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Mensagem por Eskarina MacOgma em Sex Jan 21, 2011 10:28 pm

Aida Valker escreveu:Já se passara três meses desde o ataque ao castelo. Aida não conseguia se controlar mais. Aquela situação já tinha chegado ao limite. Há um ano, quando os monstros invadiram a partida final de Quadribol, e ela, Manuela e Fiona começaram as investigações nas ruínas, a cada dia, tinha mais certeza de quem estava por trás de tudo!

Mas ele não era um qualquer! Precisava tomar todo o cuidado! Caçar vampiros estava em seu sangue, era o carma de sua família. E eles tinham um ali, em Hogwarts, com todas aquelas crianças indefesas! O que mais intrigava a professora era o fato de não terem registrado nenhuma ocorrência direta. Ele, até então, conseguira disfarçar muito bem seus passos. Mas o que poderia estar querendo em Hogwarts?

Aida andava de um lado para outro em seu escritório, e o eco de seus passos ressoavam nas orelhas de Wolfer, que estava tão perturbado quanto ela, trancado do lado de fora. Mas seus distúrbios eram justamente por estar sendo deixado de lado da agitação.

Finalmente ela se decidiu. Passou a mão em seu sobretudo de veludo preto e sua varinha. Mal falou com Wolfer, quando abriu a porta, pois sabia que se o fizesse, o lobo tentaria persuadi-la, ou talvez, ele quisesse morder, ele mesmo, a jugular do diretor.

Dirigiu-se ao segundo andar com passos firmes. Encontrou com alguns alunos de sua casa pelo caminho. O ânimo dos lufanos andava um pouco baixo por causa do placar das casas, mas Aida não podia se distrair agora. Seu instinto de caçadora estava pulsando alto.

Parou diante das gárgulas que guardavam a entrada para a escada de caracol e disse: “Alho poró.” As gárgulas, a contragosto, liberaram a passagem. “Que senha mais infame...” _pensou a professora. Colocou os dois pés sobre o primeiro degrau, e a escada começou a se mover, magicamente, levando-a até o sétimo andar. Bateu duas vezes na porta, e uma voz sonora e firme permitiu que ela entrasse.

_Com licença, Sir Bassington. “Obrigada” por poder me receber. Sabemos o quão ocupado o senhor é.

Mas o diretor era um homem experiente para se deixar levar por falsas bajulações.

_Muito bem, vou direto ao assunto. O senhor muito bem sabe qual era minha profissão antes de vir lecionar Runas Antigas em Hogwarts e me pergunto por que, mesmo assim, permitiu que eu ficasse. Mas seu tempo de reinado acabou, “Sir” Bassington. Não sei o que pretende estando como diretor de Hogwarts, mas não permitirei que um vampiro permaneça no comando dessas crianças! _apesar do nervosismo, Aida mantinha-se firme. De pé, mantendo uma certa distância da escrivaninha de seu oponente. A adrenalina corria em suas veias, a fazendo se lembrar de sua juventude na Romênia, quando a esta hora estaria travando uma batalha corpo a corpo com sua futura vitima. Mas ela não era tola de fazer isso com aquele que estava à sua frente, pois um ser como Bassington era, no mínimo, cem vezes mais forte que ela e dificilmente se entregaria tão fácil. O sorrio que surgiu em seus lábios era assustador, mas a professora não ia desistir.

Sir Arthur Bassington escreveu:Se estar ali não fosse por um objetivo maior, talvez Sir Arthur Bassington já tivesse colocado tudo a perder. Já não suportava as gritarias das crianças, a mania de festas de Eskarina a pompa e orgulho de Butler e Fujiwara e cia. E pensar que com um piscar de olhos poderia se livrar de todos eles. E agora, para lhe piorar a situação, Anna Shoronova voltava a aprontar das suas. Tinha em suas mãos uma petição dos alunos da Sonserina exigindo sua cabeça numa bandeja de prata. Mas Bassington, no fundo, gostava do caos que a professora causava. Sabia que suas aulas eram as mais politicamente incorretas e isso o fazia rir, o quer era raro. Nada como apagar a história para se destruir um povo... e como os futuros governantes seriam os alunos do presente, eles não teriam um passado e em poucos séculos, estariam apagados da história. “E viva Rasputin!”.

Seu raro momento de distração foi interrompido por uma visita. Sir Arthur sentiu o perfume de Aida Valker atrás de sua pesada porta de madeira, e ele lhe dizia ser de uma mulher forte e determinada, mas principalmente, causadora de problemas.
Assim que ela deu duas batidas na porta, ele respondeu de pronto: “Entre!

_Com licença, Sir Bassington. “Obrigada” por poder me receber. Sabemos o quão ocupado o senhor é.

_Deixemos de formalidades, Srta. Valker. Diga-me a que veio, e sente-se, se for de seu agrado. _disse o diretor, levemente seco. Mas a professora não sentou-se.

_Muito bem, vou direto ao assunto. O senhor muito bem sabe qual era minha profissão antes de vir lecionar Runas Antigas em Hogwarts e me pergunto por que, mesmo assim, permitiu que eu ficasse. Mas seu tempo de reinado acabou, “Sir” Bassington. Não sei o que pretende estando como diretor de Hogwarts, mas não permitirei que um vampiro permaneça no comando dessas crianças!

Um brilho vermelho passou pelos olhos do diretor quando ouviu a palavra “vampiro”. Encostou-se em sua cadeira e cruzou as mãos pálidas sobre o colo, jogando a cabeça adornada por longos fios de cabelos bem cuidados, para trás.

_Não tenha dúvidas, senhorita, que sua fama a precede. Fiz questão de ter apenas os “melhores” ao meu lado para ensinar essas doces crianças.- seus braços se abriram num gesto como se as crianças estivessem à sua volta. E lentamente voltaram para a posição inicial sobre o colo, enquanto seus lábios se esticavam num sorriso perigoso, de um predador prestes a abocanhar sua presa.

_Mas, realmente me admira que a senhorita seja tão influenciável e inocente a ponto de vir ao meu escritório me dizer um disparate desses, sem ao menos trazer reforços? Tsc tsc Que pena, porque se eu fosse realmente o que a senhorita sugere, já não estaria estirada sobre este fino tapete persa sob seus pés, sem vida?

Seus olhos a convidaram a morder a isca. Era como se ele fosse capaz de manipular a atmosfera a seu redor. Aida tinha entrado em sua teia, e só saíria viva se ele permitisse.

Aida Valker escreveu:Assim já era demais! Não poderia suportar ser humilhada por um ser tão vil! Ele queria provas? Ela as daria!

_Muito bem. Como o senhor mesmo disse, eu não me atreveria a vir aqui senão tivesse certeza do que estou falando. O senhor é sem dúvida um exímio limpador de pistas, mas não é perfeito. Deveria ter providenciado o desaparecimento de seus cúmplices e de suas vítimas, se não queria deixar rastros.

Seu ritual satânico na floresta nos deu trabalho, mas finalmente consegui achar a origem das runas que usou. Não entendo porque um ser imortal busca a imortalidade que já tem, mas usar crianças de 11 anos foi um pouco longe demais!
_ Seu tom de voz agora era agressivo. Seus punhos estavam cerrados e ela lutava para não lançar uma Maldição Imperdoável no “Sir” à sua frente, para fazê-lo sofrer tanto quanto as quatro pobres meninas no ano anterior.

_Mas sua crueldade lhe trouxe conseqüências! Até as criaturas da floresta perceberam e foi por isso que nos atacaram no baile de inverno! Não sei como conseguiu despistar Eskarina, mas com os sereianos e centauros não teve a mesma sorte. Não demorará muito para que o Ministério saiba também.

Seu coração pulsava acelerado, forçando suas veias para fora do corpo. Aida sabia o risco que estava correndo, mas não podia desistir agora.

Sir Arthur Bassington escreveu: “Ah, humanos... sempre tão cheios de si...”, pensava consigo enquanto a professora de Runas discursava a sua frente. Ela sem dúvida juntara os elementos. Mas tinha ciência que não era páreo para ele. Seria mais fácil que roubar doce de criança.

_Excelente! Bravo! _Sir Arthur batia palmas ao final do discurso da professora. _Muito bem! Mostrou a que veio! – dizia entusiasmado enquanto se levantava lentamente. Contornou a professora, e por trás, aproximou-se lentamente de seu pescoço nu e sentiu o aroma doce de seu sangue pulsando em sua veia, clamando por suas presas sedentas. A adrenalina que ali corria era como tempero para ele. Sir Arthur sentia o tremor do corpo dela, mas nada fez.

Recuou novamente, contornando os globos que adornavam seu imenso escritório e parou na janela, dando bastante ar para Aida respirar, enquanto observava as crianças que brincavam nos jardins sob o sol da Primavera.

_Aida, disse calmamente, eu poderia matá-la agora, e você sabe que eu já o teria feito se realmente o quisesse. Mas... EU estou lhe dando uma chance! E não apenas uma chance de sair deste escritório com “vida”, mas realmente lhe “devolver” a vida que lhe foi tirada quando você nasceu!

Ele tornou a se aproximar dela e parou defronte, mantendo seu olhar fixo no dela.
_Sim, como você mesma disse, eu conheço muito bem cada um daqueles que trabalham para mim. Cada um... e cada milímetro de oportunidade que suas pobres vidas possam me oferecer. Seu tempo está se esgotando, caçadora. E se contava com sua missão suicida, vindo até mim hoje, esqueça. Eu lhe ofereço mais! _abriu os braços de forma enérgica_Eu lhe ofereço o mundo!, fez uma pausa, diminuiu o tom de voz e aproximou-se um passo para frente. _Eu lhe ofereço uma vida ao lado de Lied, longa e próspera, até a velhice, ou até quando você quiser, livre de qualquer maldição. E então, o que me diz?

Eles agora estavam frente a frente, um pouco mais de um palmo separava seus rostos. Um ouvindo a respiração do outro. Ele, sorrindo, ela, tensa. Sua vida sendo revolvida em milésimos de segundos. Sir Arthur podia ouvir seus pensamentos tortos, se atropelando. Imagens de infância. Sorrisos perdidos no tempo, e uma intensa vontade de viver...

Anonymous escreveu:Tatsuya Fujiwara passara um bom tempo pensando nos últimos meses. As nuances do vocabulário sereiano não eram claras a mais ninguém naquele castelo, e embora naquela situação o professor tivesse julgado tudo um exagero devido à irritação e sensibilidade do povo do lago, quando pôde pensar com mais calma, viu que, no final das contas, eles estavam certos.

Mas ele não sabia quão poderoso era Sir Arthur Bassington – “Sir...”, pensava Fujiwara com desdém –, e não sabia quais conhecimentos sobre magia humana ele possuía, o que atrapalhava seus planos naquele castelo. Saber que o chefe era um vampiro mudava tudo, mas não saber do que era capaz atrapalhava mais ainda. Conseguiria perceber, pelo cheiro, talvez, se ele começasse a estocar ervas raras? Não, ele não podia correr esse risco.

Passado certo tempo, sua colega, Aida Valker, deixara o castelo e seus pupilos sem nada mais que um bilhete. Supôs que a saída dela tivesse relação com a verdadeira identidade do Diretor, mas não tinha como ter certeza. Talvez fosse pura paranoia. De qualquer forma, havia rumores de que a professora de Feitiços, Mihaita Vrajitoare, também deixaria seu cargo. Oras, mas que conveniente!

Era sábado, e embora o verão estivesse batendo as pesadas portas de carvalho do castelo, as masmorras ainda se encontravam frias. Saiu de seu escritório, trancando-o com alguns feitiços, como de costume, e foi em direção ao segundo andar. No meio do caminho, cruzou com alguns alunos do primeiro e segundo ano que comentavam, com cochichos em voz não tão baixa quanto deveriam, sobre a presença do Diretor na sala da Professora Anna Shoronova. Era final de ano e Fujiwara já tinha tudo em ordem, não tinha serviços pendentes, poderia esperar.

De frente à gárgula, deu a senha e subiu a escada em espiral até a sala do diretor. Bateu a porta e entrou, pedindo licença, não ao Diretor ausente, mas ao local e aos demais diretores retratados em todas as paredes. Tomou a liberdade de se acomodar em uma cadeira em frente à mesa de Sir Bassington e esperou. Conhecia o segredo dele, e sabia que, mesmo não sendo tudo responsabilidade dele (e Fujiwara não sabia o que era e o que não era), monstros aparecendo, alunas sendo raptadas e professores deixando seus cargos um atrás do outro eram fatos que poderiam ser usados contra ele. O desaparecimento do professor estrangeiro só aumentaria a lista, e este poderia simplesmente divulgar suas suspeitas sem ameaçar o Diretor.

Não, ele definitivamente estava disposto a tirar vantagens da situação.

Sir Arthur Bassington escreveu:Definitivamente aquele era um dia para Sir Arthur manter-se em seu retiro. Quem sabe uma viagem pela Europa Central? Talvez até desse uma carona para a ex-professora Valker chegar mais rápido à Romênia. Agora era voltar a seu escritório e liquidar com os pergaminhos burocráticos, descontar seu ódio no elfo metido a palhaço e esquecer a visão que tivera da bela mulher de 1,79m, de roupas íntimas. Por mais que seu sangue fosse frio, não podia negar a atração que sentiu.

Seu cenho franziu-se imediatamente ao lembrar-se a quem aquele corpo realmente pertencia. E só de imaginar-se com Anna Shoronova, seu sangue esfriou por completo.

“Alho poró”, sussurrou, e as gárgulas lhe deram passagem. Subiu no primeiro degrau e a escada começou a levá-lo para cima. Na altura do quarto andar, sentiu um cheiro estranho, lembrava mofo com peixe cru. Inconscientemente, Sir Arthur levou a mão às narinas, tentando impedir que o odor continuasse a penetrar suas narinas sensíveis. Lembrava-se de ter sentido esse cheiro antes quando fora “diplomaticamente” negociar com os sereianos. “Por Merlin, será que um infeliz daqueles está na minha sala?”

Quando atingiu o sétimo andar, a porta se abriu a um comando do diretor, dando visão à mesa ainda entulhada, e a origem do desagradável odor. Confortavelmente acomodado na cadeira em frente, estava o intocável professor de Poções e Serêiaco, Tatsuya Fujiwara. “Agora sei a origem do cheiro... e da minha dor de cabeça latente...”, pensou o diretor consigo ainda parado na soleira da porta.

Respirou fundo tentando não sentir o cheiro ambiente, que parecia não ser percebido pelo “convidado”. Contornou a mesa e foi ocupar seu lugar, tendo o cuidado de antes, com um leve gesto de varinha, abrir uma brecha nas cortinas das janelas.
_ A que devo a visita? Espero que não esteja correndo o boato de que minha sala se tornou um parque de diversões para os professores. _ironizava Sir Arthur à menção de tantas “visitas” recentes. _Seja breve e direto, Sr. Fujiwara, pois estou tendo um dia cheio.

O modo agressivo e pouco receptivo pareceu quebrar um pouco a expectativa do professor japonês. Ambos já estiveram juntos anteriormente, e por mais frio que Sir Arthur tivesse sido, com certeza não tinha deixado de manter o mínimo de boa conduta. No entanto, aquela manhã de sábado era atípica. E tudo que ele menos precisava era resolver probleminhas insignificantes de professores. Alunos derrubando caldeirões, colocando fogo em sala de aula, azarando colegas, isso era normal! Afinal, estavam e uma escola de magia!

Jogou seus longos fios de cabelo para trás, cruzou as mãos sobre o colo e aguardou, o que aquele homem teria de tão importante a dizer que o impediria de transfigurá-lo num sushi sem shoyo e sem saquê?

Anonymous escreveu:Enquanto espera Sir Bassington aparecer em seu covil, Tatsuya Fujiwara começara a reparar no escritório. Sabia, de conversas anteriores com os demais membros do corpo docente, a aparência aproximada do escritório do Diretor, mas não conhecia detalhes, principalmente porque sua entrevista de emprego não havia sido no castelo. O que podia observar, no entanto, era que o ambiente parecia um tanto quanto... “Sombrio”. Os quadros, retratados na parede, pareciam desconfortáveis em suas molduras. Mas, claro, isso tudo poderia ser mera impressão de um bruxo pouco sociável.

Apesar do ambiente pesado, porém, Fujiwara não se sentia tão mal no local. Isso até aquele frio na espinha repentino. Então, seu nariz, com um olfato mais apurado, tendo sido treinado desde criança a distinguir aromas e odores, foi invadido com o delicado perfume do Diretor. O professor não sabia descrever o cheiro, nunca tendo sentido nada parecido antes, mas com certeza aquilo o lembrava de funerais, lodo, e, por alguma razão, o Egito. Aquilo causava um forte enjoo, e ele não pôde evitar uma pequena risada ao se imaginar maculando os tapetes do chefe.

Com o odor e a presença ficando cada vez mais forte, Fujiwara não se assustou com a entrada repentina de Bassington, e tampouco estranhou a polidez que o mesmo lhe dispensara.

– A que devo a visita? Espero que não esteja correndo o boato de que minha sala se tornou um parque de diversões para os professores. Seja breve e direto, Sr. Fujiwara, pois estou tendo um dia cheio.

Fujiwara, que não tinha nada a perder com aquilo. A pior consequência seria a morte, e sua família, tradicional ao extremo em alguns pontos da própria cultura, enxergava o fim da vida com outros olhos.

Ele deu um sorriso.

– Com todo o respeito, Diretor, os boatos que correm o castelo não são sobre divertimentos em sua sala, longe disso... E também não pretendia prolongar muito a minha visita, apesar da sua sala ser deveras aconchegante – “se considerarmos quem a ocupa...”, completou Fujiwara em pensamento. – O problema é que eu descobri que, literalmente, o senhor não é muito humano. Veja bem... Os sereianos disseram que o senhor tem sangue negro correndo em suas veias, e isso, vindo de um povo como o deles, é gravíssimo. Analisando bem as palavras que eles usaram, e considerando os costumes deles, está na cara que você não é, como nossas queridas crianças dizem, “legal”.

Fujiwara se prolongava propositalmente. Era diferente estar cara a cara com o perigo e ter a chance de provocá-lo, mesmo que o resultado seja a morte. A adrenalina o comandava, em parte. Conseguia manter-se consciente o suficiente para analisar o rosto do diretor, para saber quando cruzaria o limite entre “muito perigoso” e “estupidamente perigoso”.

Eu não sou bobo, diretor. Tomei medidas para que, caso eu desapareça, investigações a seu respeito sejam iniciadas. Obviamente, ninguém da minha família está sabendo, eu não seria tolo o suficiente de arriscar a vida deles por um capricho meu. Sim, pois veja... Só com o meu desaparecimento, seja por morte ou qualquer outro motivo, é que minhas precauções serão colocadas em prática. É ótimo ser bruxo, não acha? Mas fique tranquilo, eu não pretendo revelar seu segredinho a ninguém.

O japonês mantinha sua varinha o tempo todo em suas mãos, manuseando-a distraído. Com essas palavras, ele deu um sorrisinho.

Mas o que o senhor tem a me oferecer em troca? Considere que o senhor viu a morte de um professor, o internamento de outro, professores deixando seus cargos, alunos desaparecendo, tudo isso sob a sua administração na escola. É claro que o senhor não me colocaria nesta lista, não é?

Ele sabia que se tivesse que lutar para viver, não teria chances. Estava sozinho, afinal. Mas, segurando sua varinha, estava decidido a dar um pouco mais de problemas àquela criatura.

Sir Arthur Bassington escreveu:O professor de Poções tentava aparentar seu descaso e naturalidade, atrevendo-se até a esboçar um sorriso.

– O problema é que eu descobri que, literalmente, o senhor não é muito humano. Veja bem... Os sereianos disseram que o senhor tem sangue negro correndo em suas veias, e isso, vindo de um povo como o deles, é gravíssimo.

Sir Arthur, com toda a sua experiência de vida, e com o nível de estresse que dominava seu corpo, poderia ter simplesmente reduzido o homem a sua frente a pó em segundos. Mas ao invés disso, seus lábios se abriram e uma sonora gargalhada foi ouvida. O diretor parecia se divertir com a presença do japonês.

– Eu não sou bobo, diretor. Tomei medidas para que, caso eu desapareça, investigações a seu respeito sejam iniciadas. Obviamente, ninguém da minha família está sabendo, eu não seria tolo o suficiente de arriscar a vida deles por um capricho meu. Sim, pois veja... Só com o meu desaparecimento, seja por morte ou qualquer outro motivo, é que minhas precauções serão colocadas em prática. É ótimo ser bruxo, não acha? Mas fique tranquilo, eu não pretendo revelar seu segredinho a ninguém.

Sir Arthur continuava a gargalhar.
_Bobo? Não, com certeza não o és. Mas hilariante já é outra história. Com tantos anos de vida, nunca havia conhecido esse lado humorista dos japoneses. Realmente, Sr. Fujiwara, essa foi a maior e melhor piada que já ouvi em todos esses anos de vida. Pena que se refira a mim. _Dizia o diretor jocosamente enquanto o professor mantinha-se na defensiva portando sua varinha. Talvez por medo, ou para demonstrar tranqüilidade, Fujiwara também arriscou um sorriso.

– Mas o que o senhor tem a me oferecer em troca? Considere que o senhor viu a morte de um professor, o internamento de outro, professores deixando seus cargos, alunos desaparecendo, tudo isso sob a sua administração na escola. É claro que o senhor não me colocaria nesta lista, não é?

_Oferecer em troca? O que isto aqui lhe parece? Um mercado de pulgas? _levantou-se já abandonando o tom risonho e voltando ao velho Bassington_ Acho que qualquer um vai entrando aqui e dizendo disparates como esse e em troca leva uma caixinha de ouro? Francamente _ postou nas costas do professor e sussurrou em seu pescoço_ Fujiwara, esperava mais de você. Bem mais!

Manteve-se nessa posição por um momento, então endireitou-se, e em tom baixo, mas firme, aguardou que o professor se virasse para ele para continuar.
_Admiro sua determinação! Gosto de sua arrogância! Mas é a ganância que o torna ainda mais interessante para mim! _frisou ele_ Não gosto de fantoches e marionetes, mas homens de pulso firme! Estou disposto a esquecer todas as idiotices que disse aqui. Pois a mim elas não dizem respeito. Preciso de aliados aqui dentro. Como deve saber, ser diretor de uma instituição educacional nunca pareceu estar em meus planos, um homem de negócios como sou, acostumado a todos os requintes que a nobreza e o dinheiro podem dar. Mas quis o destino que viesse para cá, e francamente, vocês professores são deveras maçantes!

Agora os dois estavam cara a cara. O tempo parecia ter parado, para não interrompê-los. O fluxo de energia ia de um pólo ao outro, de diretor a professor.
_E então? Aceitas ficar do meu lado? Garanto-lhe que as recompensas serão satisfatórias. Para começar, que tal provar o gosto da chefia da Sonserina?

Enquanto aguardava a resposta do outro, Sir Arthur sorria, mas não um sorriso alegre e gargalhante como antes, e sim, o seu sorriso mais frio e calculista. Aquele capaz de gelar um inocente, mas também comprar qualquer um que tivesse vontade de crescer, sob meios escusos.

Anonymous escreveu:Aquela conversa não se mostrava produtiva. Tatsuya Fujiwara devia ter previsto que, mesmo tendo descoberto seu segredo, o Diretor não se deixaria abalar, mesmo que não tivesse saída. Como fora tolo ao imaginar que poderia pressionar Sir Arthun Bassington, o Morcegão.

– Eu não sou bobo, diretor. Tomei medidas para que, caso eu desapareça, investigações a seu respeito sejam iniciadas. [...] Mas fique tranquilo, eu não pretendo revelar seu segredinho a ninguém.

_Bobo? Não, com certeza não o és. Mas hilariante já é outra história. Com tantos anos de vida, nunca havia conhecido esse lado humorista dos japoneses. Realmente, Sr. Fujiwara, essa foi a maior e melhor piada que já ouvi em todos esses anos de vida. Pena que se refira a mim.

Sir Arthur ria. Gargalhava, na verdade, ouvindo Tatsuya Fujiwara falar. Isso o perturbava, é lógico, mas ele era frio o suficiente para não deixar transparecer.

– Mas o que o senhor tem a me oferecer em troca? [...]

_Oferecer em troca? O que isto aqui lhe parece? Um mercado de pulgas? _levantou-se já abandonando o tom risonho e voltando ao velho Bassington_ Acho que qualquer um vai entrando aqui e dizendo disparates como esse e em troca leva uma caixinha de ouro? Francamente _ postou nas costas do professor e sussurrou em seu pescoço_ Fujiwara, esperava mais de você. Bem mais!

Era verdade que, desde que chegou ao escritório do Diretor, sentiu uma incômoda coceira em sua perna, então aquilo não seria, mesmo, um mercado de pulgas. Talvez fosse apenas um posto de doações.

Com o sussurro do chefe em seu pescoço, Fujiwara sentiu seu corpo congelar. Durante todo o tempo em que ele se manteve naquela posição, o Mestre de Poções não pôde respirar, não pôde se mover, talvez por medo, talvez precaução. Quando sentiu seu pescoço a uma distância maior das presas de Bassington, o professor tentou montar uma cara tranquila, e a respirar normalmente, mais para se convencer do que enganar o indivíduo que ainda estava parado atrás de si. Quando recuperou o fôlego, percebeu que o diretor ainda não voltara à sua cadeira e, temeroso, embora não quisesse admitir, virou-se para encará-lo.

_Admiro sua determinação! Gosto de sua arrogância! Mas é a ganância que o torna ainda mais interessante para mim!Não gosto de fantoches e marionetes, mas homens de pulso firme! Estou disposto a esquecer todas as idiotices que disse aqui. Pois a mim elas não dizem respeito. Preciso de aliados aqui dentro. Como deve saber, ser diretor de uma instituição educacional nunca pareceu estar em meus planos, um homem de negócios como sou, acostumado a todos os requintes que a nobreza e o dinheiro podem dar. Mas quis o destino que viesse para cá, e francamente, vocês professores são deveras maçantes!

A ironia do destino. Subira aquela escada circular do segundo ao sétimo andar lentamente, aguardara seu ocupante pacientemente e aguentara o fedor com a certeza de que estabeleceria uma relação de inimizade chantageando o diretor. E, ao invés disso, seu exfuturo oponente o subjugara e ainda propunha uma aliança!

_E então? Aceitas ficar do meu lado? Garanto-lhe que as recompensas serão satisfatórias. Para começar, que tal provar o gosto da chefia da Sonserina?

A Chefia da Sonserina. Subiria na hierarquia da escola, talvez incomodando alguns colegas por quem sente forte antipatia. Teria um aumento de salário (não que discutisse o salário com seus colegas, mas certamente ter responsabilidade por um bando de crianças merecia mais dinheiro, não?), indiretamente algo que vinha visando depois de passar a horrenda gárgula cinco andares abaixo. Obviamente teria mais trabalho, mas se a louca da Sh... O que teria acontecido à professora de História da Magia? Sabia que o diretor tinha ido ao encontro de Shoronova enquanto ele próprio ia ao encontro de Bassington, mas... Bem, pensou ele, isso não tem a menor importância.

– Seria uma honra, Diretor.

Eskarina MacOgma

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