tomado as decisões corretas. Depois de alguns segundos em silêncio, Butler apenas olhou para baixo e colocou a mão sobre o ombro da criança.

Diga a eles que agradeço toda a consideração. Diga também que quando eles puderem e quiserem, podem ir me visitar em Mondocervello. Ou então aqui mesmo. Prometo vir mais vezes. – Falou ao garoto num tom de voz baixo.

O aluno balançou a cabeça para cima e para baixo com um sorriso de orelha a orelha. Depois correu para perto de dois colegas do primeiro ano, que estavam um pouco mais afastados do grupo, para contar o que acabara de lhe acontecer.

Quando o grupo se aproximou das sebes que levavam ao castelo, uma ave de penas negras e porte altivo, um pássaro bastante conhecido de Butler, planou sobre as cabeças do grupo e dirigiu algumas palavras por pensamento ao professor. Era Draven, o corvo de estimação da vice-diretora Eskarina MacOgma.

Draven disse ao inglês que ele deveria comparecer com certa urgência a uma reunião que aconteceria em instantes nas estufas de plantas raras do castelo. O motivo, “Problemas no reinado”, assim nomeou o corvo. A reunião seria chefiada por Eskarina e ela pedia a presença de todos. Embora a notícia divulgada pela ave pudesse transparecer dúvida, o professor haveria de concordar que existia verdade em suas palavras. Draven, por mais soberbo que fosse, era um corvo de boa índole e fiel aos desejos de sua ama. Butler assentiu através de um aceno de cabeça e se despediu do grupo.

Preciso ir agora. Nos encontamos depois.

Os alunos se despediram e rumaram para o interior do castelo. Butler seguiu a ave e poucos minutos após os dois adentraram as estufas. No local, estava presente o corpo docente de Hogwarts. Ernest encontrou alguns rostos conhecidos e também os novos professores. Estranhou a presença de Tatsuya Fujiwara e se preocupou com os espasmos de histeria da atual professora de Transfigurações. À frente do grupo estava Eskarina. Os olhos de Butler cruzaram-se com os dela e os dois sorriram tímidos. Preferiu manter distância. Thomas Miller também estava lá e ele já estava cansado de tantos problemas e frustrações. Draven cuidou de anunciar sua chegada:

– “Sei que ele não estava no pacote, mas acho que ajudaria, não é?

– “Por isso que te amo, penoso... Sempre uma asa a frente”. – Respondeu Eskarina ao pássaro que empoleirava ao seu lado.

– “Diz isso ao Felpudinho ai... E aliás, a cara de gato que comeu aranha e não gostou, que ele fez agora, me alegrou o dia. Auch! Parei!

Neste momento, Butler não conteve o riso interno. Ele sabia que Draven se dirigia à Thomas e imaginar a careta de desgosto do auror trazia-lhe um certo ânimo. Mas, como estava ali disposto a ajudar e queria superar essa relação tempestuosa com Miller e Eskarina não virou o rosto para trás e se concentrou nas palavras de apresentação e esclarecimento.

O atual diretor de Hogwarts Sir Arthur Bassington era na verdade um bruxo de má índole, um vampiro de mais de 400 anos, que estava por trás do sequestro das quatro alunas do primeiro ano, que aconteceu durante um jogo amistoso de Quadribol há quatro anos atrás quando Butler ainda lecionava no castelo. O bruxo presenciou o acontecido e teve de lutar ao lado dos professores contra criaturas maléficas. Terminada a batalha, participou do grupo de resgate que se estendeu ao redor do planeta. Além de Bassigton, outra mulher estava por trás das maldades. Mihaita, a ex-professora de Feitiços, era a reencarnação de Elizabeth Bathory, um dos espíritos mais perversos de toda História bruxa

Após a apresentação dos fatos por Eskarina, o grupo seguiu com sugestões de afrontamento. Uma guerra seria imediata. Butler concordou com a preocupação de Tatsuya em iniciar uma batalha dentro de um castelo repleto de crianças. A vice-diretora não aprovou a ideia de uma evacuação imediata, mas Butler resolveu insistir no assunto.

Eskarina, peço para que avalie novamente a proteção dos alunos. Não podemos iniciar uma guerra e colocar a vida das crianças de Hogwarts em risco. O castelo possui algumas passagens secretas para fugas. Podemos armar um cerco e através de feitiços de proteção garantir que os alunos cheguem até Hogsmead sãos e salvos. Sei que não será possível a evacuação completa de alunos, mas podemos perguntar e quem quiser ficar e lutar será de grande ajuda. Quanto a Mihaita ou Elizabeth, como quiserem chamar essa bruxa, eu me voluntario para conter suas investidas.


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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:08 pm

Thomas Miller escreveu:




CONVOCAÇÃO

O copo vazio de whisky estava caído pelo tapete da saleta dos seus aposentos, as mãos do auror pendiam para fora do sofá e os olhos estavam cerrados em profundo sono. Porém, nenhum descanso estava reservado para Thomas Miller, que presenciava cenas chocantes de um passado remoto. Um pesadelo. O pior de todos e que o atormentava desde que soubera noticias sobre o paradeiro de sua irmã, morta até então. E se Chevalier descobrisse? Ele temia não poder fazer nada para encontrá-la. Hogwarts era seu refugio e sua prisão...

“TOC-TOC-TOC” – As batidas na porta irritantes e seguidas despertaram-no. Olhou para a janela e verificou que o sol já estava alto. Esfregou os olhos e levantou-se. Esticou os braços estalando as juntas e caminhou até a porta. Verificou se a varinha ainda estava no bolso do seu paletó e então deu passagem para a maldição voadora que atendia pelo nome de Draven.

A ave pousou na primeira cadeira a vista e encarou-o. Em resposta, Miller sorriu desdenhoso e bocejou.

–“ Felpudinho, a Eskarina precisa de você.”

– Enfim, reconheceu o óbvio. – provocou, coçando os olhos e sentando-se na cadeira de frente para a ave. Coçou o queixo e recostou, cruzando os braços. Aquela era a oportunidade perfeita para agarrar a ave e esmagá-la com as próprias mãos. Faria um cocar com as penas do corvo e exibiria como Troféu de Caça. A ave crocitou, como se gargalhasse, e Miller pode perceber um brilho maquiavélico naqueles olinhos negros.

– “Muito engraçado e devo dizer que está no emprego errado, pois com essa cara e seu talento, um circo trouxa lhe seria de grande sucesso. Agora, antes que comece a desperdiçar meu tempo, o castelo está sobre aviso. Não devo dizer nada com detalhes, mas haverá uma reunião logo após o meio dia, nas estufas.”

– Nas estufas? – ele já suspeitava e colocara os aurores de sobreaviso desde o ultimo jogo de quadribol, quando Eskarina deu a entender que precisariam estar prevenidos. Não fora surpresa uma reunião marcada, mas nas estufas?! Se tinha uma coisa que ele odiava, era plantas.

– Tem alguma coisa relacionada com uns feitiços que foi colocado lá, você saberá mais tarde, agora, abra a porta por favor, preciso ver outras pessoas realmente importantes.

- Claro, afinal, quando nós abrimos a porta, pretendemos que o convidado retorne... – “para um jantar... ou um genocídio” – Completou em pensamento caminhando até a porta e abrindo-a, dando passagem para o corvo, que ganhou os corredores e sumiu.

Teria poucos minutos para um banho, vestir-se e chamar Theodore para substituí-lo na revista do dia enquanto ia até a reunião, afinal, o rapaz era seu braço direito dentro do Castelo e poderia ajudá-lo a reunir os relatórios feitos durante todo aquele ano e mais tarde, se fosse necessário, reunir a equipe de aurores.

Miller fora um dos primeiros a chegar. Cumprimentou a professora Manuela, conhecida de vista, cujos olhos misteriosos e profundos ainda perturbavam sua alma, e os outros professores que começavam a chegar, todos com expressões graves nos rosto, como se antevissem desastrosos acontecimentos.

À chegada de Eskarina, Miller, aproximou-se mais da bruxa e sorriu de canto, para que esta soubesse que ele estaria ao seu lado para apoiar todas as suas decisões, como havia prometido uma vez antes. Helena também estava lá, uma expressão pálida e os olhos tempestuosos, nunca mais fora a mesma jovem descontraída que conhecera, tornara-se uma mulher de expressão muito grave e atitudes negras.

Contudo, não foram os olhos azuis de Helena que o fizeram cerrar os punhos e senti um gosto amargo na boca. Era sim o encontro, ou infeliz reencontro, com tentativa frustrada de bruxo de nome Ernest Butler. Miller sentia-se ferver por dentro e também notou a destemperança do outro, que guardou silêncio e manteve-se distante. Miller ainda podia perceber algumas olhadelas daquele na direção de Eskarina, o que fazia com que a idéia de lançar-lhe uma maldição imperdoável tornar-se cada vez mais tentadora. Felizmente, conseguiria manter o sangue frio até o final da reunião.

Eskarina expunha os fatos, explicando detalhes e contando uma história tenebrosa a respeito do Diretor, alvo de tantas investigações de Miller e Eskarina, que desde o primeiro ataque já desconfiavam de uma mau maior que rondava o Castelo. Infelizmente, alguns professores e funcionários não reagiram muito bem a noticia de uma provável guerra, mas o absurdo estaria por vir nas palavras finais de Butler:

-... Quanto a Mihaita ou Elizabeth, como quiserem chamar essa bruxa, eu me voluntario para conter suas investidas.

Sem algum pudor, Miller riu sarcástico e destacou-se do meio dos funcionários. Cruzou os braços e, com os olhos brilhantes de ironia, molhou os lábios:

- Não há espaço no momento para feitos heróicos, ou investidas isoladas... – suas palavras eram dirigidas a todos, contudo, tinham um tempero especial direcionado ao ex professor de transfiguração da Escola. – Eskarina tem razão em querer organizar todos os funcionários deste Castelo e armar uma estratégia inteligente e perfeita para capturarmos Bassington. O elemento surpresa ainda é uma vantagem, contudo, estamos nos arriscando toda vez que os minutos passam no relógio. Esta reunião é crucial, tanto para as nossas vidas quando para as vidas de todos esses jovens. – e apontou para a porta, do lado de fora da Estufa, indicando o Castelo.

- Sei que os aurores sozinhos ou a interferência direta do Ministério só levantarão mais a poeira e tornarão fracassadas as nossas investidas. Precisamos fazer isso juntos e sozinhos, antes que seja tarde e a sujeira a ser limpa seja maior.

- Sugiro, - e voltou-se diretamente para Eskarina – que comecemos a idealizar nossa primeira manobra, que seria garantir a segurança de todos os alunos desta instituição. Em seguida, poderemos partir para a parte prática, onde armaremos a emboscada para apanhar o então Diretor. – e então descruzou os braços e indicou a frente do grupo a Eskarina, que tomaria novamente a palavra e daria o seu parecer.

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:08 pm

Eskarina MacOgma escreveu:Parecia que as palavras de Eskarina não estavam sendo claras, ela ouviu o que o Ernest dizia e isso lhe apertou o peito. "Como ela não estaria pensando nas crianças?". Desde o primeiro dia que chegara ali, a única coisa que fazia era zelar por elas. O aperto se transformou num bolo de palavras que ansiavam por liberdade. Quando se preparou para responder, Miller tomou a frente.

Suas palavras enfatizaram o que ela já havia dito, mas não pode deixar de notar uma certa agulhada do Auror no seu "rival" eterno. Esk respirou fundo, não queria ter de se preocupar com isso, ainda mais agora. A palavra foi passada outra vez à ela e juntando toda calma que ainda restava, recomeçou.

- Eu não planejo e nem planejei uma guerra aberta e muito menos deixar os alunos desprotegidos, se chamei todos aqui foi pensando nisso, na segurança deles. Nosso tempo é escaço, eu achei que poderíamos esperar, mas uma pessoa foi morta outra vez, e com essa louca aqui a solta, sabe-se lá o que pode acontecer. Por essa razão os chamei, por essa razão pedi uma reunião durante o dia, que é quando eles estão mais limitados. E com o elemento surpresa, podemos subjuga-los sem um confronto maior.

- E pedir para os alunos ficarem e lutarem? Sem chance, se isso sair do nosso controle, não quero sangue inocente derrubado. Quanto a Mihaita, agradeço sua oferta e a aceito com certeza, mas não sozinho e sim, como parte de um grupo que irá atrás do casal.


Esk voltou a atenção para o restante dos companheiros, Tyler parecia nervoso, ansioso na verdade, porém, ela não o fitou tempo suficiente para perceber o que ele pretendia.

- Todos estão aqui por uma razão e por sorte dois companheiros, dois grandes bruxos, que não mais lecionam na escola vieram até nós, eu chamo isso de bom sinal. Quanto os alunos, creio que os salões comunais são os melhores locais para que estejam salvos no momento, devida toda proteção que existem em suas entradas. Nada entra se não conhecer a senha ou as peguntas, e a muito tempo, Arthur não tem acesso a isso, já que considerava trabalho inútil. - A bruxa riu sem achar realmente graça.

- Thomas pode chamar os aurores do castelo e montar guarda nas entradas, precisamos fazer com que voltem todos, mandaremos um aviso de urgência. E para isso, preciso de um grupo de professores que possam auxilia-los com isso. Charlie, Será que você poderia ficar responsável por isso? - O professor de Herbologia concordou prontamente e Esk agradeceu.

- Beatrice, Steven, Horácio, Damian, podem acompanha-lo e certificarem-se que estão bem protegidos? - Esk achou que era melhor deixar Brianna longe de qualquer ofensiva direta. Para o bem dela e de quem mais estivesse perto. Agora, voltando-se para o restante do grupo.

- Manuela, Helena, Tatsuya, Butler, Miller e Alott- Vocês podem ir comigo? Diretamente até a sala deles. Precisamos mantê-los no covil, e como disse, eles não tem ideia do que planejamos, então, temos boas chances de prende-los. - Todos estavam muito silenciosos, mas concordaram.

- Draven, vá até o ministério. Fale apenas com Cale e Ministro, eles saberão o que fazer e com quem contar. Todos prontos? Primeiro os alunos, usem os elfos se for preciso para levarem as crianças para os comunais. Dentro de uma hora nos encontramos no Hall e iremos, ainda teremos quatro horas de sol à nosso favor.

Dessa maneira, com funções declaradas e muita urgência nos atos, o grupo se colocou a cumprir a primeira parte do plano, e logo depois enfrentariam a pior das ameaças, e nem sabiam disso realmente. Com toda a agitação e preocupação, a bruxa não notou que um dos convidados não tinha terminado a reunião com eles e nesse momento, daria seu ato decisivo, o Pettigrew dessa história.


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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:09 pm

Tatsuya Fujiwara escreveu:
As Notícias Correm

O que eu quero mais é voltar pra casa...

Tatsuya Fujiwara estivera na Estufa nº 2, participando da reunião que a vice-diretora convocara em emergência para montar um plano de ataque contra o diretor (finalmente descobriram que aquilo era um vampiro). Ele ouviu uma louca descabelada murmurar incessantemente em sua cadeira, um bruxo querer dar uma de herói... E, o que não se encaixava muito no contexto, uma velha servindo chá.

E fora decidido que fariam um ataque surpresa! Ah, mas isso seria interessante... Paredes têm ouvidos e, provavelmente, uma delas já estaria informando Arthur Bassington. Sabia que ele tinha contatos, aliados, por iniciativa própria ou não (o próprio japonês fora um deles), e imaginava que os demais fossem inteligentes o suficiente para imaginarem isso. O que era difícil imaginar eram os métodos de defesa que o vampiro poria em prática para se proteger. Mas isso ficaria claro em breve.

O enfermeiro, o zelador, o professor excêntrico de Estudo dos Trouxas e a professora excêntrica de Feitiços, que praticamente carregava a professora excêntrica (entre outras coisas) de Transfiguração, estavam encarregados de cuidar dos alunos, e o ex-professor de Poções iria com Eskarina MacOgma, sua querida ex-chefe, e outros para a torre do dentuço. Por costume, Tatsuya se deixou ficar por último na fila dos “combatentes”, e não se arrependeu.

Estava mais do que óbvio que o diretor já sabia do plano, e já começara a se mexer. O elemento surpresa, que era tão precioso, descia pelos esgotos milenares do castelo. O caos estava instaurado no castelo, e tudo começara a acontecer enquanto os supostos heróis estavam trancados na casinha de plantas do Windsurf. Seria engraçado se Tatsuya tivesse resolvido seus assuntos com o diretor na noite anterior, e só assistisse à destruição no dia seguinte. Mas já que ele tinha se dado ao luxo de esperar, teria que arcar com as conseqüências, que não eram realmente ruins...

Aproveitando que os demais estavam distraídos com os monstros que estavam fora do castelo e os gritos que saíam de dentro dele, o oriental apontou a varinha para trás. Dela, duas raposas se projetaram.


Ambas começaram a correr, atravessando as estufas e fazendo um longo caminho longe dos olhos dos demais. A primeira raposa foi para a casa do próprio japonês, para avisar, sem detalhes, que demoraria a voltar. A outra... A outra continha apenas detalhes. E se destinava a um bruxo, antigo conhecido daquela de vermelho. A raposa ia ao encontro de Nikolov Garriman.

Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:09 pm

Roger Waters escreveu:No dia em que o bibliotecário recebeu a mensagem da Vice-Diretora, ele já sabia que para uma reunião extraordinária deste jeito, algo estava acontecendo. Não era uma coisinha qualquer algo estava saindo de controle. O Bruxo retirou a manga do paletó de cima do relógio e de agora em diante, ficara atento no horário. Em seus aposentos, sentado no sofá da sala ele tomara uma xícara de chocolate. O leite gelado batido com o chocolate derretido era delicioso. Quando terminou de tomar o milk shake, notara que ficou um pequeno “bigode de leite” em cima de sua boca, tirou um pequeno lenço de dentro do paletó de tweed, e limpou a borra. De cima da mesa, pegara um exemplar do Profeta Diário, que ele trouxera da biblioteca mais cedo, o bibliotecário começou a ler.

Entretido com a leitura, acabara esquecendo do horário. Quando virou a pagina do jornal, o relógio se deu a mostra, notando o atraso começou a se preparar para a tal reunião.

Abriu as portas do guarda-roupa e de dentro de uma caixa de sapato tirou um pequeno coldre com sua varinha reserva. Amarrou o coldre em sua perna e jogou a calça por cima do mesmo. Já estava na hora de sair, na porta, ordenou:

- Colloportus
– e com a varinha agora em riste, trancara a porta. No caminho para a Estufa nº 2, ficara pensando no motivo da reunião e há quanto tempo, não entrara em uma Aula de Herbologia, da última para cá ele já lera vários livros de Herbologia e saberia cuidar de uma planta de fosse preciso. Mas não era...

Ao adentrar a Estufa nº 2, o bruxo era um dos últimos a chegar, mas pelo jeito não tinha acontecido nada. Quando a professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, Eskarina MacOgma começou a explicar a situação, o bibliotecário mostrava-se quieto, e preocupado. Seria uma 2º Batalha de Hogwarts?

Em pé, em um canto mais afastado da Estufa, sua atenção foi desviada pelos presentes no local, ele não conhecia a maioria dos que estavam ali. Os professores e funcionários, quase não entraram na biblioteca desde que o senhor Roger Waters chegou. Várias idéias foram surgindo e o bibliotecário continuava quieto. Ele era um pouco tímido, com pessoas que não conhecia.

Dos presentes a única pessoa que ele já conversara, era a anfitriã. Ao correr da reunião, a cada palavra que ele escutara, ficava mais preocupado e surpreso pela revelação. Ele nunca tinha falado com o Diretor Arthur Bassington, nem ao menos tinha visto o bruxo vampiro.

Ao término da reunião, ele não fora encarregado de nada, iria falar com a vice-diretora. Aproximou-se dela:

- Senhorita MacOgma? – ela se virara, os cabelos se movimentavam graciosamente.

- Ah, Roger. Você está aqui! Nem te vi. – a vice-diretora, mostrava-se surpresa com a presença do bibliotecário.

- Estava ali no canto, prestando atenção na reunião, bom... Vi que não sobrou tarefas para mim. Posso ajudar em algo? – ele mostrava-se prestativo.

- Hum... vamos ver. Vá ajudar Beatrice, Steven, Horácio e Damian. – ela mostrara o grupinho.


-Ok, certo. Irei ajudá-los.
– saia em direção aos mesmos, para combinar alguma coisa.

A Batalha seria longa, e difícil.

Spoiler:

Off: Pessoal, desculpa a demora para postar, final de ano ocupadíssmo. Final do post, combinado com Eskarina MacOgma.

Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

Mensagem por Leonard Graaf em Sex Jan 21, 2011 6:34 pm

Sir Arthur Bassington escreveu:Flashback: noite após invasão do lago e crise diplomática com os sereianos

Sir Arthur Bassington, com todos os seus séculos de experiência, aprendera que não é possível ter o controle de absolutamente tudo, e que em algum momento, aliados importantes são necessários. Há algum tempo atrás, pensou ter encontrado no então professor de Poções, Tatsuya Fujiwara, um desses aliados. Ganancioso, e agindo por total interesse, tinha certeza que a chefia da Sonserina seria o suficiente para se ter o bruxo ao seu lado. Mas enganou-se. Fujiwara realmente se vendera, mas a fim de atender seus próprios interesses, partindo na primeira oportunidade que teve. Ambos nunca tiveram uma relação de amor, mas eram adversários que apesar de se odiarem, eram uteis um ao outro.

Quando Tyler Bennet invadiu seu escritório para informar que quatro jovens inconseqüentes haviam invadido o lago, Bassington, pela primeira vez, desejou que aquele japonês corrupto ainda estivesse ali, pois era o único que dominava a maldita língua dos homens-peixe. Mas milagres as vezes aconteciam, e ele já presenciara alguns, como o encontro com sua noiva...

Mas não era hora de pensar nela, e sim, no odor de peixe que suas narinas detectaram vindo do lago! Como era possível que ele estivesse ali? Não importava, mas sabia que aquilo teria um preço. Após a negociação feita pelo japonês junto aos sereianos, e a recuperação das meninas, Arthur sabia que não poderia adiar aquele momento, e era preciso resolver de uma vez. Em meu escritório!, a mensagem havia sido compreendida, e Arthur aguardaria o homem em poucos minutos.

Voltou para a entrada do segundo andar, deixando as gárgulas avisadas sobre a presença do visitante. Arthur não tinha muito o que negociar. Sabia que se ele havia voltado, era porque pretendia ter seu posto de volta. E no íntimo, o diretor estava se lixando pra quem lecionasse às crianças estúpidas desde que pudesse tirar algum proveito disso. Não andava satisfeito com o então professor, achava-o frouxo demais. Mas ter Fujiwara novamente ali era uma arma poderosa, mas perigosa! Nunca se sabia quando ela se voltaria contra ele.

Foi difícil engolir o sorriso de escárnio que brincava em seus lábio quando entrou no escritório perguntando displicentemente:
— Queria me ver, Bassington?

Ainda muito sério, e tentando prender a respiração, indicou a cadeira a sua frente:
_Entre, e sente-se se quiser.

Ambos ficaram se encarando por alguns segundos, sem nada dizer, como se analisassem a jogada que o próximo faria. Mas ali não um campeonato nem de poker, nem de xadrez, e há muito tinham deixado as aparências de lado.
_Como somos homens ocupados, vou nos poupar da cerimônia., o oriental aquiesceu com um leve menear de cabeça. Você sabe que o que acaba de fazer beneficiou a todos aqui, e presumo que queira um pagamento por isso. E até imagino qual seja. Vamos aos termos.

Os dois bruxos poderiam facilmente serem confundidos com elegantes homens de negócios em um clube londrino, faltando apenas os charutos e os copos de whisky. A tensão no ar era tão densa, que seria possível capturá-la e engarrafar para vender em lojinhas de logros e brincadeiras.
_Direto ao ponto, como sempre. Realmente não pretendo me estender. Devolva-me minha cadeira de Mestre de Poções e também a chefia da Sonserina.

Bassington se permitiu uma gargalhada. Mas embora fosse dada com certo prazer, por ver a ousadia do japonês, ela não parecia ter graça alguma.
_Sempre ambicioso, ganancioso demais. E o que o fez achar que lhe entregaria novamente a chefia da casa após o seu subto desaparecimento de volta ao seio de sua família? O que o faz supor que não o mate antes de sair deste escritório?

_O simples fato de saber que precisa de mim, de meus... serviços.

_Em breve, seus serviços não serão mais necessários. Já te propus uma vez, e o farei novamente. Não preciso de um professor metido de poções, nem de um chefe de casa. Preciso de um aliado. Se eu o tiver como tal, poderei providenciar esse pequeno.. regalo, digamos assim... do contrário, nada feito.

Tatsuya Fujiwara levantou-se, lentamente e sem alterar seu tom de voz concluiu:
_Estarei pelas redondezas, o ar de Hogsmead está me parecendo muito agradável nesta época do ano. Saberá me encontrar quando mudar de idéia. Boa noite.

Arthur acompanhou com os olhos a saída do bruxo. Uma parte de si admirava a classe e frieza com que se portava, a outra, queria destruir cada pedaço de seu corpo. Sabia que nenhum dos dois tinha ganho aquela noite, eles apenas haviam adiado a batalha. Se tudo caminhasse como o planejado, o japonês logo retornaria as masmorras de Hogwarts, em um momento muito mais propicio a Arthur do que o preparador de Poções poderia imaginar. Então, como sempre, ele será o vencedor da estratégia.

FIM DO FLASHBACK



Sexta-feira a noite, antes da partida de Quadribol

Fazia uma bela noite primaveril, agradável, com uma brisa fresca, mas Sir Arthur Bassington trajava sua mais bela e grossa capa de veludo. Desceu da carruagem se apoiando em sua bengala de titânio puro. Mas porque um meio de transporte tão antiquado para um bruxo tão poderoso? A carruagem fora magicamente encantada, era um carro legítimo do século XIX, mantido em perfeito estado, como novo. Conforto e estilo para um breve viagem da Romênia a Hogwarts. Delicadamente, Arthur ajudou Mihaita Vrajitoare a descer do carro. Sua pele ao luar parecia mais clara, tão branca como o mármore. Um delicioso e envolvente perfume de rosas a envolvia. Mas ainda parecia um pouco fraca, aceitando a mão estendida que Arthur lhe oferecia para descer. Já fora da carruagem, retirou o capuz que lhe cobria a cabeça, e à fraca luz presente, Arthur admirou e acariciou os longos e negros cabelos de sua companheira.

Mihaita estava tão diferente de quando partiu de Hogwarts na noite do Yulle Ball, que era facil dizer que podia se tratar de outra pessoa! Mas os mesmos grandes olhos estavam ali, vermelhos e ainda sedentos.

Ninguém reparara na ausência dos dois, graças ao hábito que o diretor desenvolvera todo esse tempo de se tornar avesso aos eventos sociais. Sua presença ou ausência já não eram mais sentidas. Assim, pode usar-se da presença de seu assistente e de seu elfo, para continuar os trabalhos da escola, enquanto cuidava pessoalmente da saúde de sua esposa.

Subiram as escadas que davam acesso ao hall do castelo de braços dados, como se fossem um casal real britânico. Realmente eram nobres, mas sua nobreza não vinha de um sangue real.... Arthur apresentou seu novo aposento a esposa , que fora redecorado em sua homenagem. A principal peça era uma grande tela de uma imponente mulher:

Condessa Elizabeth Bathory

Os olhos de Mihaita brilharam ao se admirar naquela pintura! Eram tão diferentes agora, mas em seu íntimo, ainda eram as mesmas mulheres!
_Espero que esteja de seu agrado, Liz querida! Esperei muito tempo por isso!

Ela sorriu, lhe retribuindo o carinho. Mas seus olhos não eram apaixonados como os dele. Eram frios, e possuiam uma sombra por trás, algo capaz de gelar qualquer espinha. Algo capaz de causar os piores pesadelos em quem os visse. Algo tão tenebroso como apenas uma alma perversa reencarnada poderia ter.

Jane Beresford escreveu:No corredor, escondida sob a sombra de uma armadura, Jane Beresford espionava o casal que acabara de chegar ao castelo. A velha enfermeira do castelo sabia o quanto as crianças malcriadas a escarniavam, fazendo pouco caso de seus remédios. Há muitos anos ela aprendera a se vingar desses diabinhos dando-lhes doses mais fortes de remédios mais amargos do que precisavam! Mas sua pequena vingancinha fora interrompida com a chegada de enfermeiros e medibruxos intrometidos, que a colocavam de lado, deixando que ficasse na enfermaria mais por pena do que por respeito!

Mas o final de semana do quadribol prometia! A enfermaria sempre ficava lotada de pestinhas machucados, e o enfermeiro metido a galã não poderia recusar sua ajuda, sua experiência! Jane estava tão exitada com essa notícia que mal conseguia dormir, e resolveu que uma caminhada pelos corredores a acalmaria.

Gostava de andar perto dos aposentos dos convidados e alto escalão de Hogwarts. Anos de prática a tinham ensinado a “flutuar” por aqueles corredores sem fazer um pio sequer. Seus ouvidos eram treinados a distinguirem os sons mais inaudíveis aos ouvidos comuns. Não havia segredo seguro com Jane Beresford por perto! Ela sabia mais história sobre Hogwarts que o livro “Hogwarts, uma História!”. Se resolvesse contá-la, estaria rica! Simpatica Zimbayeva tentou roubar sua história uma vez. Disse que dividiriam os lucros. Mas Jane não era boba, e sabia que a russa fugiria na primeira oportunidade. Não, ela preferia saboreá-los sozinha! Eram os SEUS tesouros!

Naquela noite, Jane saiu para se acalmar, e o que encontrou foi melhor do que imaginava. Há meses não via ou ouvia o diretor pelo castelo. E ele era a fonte dos segredos mais saborosos! Não teve duvidas ao segui-lo, quando o avistou chegando com a ex-professora de feitiços. Ela parecia diferente, devia estar doente, parecia pálida! Esgueirou-se como pode até ficar atrás da armadura próxima a porta dos aposentos do casal no sétimo andar. Eles tinham uma porta independente da entrada da sala do diretor, que ficava no segundo, mas poucos ali sabiam disso, somente os mais antigos como Jane, que conheciam aquele castelo como ninguém.

Se esforçava pra compreender o que diziam, quando se assustou com o que ouviu, dando dois passos para trás e esbarrando na armadura que há minutos a protegeu de ser vista pela diretor.

_Espero que esteja de seu agrado, Liz querida! Esperei muito tempo por isso!

Será que tinha ouvido direito? Então era verdade o que suspeitava!!! Elizabeth Bathory era Mihaita Vrajitoare! Aquilo seria pior que a revelação que Tom Riddle era Lord Voldemort!

A curiosidade de Beresford foi sua ruína. Voltou para a porta a fim de poder ouvir mais! Precisava de mais detalhes sobre aquele segredo. Mas a porta se abriu de sopetão, e a última coisa que viu foi um raio verde, e em seguida, seu corpo caiu inerte no chão com um baque surdo.

Sir Arthur Bassington escreveu:
Arthur estava tendo o momento de sua vida, se ele tinha conhecido felicidade antes, não se lembrava. Pois agora, diante dela, sua criadora, amante e cúmplice, ele sentia outra vez o sabor de estar vivo, mesmo que no seu caso isso fosse apenas uma metáfora. Os olhos, anteriormente violetas, mas agora negros como piche da romena estavam fixos no retrato do que outrora tinha sido sua aparência, mostrando toda sua satisfação. Quando foi condenada, séculos atrás, jurou que voltaria e recebeu também a promessa de seu amado de mover mundos para ajuda-la a concluir essa tarefa.

E como ele esperou, procurou! Seguia todos os sinais que indicassem que sua bela havia regressado, muitos deles falsos, que levaram o bruxo a encontros frustrados com mulheres vãs. Arthur já se sentia seco por dentro, quebrado e com toda uma eternidade solitária e lamentosa. Porém, o destino pode surpreender, mesmo que por caminhos não planejados a centelha de sua querida Bathory foi trazida diretamente até ele. A mulher sorriu maldosamente satisfeita e se mirou num espelho antigo que fazia parte da surpresa que seu consorte trazia, tinha pertencido a ela na outra vida e a imagem refletida era muito melhor, mais jovem e mais sensual que um dia fora. Num jogo de charme foi em direção ao seu vampiro e ia beijá-lo, mas um barulho os despertou do clima morbidamente romântico.

- Espere minha querida, que barulho foi esse? - Naquele momento os instintos de caçadores atiçaram os dois predadores em direção do som. Alguma coisa tinha se chocado com as latarias do lado de fora, poderia bem ser apenas Surda ou Leôncio em mais uma de suas artes, mas eles não contariam assim com o acaso.

Elizabeth ficou atrás de Arthur que silenciosamente foi em direção a porta e a abriu de supetão, revelado uma espantada Jane Beresford.

- Mulherzinha alcoviteira! AVADA KEDAVRA! - E chegava ao fim vida de fofocas e conspirações da velha enfermeira. Seu corpo caiu com um baque surdo, ainda reservando a mesma expressão que tinha ao ver a face do diretor e monstro em sua frente.

- Arthur, querido, não devia deixar lixo jogado à porta do nosso quarto... - caminhou calmamente com as mãos na cintura até o peso inútil da ex-enfermeira e pisou-lhe a face sem pressionar, apenas virando o rosto para o lado - Que visão desagradável a dessa mulher, de qualquer forma, foi um desperdício... Tanto sangue...

Mihaita soltou um falso suspiro de preocupação e deu a volta no corpo, cruzando os braços e analisando o que faria com ele, não poderia, obviamente, largá-lo ali, aos vermes, por mais que fosse essa sua vontade. Arthur admirou a atitude de Mihaita como se idolatra uma deusa, e então com um movimento de varinha, o corpo da mulher foi içado para dentro dos aposentos e jogado dentro de um velho armário sem uso.

- Não minha querida, esse sangue é sujo demais, nunca deixaria que você provasse algo tão ralo e podre. Quanto o que fazer com ele, depois meu elfo dará um jeito, agora venha, se quer sangue posso te oferecer isso. - Um uma ponteira de ouro que usava no dedo mindinho, o bruxo fez um corte no seu pulso e o ofereceu a bruxa-vampira. Um sorriso brincalhão dançou nos lábios dela antes de aceitar a oferta do sangue suculento e quente. O êxtase chegou para os dois, um prazer que não poderia ser descrito em palavras. Nada que um humano jamais poderia sentir, não era algo carnal, era espiritual. Era a sensação da vida correndo por suas veias.

Aproveitou daquele líquido como um sommelier aprecia um vinho raro, com cuidado, com paixão, cada parte de seu corpo frio estremecia ao toque daquele gosto nos lábios. Ao dar-se por satisfeita, naquele momento, levantou os olhos na direção do amado e sibilou perigosamente:

- Com certeza não tão bom quanto seria provar a vida de cada uma das infernais criaturas púberes que habitam esse castelo... - lançou-se num abraço frio, mas preciso - Me deixa provar... Só umazinha...

A risada do homem ecoou pela saleta. Soltou-se do abraço e estendeu a mão em convite para que fossem para outro ambiente e não onde agora fedia a morte nova. O ferimento em seu pulso já cicatrizava, devido seus poderes vampíricos e agora apresentava apenas uma discreta linha rosada.

- Meu anjo negro, por mim eu trancaria as portas desse castelo e eu deixaria você se divertir com todas essas pestes odiosas. Entretanto, temos uma imagem a zelar.- Ao ver a expressão de debochada impaciência nos olhos de sua amada, ele completou. - Ainda não é o momento de nos revelarmos, eu sei, eu sei, quão entendiante e aborrecido é passar os dias nesse castelo junto dessas pessoas e seus draminhas, coisinhas ordinárias perto do que podemos e iremos fazer. Porém, aqui você está segura, meu bem, ainda não está totalmente recuperada de suas faculdades para podermos ascender ao posto que nos é de direito. Preciso pegar o ritual original e aquela uva passa mofada com certeza está com ele. Fui enganado uma vez e esse é um erro que jamais cometerei novamente.

Chegaram agora na sala da diretoria, onde os quadros de diretores passados costumavam fazer companhia ao diretor que ocupava a cadeira. Com um feitiço das artes negras, eles ficavam estáticos, sem poder visitar seus outros quadros. Impossibilitados de alertar quem quer que fosse dos horrores que eram tramados ali no coração de Hogwarts.

- E quanto àquela escandalosazinha? - largou-se na cadeira do diretor e cruzou as pernas elegantemente, revelando uma abertura ousada na lateral do longo vestido negro de cetim adornado com um bordado em vermelho sangue.

Bathory estreitou os olhos para ele e apoiou o cotovelo sobre a mesa, o queixo pousou delicadamente sobre a mão enquanto perseguia a figura do homem mantendo-o em seu campo de visão. Referia-se, obviamente, à dama de vermelho, diretora da casa dos leões que parecia à romena mais perigosa do que realmente era. Ou talvez o fosse.

- Ela não me preocupa. Está sempre correndo atrás desses pulguentinhos. Sempre fazendo o trabalho sujo que, e eu sou tão grato a isso, - O tom de ironia era óbvio. , caberia a diretoria e se preocupando com a vidinha ingrata dela. Ela é avoada, nunca me ofereceu real perigo e além do mais, já tenho um destino para ela.

A vampira balançou a cabeça fazendo os longos e escorridos fios cor de ébano reluzirem um brilho peculiar à luz das fracas velas do local. Os lábios finos e delicados, pintados de um vermelho vivo, se contraíram em sinal de preocupação, quanto à esse assunto, ela sabia melhor que ele como lidar.

- Não se engane, meu amado, ainda tenho em minha mente as memórias da Mihaita. Eskarina é mais esperta e ardilosa do que aparenta... - pendeu a cabeça para o lado e lançou a ele um olhar ligeiramente maníaco - Não nos é conveniente deixar transparecer o que quer que seja... Ela é desconfiada, garanto que após a mudança no meu comportamento ela deve ter-se arrependido de trazer a romena de volta...

Os movimentos da agora vampira plena, delineando toda essência e maldade escondidos em seu interior, brincavam com a tentação que ela emanava. Enquanto falava ela sobre a tal bruxa, Arthur gostaria muito de ter encerrado o assunto para tratarem deles, mas voltou a focar-se no que era crucial e ponderar os fatos expostos.

- Nisso tem razão. Desde que o rolha de poço mandou esse tal auror e sua corja para o castelo, depois do ataque, essa mulher não para de vasculhar e desenterrar assuntos que não lhe dizem respeito e devo dizer, acabei deixando pontas soltas. Mas sem você, eu não era completo e .... - Ele hesitou por um momento e então pegou a mão da sua amada e continuou.

- E eu falhei diversas vezes, e a pior foi ter trazido aquele maluco para dentro do castelo. O que importa agora, é que somos um outra vez e o mundo não será páreo para nossos planos. E quanto aquela tal, tem uma pessoa que está muitíssimo ansioso para por as mãos nela e assim tirá-la do nosso caminho e nós nem precisarem sujar as mãos, só colocaremos nossos melhores trajes negros e iremos prestar solícitos, as condolências a família MacOgma.

Mihaita Vrajitoare escreveu:
Ambos riram do comentário. A mestra das trevas se levantou, os passos foram lânguidos até o amante e comparsa, deslizou as unhas compridas sobre o pescoço dele, indo na direção da nuca até puxá-lo suavemente contra si, mantendo os lábios próximos ao ouvido dele, sibilou:

- Então por que cometeu a burrice de arrastar essa vaca para o castelo? - mirou-o apenas com o olho que estava mais próximo ao rosto dele, passando a língua lentamente sobre os lábios, como se limpasse o próprio veneno - A sua sorte, meu amor, é que sou paciente. E sei o quanto você fez para me trazer de volta...

A dama acariciou-lhe a face e o olhou de um jeito forçosamente compadecido, para então segurar o queixo do homem e sussurrar.

- Não cometeremos mais erros... - desviou então o olhar para um quadro aleatório atrás dele, tivera um lampejo - A francesinha..! Aliás, AS francesas...

Arthur sentiu um arrepio percorrer a espinha. A maneira com que a romena o encarava agora mostrava seu desagrado, mesmo disfarçado em seu tom de voz ameno. A pergunta foi direta e por um momento ele não soube o que realmente responder. Quando ele viu o pedido de emprego da moça, não lhe pareceu ruim ter alguém para trabalhar por ele. Só tinha esquecido de um pequeno detalhe, o que essa tal moça fazia antes. Ele ia comentar alguma coisa banal e acabar de vez com o assunto Eskarina, porém, a própria Elizabeth fez isso. Agora, contudo, a atenção dela estava focada nas francesas. "Que francesas?" Pensou e repetiu em voz alta.

- Que francesas, Mihaita? - O tom de voz demonstrava um "quê" de impaciência, ele também não era mais o marido submisso de séculos atrás. Seus poderes se equiparavam aos dela, quando o transformou. Em breve estariam em níveis similares, então, não aceitaria certos comportamentos.

- Chevalier e Antoine. O sangue delas deve ser fortíssimo... Afinal, já as olhou, por acaso? Ter toda aquela juventude e beleza para mim... Especialmente a miniatura de MacOgma, quinze anos é uma fase primordial para toda mulher... Quero elas para mim. - era quase uma imposição, seu espírito era livre de mais para aceitar qualquer tipo de subordinação. Começou a amarar uns cordões das vestes de Arthur aproveitando para aproximar-se.

- Claro que já as notei. E entendo seu desejo, mas não. Você precisa se controlar. A menina Antoine foi um dos outros erros que cometi...

- Argh! Pare de enumerar seus erros, Arthur! Isso acaba com qualquer clima! - cruzou os braços e afastou-se dando-lhe as costas.

A romena estava vidrada na ideia de ter as duas bruxas, quem sabe até mesmo Eskarina, para banhar-se em suas vitaes, com certeza com aquele reforço manteria-se bela e jovem por séculos. Por breves momentos teve um lampejo de sorrisos gentis e palavras de carinho vindas de sua boca, o cheiro de rosas ficou forte sob suas narinas e ela enjoou. Não suportava mais aquele tipo de sensação, queria livrar-se disso de uma vez por todas, arrancar de si qualquer resquício das fraquezas humanas.

- Arthur, precisamos terminar esse ritual. O quanto antes!

Arthur entendia pelo que a sua amada estava passando. Essa transgressão de mortal para imortal era confusa e as vezes traumática, mesmo para alguém que já passara por isso antes e era uma das mais poderosas (e abomináveis) criaturas de sua época. O Bruxo veio até ela e a abraçou pelas costas, cruzando os braços na frente de modo a entrelaçar-se com as mãos brancas e frias da romena.

- Paciência, dragostea mea. Logo tudo isso terá acabado e será quem sempre foi, e terá tudo o que quiser, e eu lhe entregarei a garota e a Chevalier para que possa brincar com elas. E se quiser, não sou a favor, mas... existem vilarejos trouxas aqui por perto. Seria fácil demais conseguir uma criança trouxa de quem não sentirão falta...

flaskback • • •

A romena estava irritada, o corpo doía de um jeito estranho, era como se sua pele fosse arrancada lentamente. Na verdade o que se passava ali era o fim do ritual, ou pelo menos daquela parte do mesmo, a carne fraca continha agora dois espíritos, o até então adormecido, de Elizabeth Bathory e o já morto de Mihaita Vrajitoare. Levantou-se da cama na qual fora posta para repousar e deu fracos e incertos passos pelo quarto escuro, iluminado apenas por velas negras que tremulavam com a menor brisa e empesteavam o local com um forte cheiro de cera e sangue queimados. Ofegava enquanto seguia rumo até uma gaiola de prata. Agachou-se para mirar o par de olhos brilhantes que se escondiam na escuridão. Bateu contra o metal produzindo um som estridente.

- Saia daí, animal.

Claro que não esperava ser obedecida, a criatura emitiu um som semelhante ao de um gato assustado, a sombra avermelhada do ser encolhia-se ainda mais. A voz adolescente saiu rouca, furiosa, respondendo um "Afaste-se, monstro!". A morena pegou uma das velas vermelhas com runas demoníacas riscadas sobre ela e levou para perto da grade, agora podia ver uma figura adolescente, ruiva, usando vestes bruxas, em dias normais poderiam dizer que era apenas uma garota. Respondeu em tom debochado.

- Monstro?! EU?! Enxergue-se, animal!

Abriu a gaiola e aproveitou-se do amuleto que havia posto, sob ordens de Arthur, no pescoço da jovem. Arrastou-a pelos cabelos para fora e a jogou no chão. Era jovem, de fato, não era exatamente humana, mas seu espírito recém-renascido clamava por um banho generoso, qualquer nova experiência era bem-vinda. Esticou o braço e pegou um punhal ritualístico que jazia sobre a mesinha aos pés da cama. Caminhou calmamente, sabia que a criatura não poderia reagir, nem sequer agredi-la, estava totalmente bloqueada pelo pingente.

- Você matou minha mãe!!!

- "Você matou minha mãe"! CALE-SE! - imitou em falsete e deu um forte tapa no rosto da garota que a fez cair, ajoelhou-se ao lado dela e a olhou nos olhos, as íris antes tão lindas e lilases agora eram negras como a noite. - Sabe... Nunca experimentei sangue de homunculus. Você vai ter a honra de ser a primeira, Zaninha...

Elizabeth deslizou suavemente a lâmina fria sobre o rosto da garota, cujo coração estava apertado, a mulher que lhe dera a vida, lhe ensinara a ser uma menina, lhe tratara como uma filha, agora não existia mais. Engoliu em seco e proferiu algumas palavras em romeno, dizia "Adeus, mamãe. Te vejo em breve.".

• • • fim do flashback


- Mihaita? Mihaita? Elizabeth? - foi despertada do transe no qual mergulhara acidentalmente, nesse momento pôde sentir o gosto ácido do sangue da homunculus em seus lábios. De fato fora um grande proveito todo aquele fluido meio mágico, meio jovem.

- O que me diz? Posso providenciar essa noite mesmo, sangue puro, virgem, como você sempre preferiu. - O bruxo desvencilhou-se e foi até a sua mesa e estranhou como estava do mesmo jeito que deixara, sem trabalhos, comunicados. Lembrou-se que era fim de semana de "Quadribol" e que todos os alunos, professores e funcionários estariam no jogo ou já comemorando a insignificante vitória. Não importava. Desde que partira em segredo dias atrás, - deixando um feitiço ilusório em seu dormitório e com ordens explicitas aos elfos para sempre terem uma desculpa quanto a seu paradeiro. - não recebera noticia nenhuma do castelo. Provavelmente não teria acontecido nada, desde que aquelas estupidas garotas se meteram com as sardinhas superdesenvolvidas, tudo continuava como o diretor gostava, tranquilo e quieto, para ele pelo menos.

- Deixei ordens claras para aquele traste do Bennet para que me detalhasse tudo o que houvesse por aqui, mesmo que fosse um simples chá da maluca da Cauldwell e Shoronova. Entretanto, onde está esse homem? Com certeza, se embebedando em Hogsmeade. Santa incompetência, pelo menos, ele não faz perguntas. Só acho que ele precisa de um incentivo. - Quando dizia "Incentivo" não se referia a prêmio ou palavras amigas e sim uma sessão de tortura e intimidação.

- Uma das francesas. Me dê uma delas e eu não reclamarei mais até que estejamos prontos para completar de vez o ritual. - Virou-se e caminhou pela sala, até chegar ao bruxo, parou entre ele e a mesa e então sentou-se na mesma, cruzando as pernas e dando um leve sorriso com o canto dos lábios. - Mas para mostrar que não sou TÃO exigente... Aceito aquela latina. Ela deve ter o sangue fervente, apesar do comportamento típico de uma freira... E com aquele corpo! Que desperdício...

A bruxa estreitou os olhos na direção dos dele e abriu o sorriso, queria logo acabar com esse assunto e ater-se à coisas mais importantes e prazerosas.

- Por enquanto, uma menina desconhecida. Não podemos nos, não posso te arriscar assim. Se você quiser, terá. Só preciso acender a lareira. - E pelo tom de voz que usou, deixava claro que não voltariam mais no assunto das professoras, pelo menos não por enquanto. - Apesar que devo confessar que a ideia de incluir aquela "chica" metida a vidente é genial. Então, oferta final?

- Que seja, mas uma BEM bonitinha, entendeu? - revirou os olhos e levou as mãos à cintura de Arthur, puxando-o para que se aproximasse. Tocou seus lábios no dele, sem fechar os olhos. Sorriu provocante e se afastou, jogando o longa cabeleira para trás.

Arthur suspirou e riu, era como se um pai visse sua menininha voando em sua primeira vassoura de brinquedo. Ter sua Elizabeth de volta lhe dava forças e vida e em breve, o mundo.



Sir Arthur Bassington escreveu:


Arthur Bassington estava em seu escritório e aposento pessoal, sentado em sua poltrona, com as duas mãos cruzadas sobre o peito. Se respirasse, poderia ser notado algum movimento. A única coisa que denotava algum sinal de vida eram seus olhos. Frios e perigosos. Neles refletiam várias coisas, das quais não poderemos saber, mas o que se destacava eram o desdém e o ódio.

Sua adorada companheira dormia agora. Na verdade, dormir era o termo mais próximo para ser usado nesse momento de letargia que os vampiros caem obrigatoriamente quando o sol nasce e do qual saem quando o sol se põe. Estava tão bela e imaculada em seu caixão, envolta por seda e veludo. Tão bela como no dia que a conheceu, mais de quatrocentos anos atrás.

Por mais que sua alma fosse ancestral, seu corpo era jovem. Um receptáculo restaurado para tamanho poder. Embora os poderes que tivera em outra vida, voltassem com extrema rapidez, a constituição física ainda sofria com a transformação, com a adaptação. O sangue que bebia nunca a satisfazia e com isso, seu humor não era dos melhores.

Ele, no entanto, não era afetado severamente por essa carência sedenta e por esse ciclo que por muitos anos o deixara vulnerável. O bruxo-vampiro, se fazendo valer dos dons recebidos na transformação e dos poderes naturais de nascimento bruxo, conseguira depois de muitas tentativas, se livrar dessas amarras e andar entre os humanos durante os dias, desde que não fosse exposto diretamente sob sol forte. O topor não lhe prendia mais, a luz não o incomodava mais, até aquele dia nas ruínas, quando o ritual deu errado.

Depois do ritual falso, ele perdera sua liberdade ao sol e vivia escravo do dia, mas devido seus anos de acumulados poderes e os feitiços que tinha em si, a morte não o carregava para o sono, que tomava o corpo de sua amada. Ele ficava ali, sentado, entorpecido por pensamentos de glória e sangue.

E isso lhe fizera crescer na alma – usando apenas uma figura de linguagem, pois não podemos acreditar que Ele realmente tenha alguma. – o desejo sombrio e obsessivo por uma nova tentativa. E com a volta dela, a idéia de não se mostrar, de não buscar o poder declarado, a muito fora abandonado.

Sim, eles mereciam destaque, poder. Eram, os dois, uma raça superior. Superior que os ínfimos vampiros ou prepotentes bruxos. E o que dizer da escória trouxa? Nada. Desejavam, tinham sede, e essa sede estava se tornando maior até mesmo que a necessidade de sangue. Ela queria o que lhe era reservado no passado. O reconhecimento, o medo que seu nome causava. Ambos acreditavam que o poder precisava vir do medo. O medo valia mais do que o respeito, do que a justiça. O medo era o que tornava a obediência possível.

O Diretor sorriu, quase imperceptivelmente, se os quadros dos diretores antepassados não estivessem enfeitiçados de modo a não visualizarem nada desse lado da moldura, teriam visto a imagem do mal verdadeiro. Em carne morta, ossos e ódio.

Nesse momento, em algum lugar da Ásia, alguns enviados do casal buscavam e pesquisavam a origem do ritual verdadeiro, buscavam os tais Monges Negros, aqueles que tinham encontrado a imortalidade e o poder, aqueles que nas veias corria o sangue mais negro e mais assombroso que já se ouviram falar. Durante essa busca, várias aldeotas foram exterminadas, segredos foram revelados, lares e santuários profanados. Esses que faziam a busca, eram párias da sociedade, cruéis e dominados pela promessa de um futuro promiscuo e liberto das leis. Era burros demais para saber o valor do que buscavam e covardes demais para procurarem saber, apenas reproduziam as ordens como marionetes.

Lendas, mitos para muitos, para Bassinton e Mihaita, era a solução para as ultimas amarras que os impediam de dominar o mundo bruxo. Sentiu o coração palpitar, sim, era o único órgão de seu corpo que ainda carregava alguma vida, a vida que era sugada do sangue. Levantou-se e foi até uma parte do ambiente separada por uma grossa cortina de veludo escuro. Atrás, os sons cessaram. O medo dos seres que estavam aprisionados dentro de gaiolas poderia ser farejado. Eles sabiam, sempre que um saía, não mais voltava. O medo cheirava a morte.

O vampiro escolheu um coelho a ermo. Não sentia fome, era mais por costume ou por tédio. O animalzinho tremia, debatendo-se tentava escapar, porém, as presas mortais rasgaram a jugular com imensa rapidez. Os olhinhos marejados do bichinho fixaram-se nos ex-companheiros e seus guinchos cessaram em poucos espasmos, enquanto sua vida esvaia junto de seu sangue para a garganta daquele mostro.
As vidas que ainda restavam na prisão improvisada, se apegaram firmemente uns nos outros, buscando um fiapo de esperança, mas os olhos do mostro diziam que não haveria esperança para eles, nunca.

Ao terminar, descartou a carcaça vazia. O pelo alvo e macio estava machado de vermelho morto. Com um movimento de varinha em uma mão fez o corpo virar osso e os ossos virarem pó, a outra limpava sua boca, de algum restante de liquido. Deveria fazer isso com aquela velha enxerida, transformá-la em pó, em nada, mas isso poderia esperar, afinal, ela não estaria a sua vista atrapalhando a decoração.

O coração tomou um novo impulso, ritmado e potente. Era a melhor sensação do mundo, em vida ou morte, sentir o sangue jorrando por suas veias. Mesmo que fosse uma quantia ínfima, de um animal, ainda assim era bom. Não se comparava com sangue humano, obviamente, mas servia. Ele podia ouvir seu coração batendo compassado, ritmado. Ouvia a pulsação minúscula, mas acelerada dos animais que aterrorizados não ousavam sequer chiar e pensou: “Por que não?”.

Batidas desesperadas na porta o fizeram mudar seu rumo, para sorte – pelo menos momentânea – daqueles que ainda restavam. Puxou a cortina para encobrir seus segredos. E voltou ao centro de seu aposento. Sabia que mais cedo ou mais tarde seria importunado com assuntos irrisórios daquele castelo, mas era o seu disfarce, por mais um tempo.

De volta à sua mesa, acenou com a varinha e a porta se abriu, dando passagem para um esbaforido Tyler Bennet. O dia parecia estar ficando mais animado, era ele justamente quem o diretor gostaria de ver. Seus momentos de tédio acabaram.

O professor de voo balbuciou alguns cumprimentos, mas foi interrompido por um Bassington anormalmente calmo. E Bennet sabia que não era boa coisa;

– Ora, ora, ora. A que devo a honra dessa ilustre visita? Um bruxo como você tem muitos compromissos, presumo. Compromissos esses, que fazem com que não cumpra suas obrigações e tarefas. O que foi, Bennet, não tem nada a dizer? - Tyler tinha motivos reais para temer, pois tinha ficado encarregado de manter o diretor informado de todos os passos de Eskarina e tudo mais que acontecesse no castelo e ao invés disso, sumira. Nem uma explicação o salvaria, mas sua informação, se ele conseguisse dizer antes... Ele tentou, mas o fim da calmaria terminou rápido demais.

LANGLOCK! – Tyler levou a mão à garganta, sentindo-a apertar e a língua colar no céu da boca. Arthur sorria. – PRONTO! Isso evitara que ouça suas desculpas esfarrapadas ou seus grunhidos, seu porco inútil.

- PETRIFICUS TOTALUS
– O corpo do bruxo ficou imóvel e Arthur arremessou-o até a parede, onde bateu e ficou parado numa posição estranha, certamente dolorosa.

– Com quem acha que estava lidando, seu inseto? Se eu dou uma ordem, ela deve ser cumprida. Chego ao castelo e nada, nada. No escuro. Que tipo de serviçal é você? Sua inutilidade me cansou!- O diretor apontou a varinha para um dos braços de Bennet, uma, duas, três vezes. SECTOTERGUM! – Cortes fundos apareceram na carne e o sangue escorreu veloz indo parar no carpete. O cheiro de sangue humano, quente, doce, encheu o ar. Entretanto, isso não distraiu Bassington de seu propósito inicial. Sua satisfação seria matar o homem inútil, lenta e dolorosamente.

Mais uma vez usou o feitiço de corte, no braço oposto. A carne viva exposta, os olhos arregalados e a falta de cor no rosto de Bennet davam prazer sobrenatural ao bruxo-vampiro. Um simples Crucio não traria tanta satisfação.

– Não preciso de um lixo que não consegue cumprir uma ordem simples e direta. Eu disse, Vigie. Estúpido macaco acéfalo, achou mesmo que bastaria me bajular, lamber meus sapatos e ficaria tudo bem? Pensou que era esperto o suficiente para tentar me “enrolar”?... Diga, o que estava pensando? – Na verdade, quando Bassington tirou o feitiço da língua presa de Bennet, não era para ouvir suas razões e sim para se divertir um pouco mais, tinha decidido acabar com o inútil que não lhe servia mais.

Todavia, aproveitando esse momento crucial, Tyler não tentou desculpas ou dar razões, foi direto no ponto crucial: Eskarina e a reunião da estufa. Detalhou o quanto pode e quando terminou, caiu ao chão, respirando pesado, segurando os braços onde os cortes ainda sangravam. Uma boa informação pode mesmo salvar uma vida.

O bruxo-vampiro acabou por notar que não se surpreendera, chegou até a pensar que demorou um pouco demais para a tal auror e a tal vidente desconfiarem algo. Só era incomodo ser agora, quando sua amada ainda não estava em plena forma.

– Então o resto do bando de macacos está vindo pegar o Boogie man... O que devo fazer, Bennet? – Era uma pergunta retórica, ele sabia bem o que fazer.

– Agora me escute bem, seu energúmeno. Se ainda quer viver, faça exatamente o que eu disser, ou será o primeiro a conseguir uma visita para além do véu e sem volta. Fui claro? – Um aceno. Uma afirmativa.

Bassington foi até sua lareira e jogou nela um pó escuro que deixou as chamas púrpuras e fúnebres. Tyler não pode ver o que ou quem aparecera do outro lado, apenas ouviu as palavras que seguiram.

– Reúna todos, temos pouco tempo. A MacOgma está vindo para cá com a corja. Não, claro que não, mas a oportunidade faz o momento e se querem a mim e minha dama, daremos o que querem, só que deveriam ter cuidado com o que desejam...

Arthur foi até a janela mais alta, que dava a visão para toda extensão do castelo. A luz do sol ardeu-lhe os olhos, porém, ele pouco se importou. Com a varinha descreveu círculos e sinais no ar, o feitiço macabro foi levado pelo vento como veneno, acabando com as defesas mágicas que cercava o castelo liberando a entrada para os bruxos negros que em breve viriam, e outros encantamentos tão sujos quanto os primeiros iam aterrissar em seres nada amigáveis e que num minuto sentiam-se atraídos para os terrenos de Hogwarts.

Estava iniciado. Ele se colocaria outra vez diante do mundo. Contudo, sua maior aliada ainda estava impossibilitada de vir para seu lado. Não precisou de relógio para saber qual era a hora e quanto tempo faltava para o Despertar. Duas horas, um espaço tão curto e tão longo ao mesmo tempo.

– Providenciei uma distraçãozinha para esse tempo que minha Elizabeth ainda repousa. Vá e os atrase. Ninguém deve chegar perto desse corredor, logo tomaremos nosso lugar. Outros virão em breve, logo todos saberão a quem devem respeito, e aquela bruxa metida terá perecido pela minha mão.

- Bennet, hoje compensou um pouco sua inutilidade. Se ainda quer fazer parte do novo mundo, do novo centro de poder, escolha apenas um lado e o certo. Uma falha mais, está morto. Agora suma daqui, providencie para que Os convidados sejam bem recebidos.


O professor de voo não questionou ou sequer olhou para trás, correu ao encontro daqueles que agora tentavam – infelizmente, sem sucesso – proteger o castelo e seus ocupantes.

Arthur Bassington, parou de frente para a porta que levava ao aposento onde sua adorava repousava, esperaria. Esse era o momento deles e juntos desfrutariam das glórias e do sangue.

Hoje uma nova ameaça crescia no crepúsculo do mundo, e traria trevas novamente sobre a bruxandade.


Tyler Bennet escreveu:
• Estufas


Ainda nas estufas com os demais professores, Bennet não tinha muito o que fazer naquele local, sentia que precisava sair daquele ambiente o mais rápido possível e de maneira mais discreta possível. Após fazer uma “Defesa” para o lado do diretor, mesmo sem saber muito o que estava acontecendo teoricamente, Tyler não se sentiu muito bem com todos os olhares voltando para ele. Chamar atenção daquela maneira, e naquele momento era algo que ele realmente não estava preparado para lidar.

Em um dos momentos que Eskarina falava, Tyler aproveitou a concentração de todos os professores na Dama de Vermelho e saiu das estufas rumo a sala do diretor, existia algo entre os dois bruxos que não era divulgado aos demais. Perante as atuais circunstancias, Tyler precisava informar tudo que estava acontecendo no castelo, e precisava informar naquele momento.

• Sala do diretor


No caminho para a sala do diretor, Tyler andava de maneira mais natural possível, a reunião que estava acontecendo nas estufas deveria ser mantida em sigilo absoluto, no entanto sigilo esse que estava prestes a ser quebrado pelo professor de vôo ao se preparar para passar todas as informações que foram obtidas pelo professor.

Andando pelos corredores do castelo, Tyler com suas vestes pretas, com as mãos novamente no bolso, com a varinha em punho, andava de maneira calma e um pouco desorientada, a única vez que havia entrado na sala do diretor foi no dia que informou a bandeira vermelha próxima ao lago.

Prestes ao grande encontro com diretor, Tyler andava pelos corredores um pouco ofegante, afobado, afinal a informação que trazia era algo de grande importância, por se tratar do diretor, antes mesmo de bater à porta da sala do mesmo, tudo aparentava que a sua presença já era esperada pelo diretor, a porta logo no momento que se abriu, foi possível ouvir o diretor falando se referindo a Tyler

– Ora, ora, ora. A que devo a honra dessa ilustre visita? Um bruxo como você tem muitos compromissos, presumo. Compromissos esses, que fazem com que não cumpra suas obrigações e tarefas. O que foi, Bennet, não tem nada a dizer?

Tyler estava suando frio, durante o pronunciamento do diretor, Tyler já estava se preparando para uma morte súbita, mas tinha plena consciência que o Sir Bassington primeiro iria tirar suas informações para depois pensar em matá-lo.

Antes mesmo de poder falar e tentar se defender de maneira verbal, o diretor lançou um Langlock no professor que estava presente, no mesmo instante sentiu sua garganta ser apertada, sua respiração que já se encontrava com dificuldades se complicou mais ainda, e sua língua que tanto precisava se “expressar” foi “colada” no céu da boca.

Com todo aquele princípio de tortura, Tyler ainda era obrigado a ouvir o tom de sarcasmo do diretor:

– PRONTO! Isso evitara que ouça suas desculpas esfarrapadas ou seus grunhidos, seu porco inútil.

Foi tudo muito rápido, em poucos segundos, Tyler havia sido petrificado, tornando imóvel, como se não bastasse anteriormente ter ficado com problemas de respiração e a lingua colada. Isso tudo não era suficiente para o diretor, ele precisava jogar o corpo do Bennet já petrificado na parede, queria torturá-lo a um nível comunal.

– Com quem acha que estava lidando, seu inseto? Se eu dou uma ordem, ela deve ser cumprida. Chego ao castelo e nada, nada. No escuro. Que tipo de serviçal é você? Sua inutilidade me cansou!-

Mesmo petrificado, era possivel notar nos olhos do diretor a vontade de matar Tyler Bennet, sua vontade era tanta que o mesmo portergava a morte do professor, novamente não bastando a petrificação, Bassington pegou sua varia e conjurou o feitiço Sectotergum por pelo menos três vezes em um dos braços do professor que estava contorcido e jogado na parede.

Não satisfeito com toda a dor que estava causando, conjurou novamente o feitiço recem lançado no outro braço de Bennet que já estava imerso em uma poça imensa de sangue. Com tanto sangue sendo jorrado, era natural que as caracteristicas do professor mudassem, sua pele já pálida pela falta de sangue era claramente notável, parecia que estava morto a anos já, o sofrimento em seus olhos era imenso que não era possivel descrever o mesmo.

– Não preciso de um lixo que não consegue cumprir uma ordem simples e direta. Eu disse, Vigie. Estúpido macaco acéfalo, achou mesmo que bastaria me bajular, lamber meus sapatos e ficaria tudo bem? Pensou que era esperto o suficiente para tentar me “enrolar”?... Diga, o que estava pensando?

As palavras do diretor eram cada vez mais agressivas, após tirar o feitiço da lingua presa de Bennet, a primeira vontade de Tyler era de gritar de dor, mas precisava usar aquele raro momento para se defender de alguma forma. Precisava salvar sua vida que já estava praticamente destruida.

Senhor, neste momento está acontecendo uma reunião de caráter secreto nas estufas, reunião essa organizada por Eskarina, todas as convocações foram entregues pelo elfo da bruxa. Eskarina descobriu tudo milorde, sabe da reencarnação de Elizabeth, da morte da enfermeira, do ritual que o senhor realizou e não funcionou, completamente tudo, e está formando uma tropa para enfrentá-lo e retirá-lo de Hogwarts .

Após passar todas as informações possivel, naquele curto periodo, Tyler levou suas maos aos cortes e fazia pequenos sussurros de dor, os cortes a cada momento que passava doia mais ainda, e o sangue parecia não parar de jorrar.

Se contorcendo de dor, Bennet não podia de deixar de ouvir todo o sarcasmo do diretor, parecia que o bruxo não se cansava, mesmo tendo as informaçoes necessárias.

– Então o resto do bando de macacos está vindo pegar o Boogie man... O que devo fazer, Bennet?

Tyler em meio de tanto sangue, ficou sem ter o que responder.

– Agora me escute bem, seu energúmeno. Se ainda quer viver, faça exatamente o que eu disser, ou será o primeiro a conseguir uma visita para além do véu e sem volta. Fui claro?

Todo ensanguentado, o professor fez um sinal com a cabeça de positivo, sabia que era o ultimo voto de confiança que o diretor estava dando para o mesmo, e não podia nem pensar em um fracasso.

– Reúna todos, temos pouco tempo. A MacOgma está vindo para cá com a corja. Não, claro que não, mas a oportunidade faz o momento e se querem a mim e minha dama, daremos o que querem, só que deveriam ter cuidado com o que desejam...

Sim senhor, irei fazer isso o mais rápido possivel, reunirei todos os membros a tempo

- Bennet, hoje compensou um pouco sua inutilidade. Se ainda quer fazer parte do novo mundo, do novo centro de poder, escolha apenas um lado e o certo. Uma falha mais, está morto. Agora suma daqui, providencie para que Os convidados sejam bem recebidos.

Obrigado Senhor, claro que já tenho um lado definido, o seu, estou saindo imediatamente em busca dos membros

No mesmo instante, com pouco sangue em seu corpo, já enfraquecido, se retirou da sala do diretor, não podia se dirigir a enfermaria, com o pouco de conhecimento que tinha no ramo da medicina bruxa, , pegou frasco de poçoes e aplicou nos cortes, não era uma poção muito boa, mas era suficiente para estancar o sangue e iniciar o fechamento dos cortes e não deixar rastro de sangue pelo corredor do castelo.
No mesmo momento, foi em busca dos membros que o diretor se referia.


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Leonard Graaf

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Re: Trama - Ano IV

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